POLÍTICOS BRIGAM POR CARGOS NA SAÚDE.

BSB, terça, 15.07.08
Edição Nº 70

As condições de trabalho nas unidades de saúde, as políticas de recursos humanos na área de Saúde, a péssima remuneração dos médicos no serviço público, parecem não sensibilizar nossos políticos.

Quando o assunto é palanque, declarações na TV, marketing eleitoral, a saúde parece preocupar os políticos que ocupam cargos nos Poderes Executivo e Legislativo.

Agora também podemos saber que eles disputam avidamente cargos no Ministério da Saúde. Isso nos leva a reflexões sobre a luta da categoria profissional por valorização dentro do serviço público.

A notícia, que transcrevemos abaixo, é do Informativo FENAM 70, de 15 de julho de 2008

Política
Partidos brigam por cargos no Ministério da Saúde

BRASÍLIA – Os boatos sobre a possível queda do ministro da Saúde, José Gomes Temporão, tomam força a cada dia. O que antes era apenas especulação política, começou a ser considerado plausível depois que a revista Veja publicou uma matéria sobre o descontentamento do PMDB com o chefe da pasta. No último final de semana, a demissão do braço-direito do ministro, o secretário de Atenção à Saúde do Ministério, José Carvalho de Noronha, foi aventada e sua saída confirmada nessa segunda-feira. Segundo informações, o cargo já está sendo disputado pelos partidos políticos. O PT, por exemplo, está brigando para dar a vaga ao seu indicado, Helvécio Magalhães, atual presidente do Conasems e secretário de Saúde de Minas Gerais, mas o PMDB não aceita. A assessoria do Conselho Nacional dos Secretários Municipais de Saúde, no entanto, não confirma a intenção de Helvécio de assumir a vaga.
A gestão de Temporão foi, desde o início, marcada por polêmicas. Além do aborto, a proibição da propaganda de bebidas e a crise da febre amarela, o ministro também precisou lidar com a falta de financiamento, que deve deixá-lo sem R$ 6 bilhões para encerrar o ano. Todas essas dificuldades, somadas à falta de articulação política e o boicote que o ministro vinha sofrendo dentro do próprio Ministério – fontes afirmam que os técnicos não apenas não liberavam as emendas dos governadores e prefeitos, como também sequer as analisavam – desgastaram rapidamente a imagem de Temporão.
Considerado, no entanto, como um bom técnico, ainda há quem acredite que o presidente Lula mantenha Temporão onde está. O presidente do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Francisco Batista Junior, é um deles. “Não acredito que o presidente tire o Temporão. Não apenas porque o presidente [Lula] acredita no trabalho do ministro, mas porque também mexer com o Ministério da Saúde, agora, será muito complicado”, afirmou, enfatizando que será difícil encontrar quem queira administrar uma pasta tão problemática.
Mas nem todos os conselheiros que compõem o CNS têm a mesma opinião. Durante a última reunião do Conselho, na semana passada, alguns participantes comentaram que as decisões tomadas pelo órgão podem perder a valia, caso o ministro não fique até depois das eleições municipais. Para o representante da Força Sindical, João Donizete Scaboli, Temporão está “com os dias contados”. “Ele não fez nada até hoje. E ele não ouve ninguém”, afirmou.
Consultores em Saúde acham ser possível a queda do ministro, até porque, com o descontentamento do PMDB, o presidente Lula não deve medir esforços para que o partido indique o substituto e, dessa forma, mantenha-se feliz e não represente problemas para o governo. Não há, contudo, como prever como ficará o cenário até que passem as eleições.
Para os especialistas, Temporão poderá ser pressionado a deixar o cargo. Para tanto, pessoas-chave na gestão do ministro deverão ser retiradas da jogada, como foi o caso do secretário de Atenção à Saúde. Outros cargos, como a da Secretaria Executiva, também deverão ser atingidos, enfraquecendo, assim, o ministro. Mas, até o momento, esta é só uma possibilidade. A conferir. (Lenir Camimura)
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