Um dos assuntos mais discutidos no Fax Sindical é a falta de uma política séria e responsável para os recursos humanos do setor público na área de Saúde. Essa carência afeta especialmente o trabalho médico no setor público, onde cria uma situação de não motivar e não fixar os médicos para as necessidades próprias do serviço público.
Um programa ou sistema de saúde que não tenha atrativos para os profissionais da Medicina torna-se crítico, porque não apresenta consistência na prestação de assistência médica. Ocorrência de greves, paralisações, demissões coletivas ou individuais pedidas em grande quantidade, hospitais e ambulatórios sem médicos, descontentamento entre médicos e outros profissionais da área de Saúde.
Ribeirão Preto é uma cidade de PIB e IDH elevados. Lá também há falta de médicos na rede pública. Não faltam médicos na cidade, falta no SUS.
O problema é reconhecido pelos integrantes mais bem informados e esclarecidos dos conselhos de saúde. O representante dos usuários no Conselho Municipal de Saúde (de Ribeirão Preto), João Francisco Alves Correa, afirma que a falta de médicos é um dos maiores problemas da rede e que a única solução é a melhora salarial, acompanhada de um plano de carreira, cargos e salários.
A notícia pode ser conferida na página:
http://www.jornalacidade.com.br/noticias/72958/sobra-vaga-para-medico-em-ribeirao-preto.html
Cidades
Sobra vaga para médico em Ribeirão
Preto
A Prefeitura de Ribeirão Preto prorrogou por mais sete dias o prazo final do processo seletivo para médicos, que terminaria ontem. Ao todo, são 20 vagas, mas apenas nove profissionais se inscreveram para a seleção.
Segundo o secretário da Saúde de Ribeirão, Oswaldo Cruz Franco, o baixo nível de procura já era esperado. No último processo seletivo de médicos realizado pelo município, por exemplo, havia 24 vagas disponíveis, mas apenas quatro médicos aprovados aceitaram o trabalho.
No processo em andamento, o salário-base oferecido aos médicos é de R$ 2.000 mais benefícios (vale-alimentação de R$ 165, prêmio-incentivo de R$ 707 e gratificação por especialização de R$ 505) por uma jornada de 20 horas.
Em Bauru, no noroeste do Estado, salário-base é 35% maior para a mesma carga horária: R$ 2.700, além dos benefícios (adicional de 125% e vale-compra de R$ 160) para os médicos que atuam em unidades de urgência e emergência.
Já em Campinas, as contratações são sempre por carga horária mínima de 36 horas. Segundo Silvia Carmona, diretora do Departamento de Gestão e Apoio ao Trabalho e Educação na Saúde, o salário-base é de R$ 4.500 mais benefícios (auxílio-refeição de R$ 400, adicional de vunerabilidade que varia R$ 999 e R$ 2.800). Proporcionalmente, o médico de Campinas ganharia como salário-base R$ 2.400 para uma carga de 20 horas, o que representa 24% a mais do que os de Ribeirão.
Motivos
Para Franco, a questão salarial pesa, mas há outros fatores, como a pressão, horários, nível de violência nas unidades e até a distância. O secretário afirma que os médicos mais antigos têm o direito de escolher horários e locais de trabalho, o que não ocorre com os novos médicos da rede.
"Muitos têm outro trabalho e, em muitos casos, não querem abrir mão da jornada que já têm", disse Franco. O processo seletivo em andamento agora é para vagas provisórias de médicos por dois anos, prorrogáveis por mais dois.
De acordo com o secretário, os locais mais prejudicados pelo déficit de médicos em Ribeirão são as cinco UBDS (Unidades Básicas Distritais de Saúde), que atendem os casos de urgência e emergência. A situação é mais gritante na UBDS Central, por conta do grande volume de pacientes, e na Vila Virgínia e no Quintino, por conta da distância do Centro.





