O Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro respondeu ao rompante do Governador Sérgio Cabral Filho, que ao lado de um sorridente Ministro José Gomes Temporão, proferiu palavras injuriosas contra a categoria médica, causando inegável dano moral aos profissionais que ainda suportam trabalhar no serviço público de saúde.
Na verdade, queria o Governador falar sobre o fracasso das cooperativas médicas em atender os hospitais públicos. Tal prática, ilegal, constituí em verdadeiro roubo dos direitos trabalhistas e previdenciários dos profissionais médicos, sem nada que os compense, exceto alguns trocados no final do mês. As cooperativas médicas que vendem o trabalho dos doutores a clínicas, hospitais e até ao serviço público funcionam como **coopergatos**, são uma verdadeira quinta coluna contra a categoria profissional e estão a criar uma casta de bóias-frias da Medicina. Compete ao Ministério do Trabalho, ao Ministério Público do Trabalho e aos Sindicatos que representam os médicos dar firme e incessante combate a esses vendilhões da Medicina.
Não obstante Sérgio Cabral, o júnior, governa um Estado que paga aos seus médicos um dos piores salários profissionais do Brasil. E, sendo governador há dois anos aceitou a precarização do Serviço Público por meio de cooperativas e ongs, o que resultou no desastre que atingiu durante a confiança na sua capacidade de governar com seriedade. Saiba mais em http://faxsindical.wordpress.com/2008/09/23/fracasso-de-cooperativas-em-hospitais-publicos-irrita-governador-do-rio/ .
É sabido o efeito nocivo de salários ruins, com grande repercussão em trabalho intelectualizado, que exige conhecimento. A não fixação dos médicos em serviços públicos se deve, em grande parte, a pisos salariais sofríveis. O piso salarial nacional do médico, proposto pela FENAM, não está sequer tramitando no Congresso Nacional. A evasão de médicos do Serviço Público é notória. Só no Rio, setenta por cento pediram demissão nos últimos tempos, segundo informação do Dr. Jorge Darze, Presidente do Sindicato dos Médicos. A evasão de médicos é algo constatado e reconhecido (veja em http://faxsindical.wordpress.com/2008/09/23/brasil-apagao-da-saude-baixos-salarios-empurram-medicos-para-fora-do-servico-publico/).
Ontem o Fax Sindical publicou as primeiras reações no meio sindical ao destempero de Cabral Filho. Na página http://faxsindical.wordpress.com/2008/09/23/rj-contratacao-irregular-de-mao-de-obra-fazem-medicos-abandonarem-plantoes/.
Hoje, na página http://oglobo.globo.com/rio/mat/2008/09/23/sindicato_dos_medicos_processara_governador-548352894.asp, o Globo on-line divulga a reação do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro e do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro às ofensas gravíssimas do Governador do Rio aos profissionais da Medicina. A notícia também tem destaque na primeira página da edição impressa de **O GLOBO** de 24 de setembro de 2008. Dr. Jorge Darze, Presidente do Sindicato dos Médicos do Rio encosta no Governador a realidade fria dos número: setenta por cento dos médicos do Serviço Público do Estado do Rio de Janeiro pediram demissão devido à falta de uma política decente de recursos humanos por parte do Governo de Sérgio Cabral. E mais: denunciará por falta de urbanidade ou de civilidade a Sérgio Cabral mediante representação ao Ministério Público, considerando a ausência de decoro no seu comportamento em público.
Sobre a situação dos médicos faltosos informa o jornal:
**Os cinco médicos que foram chamados por Cabral de vagabundos e safados por terem faltado domingo ao plantão do Hospital Getúlio Vargas, na Penha, são cooperativados e negaram que tivessem combinado as faltas. Dois informaram que estavam doentes e que avisaram o chefe de plantão. Uma das médicas afirmou que havia deixado a unidade em agosto e outro profissional já informara que não voltaria a trabalhar.**
Que Cabral guarde essa: demitir médicos do serviço público que têm um salário ridículo e não tem vínculo empregatício regular (contratação ilegal pelo Governo do Estado) NÃO É PUNIÇÃO para ninguém. Pior, Cabral, é sua falta de decoro em público. Na frente de José Gomes Temporão, Ministro da Saúde, que ria sem que ninguém soubesse exatamente de quê ou de quem.
O Presidente do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro declarou em entrevista radiofônica (CBN) :
- No primeiro dia de mandato, ele exonerou o diretor do Getúlio Vargas porque não havia nenhum ortopedista no hospital. Hoje, além da falta de ortopedista, ele não resolveu o problema e faltam diversos profissionais como neurocirurgiões e anestesistas. Como um hospital daquele porte vai funcionar sem anestesista? Eu não vou nem adjetivar o governador, porque eu tenho um pouco mais de educação. Ofender uma categoria dessa maneira é muita irresponsabilidade - afirmou.
Por outro lado, a Secretaria de Saúde esclareceu que a demissão desses profissionais fica a cargo da cooperativa a que servem e que essa medida não deve ser tomada, por causa da crise atual. Ou seja, nem a expulsão de um profissional com vínculo empregatício irregular, xingado publicamente pelo Governador, com a falta de decoro oficial publicada em jornais de grande circulação, a Secretaria de Estado da Saúde pode fazer.
A falta de decoro e civilidade do Governador mereceu várias reações, destacamos essa Carta de um médico, cuja filha teve a infelicidade de trabalhar como contratada precária em um hospital público do Estado do Rio de Janeiro. O mesmo que não tinha plantonistas. O contrato dela venceu e ela parou de trabalhar uma semana antes do caos. Informações como essas permitem perceber o quanto de molecagem existe nas declarações furiosas do Cabral à imprensa, publicadas no início dessa semana.
**Sou médico e pai de uma das médicas envolvidas nesse imbrólio político do governador Sérgio Cabral para onde o assunto descampou. Minha filha é uma dedicada médica, formada há dois meses numa das melhores universidades públicas do Brasil - Universidade Federal do Rio de Janeiro. Estava no plantão de domingo no Hospital Estadual Getúlio Vargas e sua indignação com as condições desumanas que o estado presta no atendimento ao cidadão nesse hospital é algo assustador. Por vezes, desolada, me informava das condições de seu trabalho. Ainda com idéias academicistas, sem nenhuma aplicabilidade frente ao amontoado de pacientes largados, apenas aguardando a morte, face a falta de condições de trabalho no hospital, com equipamentos como respiradores que são vitais ao atendimento de emergência quebrados, falta de desfibriladores, medicamentos e pessoal, enfim, o espelho do inferno.
É impossivel que os competentes gestores desse caos ignorem essa situação e que queiram transferir a responsabilidade por esse caos e a falência da gestão pública da saúde aos profissionais que, como minha filha, ainda se dedicam ao seu trabalho. Não foi informado ao Sr. governador que o contrato de trabalho com os médicos que prestavam atendimento ao hospital, dentre eles minha filha, havia terminado no dia trinta do mês passado e ela não o renovou.**
Para que os médicos e outros trabalhadores da saúde do Serviço Público Estadual do Rio de Janeiro, eleitores e usuários de serviços públicos de saúde saibam:
CABRAL NÃO CUMPRE PROMESSAS!
*Termo de compromisso assinado por Cabral com o Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro comprometendo-se com a valorização do médico no Serviço Público, para melhorar as condições de atendimento à população:
http://www.sinmedrj.org.br/avisos/200a/termo_compromisso_candidato.pdf
*Vídeo onde aparece Cabral, o júnior, fazendo promessas aos servidores públicos estaduais. Igualmente não cumpridas.
http://www.seperj.org.br/site/RE/2008/fala_sergio_cabral_1.wma
Resta-nos desejar que alguma alma benfazeja dê conselhos a Sérgio Cabral Filho:
1-Em público, procure manter o decoro e ter bons modos, sobretudo quando se referir a pessoas que você não conhece pessoalmente.
2-Cumpra as suas promessas. O não cumprimento de promessa compromete muito o desempenho de um político e a sua aceitação pelas pessoas.
3-Cumpra a Lei. Contratar profissionais para atividade-fim da saúde pública por meio de cooperativas e ongs é ilegal. Tão ilegal quanto o trabalho escravo.
4-Reconheça que para fixar os médicos no serviço público você tem que ter uma política decente de recursos humanos. E fundação estatal é apenas um remédio falsificado vendido por pessoas equivocadas e retrógradas.





