MINAS GERAIS: A MONTANHA PARIU UM RATO. -
Ou a política do grupo de Aécio posta à prova.
Todos conhecem o dito de Nelson Rodrigues, de que toda unanimidade é burra. A unanimidade de Minas em torno do Aécio é uma burrice e uma ficção. Os fatos estão nos mostrando que Aécio não é nenhuma unanimidade. O candidato aecista à Prefeitura de Belo Horizonte amarga um distante quarto lugar nas pesquisas divulgadas no jornal Folha de São Paulo. Prova da existência de uma percepção inicial do eleitorado, que está levando as pessoas a rejeitarem a maquinação sinistra do Palácio da Liberdade, urdida para aniquilar o PT de BH e conduzir um homem do grupo de Aécio à Prefeitura da capital mineira.
Inicialmente, pensei que a dissidência mineira pudesse se resumir a meios sindicais.Eem especial os ligados ao funcionalismo público, à Saúde e Educação, alguns poucos descontentes fazendo dissidência diante da aparente unanimidade.Motivos não faltam. Nas recentes negociações com o funcionalismo estadual, houve motivos para que os médicos mineiros desconsiderassem qualquer boa vontade da parte do Governo Aécio. Os médicos da Secretaria de Estado da Saúde não tiveram direito nem ao cargo de médico. Os da FHEMIG (fundação hospitalar de Minas) ganharam apenas três por cento. Os tecnoburocratas que se encastelaram nas Secretarias de Estado, na capital, parecem ver com arrogância e descaso as falas do sindicalismo.‘Espiolhando”, à moda de Guimarães Rosa, salta aos olhos e aos ouvidos que resistência no meio sindical não é a única oferecida à unanimidade ‘burra’ (ou maquiagem de marketing e mídia) aeciana:
1-Aécio não é uma unanimidade tucana. Dentro do próprio partido do Governador, os tucanos, tem gente que não confia nele. Dizem que ele pode mudar de partido, para atender a necessidades de suas ambições presidenciais. Esse grupo não esconde suas preferências por uma eventual candidatura José Serra. Preferem o PSDB a Aécio.
2-Aécio e Pimentel não conseguiram enquadrar o PT na região metropolitana de Belo Horizonte. A maioria da militância veterana e tradicional do PT na região metropolitana de Belo Horizonte não aceitou a armação de Aécio e Pimentel. O esquartejamento do PT na capital mineira acabou levando muita gente boa do partido, petistas autênticos a preferir a candidatura de Jô Moraes, do PCdoB. Outros setores, que apoiaram o PT em eleições anteriores e poderiam agora apoiar uma candidatura petista, estão com a candidatura do PMDB.
3-Há muito tempo há denúncias sobre o modo Cosa Nostra dos ocupantes do Palácio da Liberdade lidarem com a imprensa. Talvez a primeira revelação disso seja Liberdade, essa palavra. Há um vídeo, que não é novo, que denuncia de forma consistente, robusta, o funcionamento do esquema de Aécio sobre a imprensa. Objetivo: dar só boas notícias, dar a impressão que ele faz uma excelente administração, que em Minas tudo vai bem. Esse vídeo está disponível na Internet. Para vê-los (em 3 partes), é possível acessar o Youtube pelos links seguintes:
Parte 1 Link para a Primeira Parte do vídeo “Liberdade, essa palavra.”
Parte 2 Link para a Segunda Parte do vídeo “Liberdade, essa palavra.”
Final Link para a Parte Final do vídeo “Liberdade, essa palavra.”
Na ocasião (há alguns anos), empregados do grupo do Governador argumentavam pela falsidade dos vídeos e dos depoimentos, alegando que tudo era armação do PT. Não creio que recorressem ao mesmo argumento hoje. Principalmente depois que Aecinho e sua trupe, com a colaboração do Fernando Pimentel, conseguiram colocar de joelhos o PT de Belo Horizonte e lançar a candidatura do ex-tesoureiro da campanha de Ciro Gomes, Márcio Lacerda (quarto lugar nas pesquisas) para a sucessão municipal.
Aécio e sua turma sitiam a opinião pública mineira, não permitindo à imprensa local garantir aos mineiros o direito à informação.
Na blogosfera, quando o assunto é Política e Aécio, notamos que também há uma grande reação ao atual Governo estadual. Alguns exemplos:
No blog de Leila Jinkings, uma dica importante sobre o papel da imprensa brasileira e a convivência com políticos brasileiros. É um vídeo curto, de 8 minutos, feito pelo documentarista Daniel Florêncio, para a Current TV. Mostra como a imprensa nativa mantém uma relação suspeita com um dos tradicionais filhos da elite política brasileira: o governador tucano Aécio Neves.
Segundo Leila, o filme já foi exibido nos Estados Unidos e Inglaterra. Curioso é o fato de que os gringos podem conhecer um pouco mais sobre a realidade política brasileira e as relações entre a imprensa e líderes tradicionais da nossa política, como o governador de Minas Gerais.
Aécio Neves é neto do ex-governador Tancredo Neves, o político conservador mineiro que deu origem à Nova República, foi eleito presidente da República pelo Colégio Eleitoral em 1985, mas não chegou a assumir o cargo. Morreu vítima da septicemia, dando passagem a José Sarney.
Aécio é ele mesmo candidato a presidente e vem travando uma guerra surda pelo controle do PSDB com o governador paulista José Serra. Ambulatório: como Aécio lida com a imprensa. Clique e leia.
Efeito bumerangue atinge Aécio
Postado no Junho 5, 2008 de cila schulman.
• O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, vai precisar de muita lucidez para enfrentar o vídeo “Censurados no Brasil” que se multiplica na Internet com acusações sobre a construção e administração de sua imagem pública.
• O material de 8 minutos, bem produzido e postado no site Current TV, com locução original em inglês, e no Youtube com legenda em português, corre o Brasil através de um viral enviado por email. É praticamente um repique do “Liberdade, essa palavra”, que circulou há uns dois ou três anos, e que já trazia o depoimento de repórteres, editores e radialistas contando causos de interferência do governo de Minas na imprensa. Só que aquele era um trabalho acadêmico e esse parece (para quem abre) coisa de profissional, até por sua característica “internacional”.
• O principal entrevistado do filme é o cientista político Fernando Massote, que assinava coluna de opinião em “O Estado de Minas” e responsabilizou pelo seu afastamento do quadro de colaboradores do jornal a mão forte do esquema de comunicação de Aécio. Da mesma forma, se considerou perseguido pelo governador o polêmico comentarista esportivo Jorge Kajuru, demitido da Bandeirantes após criticar a forma de distribuição de ingressos do jogo Brasil e Argentina no Mineirão.
• Governar é, também, contrariar interesses. Nesse caso, interesses de quem encontrou uma nova forma de comunicação para reagir, em paralelo ao tradicional poder da mídia. A conferir o estrago do movimento para os planos presidenciais de Aécio. Cila Schulman – bumerangue atinge Aécio.
O Aécio bom-moço e presidenciável forte é o sonho de uma noite de verão da Andréia Cunha, irmã do Governador e chefe de uma das facções que se digladiam pelo poder nos corredores do Palácio da Liberdade. Na verdade o Governador é um playboy interessado em aproveitar as delícias do Rio de Janeiro e mestre em dar declarações genéricas e imprecisas sobre assuntos graves.
E ainda tem a história do jogo Brasil e Argentina, cortaram o áudio quando noventa mil pessoas gritavam algo que não era agradável ao Governador. Mas a história correu a Internet. Dizem que há até quem tenha filmado a cena e distribuído na web. A conferir.
Para quem quiser saber mais sobre Minas Gerais e o que de fato está acontecendo no Estado, recomendamos a leitura do Novojornal. A edição on-line está em Novojornal – link para o site http://www.novojornal.com.br . Trata-se de um dos poucos órgãos de imprensa que tem permanecido imune à cooptação do esquema perverso aecista.
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Tim Ramsey