CRISE NA SAÚDE PRESENTE NO DEBATE ELEITORAL DE 2008. E a EC-29 tramita no Congresso.


MAIS ALGUNS RETRATOS DA CRISE NA SAÚDE.

A situação da saúde pública, que ocupa grande parte das preocupações dos eleitores brasileiros,em razão disso tem se tornado uma parte cada vez mais ativa dos debates eleitorais. A candidata à Prefeitura do Rio de Janeiro, Jandira Feghali, constata que há falta de médicos no Souza Aguiar.

A notícia foi publicada no “Jornal do Brasil” – JB on-line -[19:03] - 22/07/2008
: Jandira diz que 'faltam médicos no Souza Aguiar'
http://jbonline.terra.com.br/extra/2008/07/22/e220719083.html

Declarou a candidata da coligação PCdoB-PSB-PTN-PHS:
“-O Hospital Souza Aguiar está completamente lotado. Não vi vaga em nenhum setor. O principal problema é o déficit de pessoal. Faltam médicos e enfermeiros - constatou, assinalando que hoje o desafio do poder público no Rio de Janeiro é a saúde, a defesa da vida das pessoas.”

“-Temos de rever e implantar o plano de cargos e salários do município. Nenhum médico irá fazer concurso para receber apenas R$ 660 de salário. Cabe à Prefeitura investir na capacitação de seus funcionários - enfatizou.”

Por outro lado, a crise continua: na Bahia, há um protesto de funcionários de hospitais. Motivo: ameaça de corte de gratificações.

“Uma manifestação que durou cerca de uma hora na entrada do Hospital Geral Roberto Santos (HGRS) serviu de alerta para a Secretaria de Saúde do Estado (Sesab). Na tarde de ontem, cerca de 200 profissionais, entre médicos, enfermeiras, auxiliares, nutricionistas e psicólogos, cruzaram os braços, em regime de revezamento. O grupo protestou contra o suposto corte de gratificações por parte da Sesab. Nova manifestação está marcada para amanhã, às 10h, no mesmo local.”

23/07/2008
HOSPITAL ROBERTO SANTOS: Funcionários protestam contra o corte de gratificações de urgência e emergência.

Essas gratificações correspondem a até 150% dos salários dos profissionais que atuam em urgência e emergência. Esse artifício é usado em unidades do SUS, cujo trabalho é penoso. As políticas injustas de recursos humanos para o serviço público de saúde resultam em salários tão baixos que não motivam trabalhadores (de qualquer nível de escolaridade) a atuar em setores essenciais do serviço público. O estresse, os horários rígidos, o trabalho continuado e tudo o que caracteriza esse tipo de trabalho faz com que os trabalhadores fujam desse desgaste. Para conseguir mão de obra para o setor usam esse expediente.

No Rio Grande do Sul, falta de profissionais em hospital público entra no debate eleitoral. Em Santana, hospital municipal funciona parcialmente porque funcionários não receberam a remuneração devida por seu trabalho.

A matéria sobre a crise na saúde no serviço de urgência e emergência de Salvador(de Carmen Azevêdo, foi publicada no Correio da Bahia on-line em http://www.correiodabahia.com.br/aquisalvador/noticia_impressao.asp?codigo=157705

No interior do Rio Grande do Sul, a crise atinge uma unidade importante para a atenção à saúde de centenas de milhares de brasileiros. O Hospital deveria ter o dobro de médicos.

A matéria está no “Fato Novo”, de São Sebastião do Caí – RS - http://www.fatonovo.com.br/ler.php?id=1328 e a transcrevemos abaixo, mais um retrato da crise da saúde que varre impunemente o Brasil.

Com o início da campanha eleitoral, um dos assuntos mais discutidos pelos candidatos junto a comunidade é a situação crítica do Hospital Montenegro (HM). A casa de saúde, que é a maior da região e tem 77 anos de serviços prestados, atravessa uma grave crise financeira e ainda corre o risco de fechar as portas.

Várias são as campanhas e mobilizações em benefício do hospital. Na manhã do último sábado, dia 19, na praça Rui Barbosa, encerrou-se a campanha "A Arte da Solidariedade", onde foram realizadas diversas atividades, como espetáculos de dança, sessões de cinema e exames de saúde, em que foram arrecadados recursos e alimentos para o HM. "A campanha iniciou em julho e não tem fim", destaca a coordenadora do Programa de Voluntariado do hospital, Maria Agraciada de Oliveira. Ela diz que, em uma semana, foram arrecadados mais de trezentos quilos de alimentos e cerca de dois mil reais em dinheiro, sem contar as doações de empresas, como de toalhas e carrinhos de higienização. E as doações continuam, principalmente para equipar a ala psiquiátrica do HM, que deverá ser inaugurada no segundo semestre deste ano.

Foi lançada ainda uma ação entre amigos, onde será sorteada uma televisão de 29 polegadas, a qual foi doada. O sorteio está previsto para o dia 25 de outubro e cada número custa apenas dois reais, podendo ser adquirido junto aos Parceiros Voluntários do Hospital. Mais informações através do telefone 3632 1233.

NOVA ALA
Atualmente o município paga por vagas em outros hospitais, como o Sagrada Família, do Caí, para garantir o atendimento psiquiátrico. E existe uma grande dificuldade para se conseguir leitos, principalmente para dependentes químicos. A procura aumentou com a disseminação do crack, droga que fez aumentar o número de viciados em tóxicos.

Recentemente o Governo do Estado anunciou que deverão ser criados quinhentos novos leitos psiquiátricos públicos, destinados ao tratamento de viciados em drogas. O Hospital Montenegro está entre os que estão se adequando para a instalação de uma ala psiquiátrica.

Conforme a psicóloga e coordenadora de Recursos Humanos do HM, Eva Solange de Oliveira, já estão sendo feitas vistorias e montada a parte técnica. "Entre 19 e 20 leitos devem ser criados", diz. E não serão apenas para a desintoxicação de dependentes químicos, mas também para pacientes com depressão, esquizofrenia e outros casos de saúde mental. Para isso estão sendo preparadas doze salas, numa área de quinhentos metros quadrados, com salas de recuperação, terapia ocupacional, consultórios, refeitório e quartos. Além das doações. O hospital também aguarda a definição dos repasses mensais por parte do Governo do Estado.

A psicóloga, entretanto, reconhece que o maior índice de internações é de viciados em drogas. "É um dos pacientes de mais difícil recuperação", afirma. Depois da internação, o tratamento poderá continuar no Centro de Atenção Psicossocial (Caps), que funciona junto ao hospital. E a Prefeitura também pretende oferecer vagas no Retiro Comunitário de Reabilitação Ocupacional (Recreo).

Luta continua
O superintendente geral do Hospital Montenegro declara que a situação financeira da casa de saúde ainda é delicada. "Diariamente lutamos para vencer as dificuldades. Estamos conseguindo e vamos conseguir muito mais", afirma. Mattana cita que o hospital tem procurado pagar os salários dos funcionários em dia, faltando ainda cerca de três meses de vencimentos atrasados do final de 2007 e início deste ano. "Estamos procurando colocar em dia, mas o que recebemos mal dá para manter a estrutura, que tem um custo muito alto", explica. Segundo o superintendente, 90 a 95% dos atendimentos são pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que é deficitário. "Se um paciente custa 1.500 reais, o SUS só repassa 500 ou 600 reais. E mesmo assim temos que manter o hospital funcionando", diz, lembrando que ainda existe uma grande dívida que está sendo paga com parcelas descontadas da própria receita do SUS. "O número de convênios diminuiu e não temos como cobrir o déficit mensal", lamenta. "Nós damos atendimento para as pessoas menos favorecidas. Se o hospital fechar, onde este povo será atendido?", questiona Mattana.

Após enfrentar a paralisação de funcionários e a interrupção no atendimento de alguns setores, o hospital está buscando voltar a funcionar plenamente. Entretanto, segundo Mattana, o maior problema é a falta de profissionais, principalmente médicos de algumas especialidades. "Não se consegue pediatra, anestesista e traumatologista", lamenta. "Eles não querem vir para o interior. É um problema que ocorre em outros locais do Estado e do país", diz. Na semana passada, segundo Mattana, o único pediatra ficou doente e teve que ser buscado um médico da Unimed, que, felizmente, atendeu no HM.

O superintendente calcula que atualmente o Hospital Montenegro conta com cerca de vinte médicos. "Precisaria o dobro", avalia, para garantir um melhor atendimento. "Muitas vezes é um luta conseguir transferir pacientes que necessitam de um atendimento de maior complexidade. Mas isso não depende de nós", explica Mattana, entendendo a angústia de pacientes e familiares. É o caso da traumatologia e até de partos. Quando falta médico, é preciso encaminhar para outro hospital, mas depende de leito disponível.

A média de internações, no hospital, está entre 45 e 70 pacientes.

Já o número de pessoas que procura o atendimento ambulatorial, no plantão médico da emergência, chega a duzentas ao dia. "É uma loucura", cita Mattana. E são pacientes de toda a região, inclusive de municípios que possuem hospitais e não fazem repasses financeiros para o HM.

"O Hospital não pode fechar", alerta Mattana, que na última sexta-feira fez esta declaração para membros do Conselho Regional de Medicina que visitavam a casa de saúde. Ele lembrou que foi formado um grupo gestor, com a participação da Prefeitura, Secretaria da Saúde, Unimed, HM e Grupo Mãe de Deus, visando contribuir com a administração e discutir os problemas. E pede que a comunidade continue colaborando e se mantenha mobilizada com campanhas em prol do Hospital Montenegro.

Concluindo:
Retratos da crise da Saúde, que se espalham por todo Brasil. O Ministério da Saúde mantém distância dos acontecimentos. Não sensibiliza o Governo Federal, que detém os recursos dos altíssimos impostos cobrados aos brasileiros e nem os legisladores do Congresso Nacional sobre a situação. Mas nas discussões eleitorais o assunto, a despeito do silêncio de Brasília, está cada vez mais distante. E a Emenda da Saúde, a EC-29 (Emenda Constitucional 29) está em trâmite pelo Congresso Nacional, enquanto tramita pelo Brasil o processo eleitoral de 2008. Ao eleitor restará associar os acontecimentos.

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