Falta de médicos compromete serviço público de Saúde no país.

Faltam médicos em serviços públicos de saúde. Esse problema está deteriorando a qualidade dos serviços. Alguns estão funcionando próximos à inviabilidade. A percepção dessa realidade pelo Ministério da Saúde ainda não atingiu um nível importante, capaz de mudar a orientação do Ministério sobre o problema. A causa apontada está na carência de uma política decente de recursos humanos. Os planos de cargos, carreiras e remuneração oferecidos aos médicos, no serviço público, não são capazes de atrair e de fixar profissionais. Isso fica cada vez mais evidentes. Soluções? A EC-29, Emenda Constitucional 29 ou Emenda da Saúde está em discussão no Congresso Nacional. Ela objetiva criar um financiamento sério para a Saúde pública no Brasil. Outra solução: o Piso Salarial Nacional para os médicos. Ele já foi aprovado pelo Congresso em 1993, tendo sido vetado pelo então Presidente da República, Sr. Itamar Franco. Agora está novamente em trâmite no Congresso, em projeto de lei que visa reformar o salário mínimo profissional estipulado pela Lei 3999/1961. A aprovação desses projetos seriam decisivos para reverter a situação.

Enquanto aguardamos pela sensibilidade e preocupação de governantes e congressista para com essa questão grave, o sistema público de saúde vai capengando. Existe o mal, existe a cura, existem os responsáveis para fazer a cura.

Mostramos aqui três situações diferentes, em unidades diferentes da federação, São Paulo, Paraná e Pernambuco, que mostram a inviabilização progressiva e irreversível de unidades de saúde, inclusive de serviços essenciais, por falta de profissionais médicos disponíveis para atender em condições precárias por salários ruins. Essa questão parece até repetitiva. E é. O problema repete, recorre. E o Fax Sindical está se fazendo um grande inventário do apagão da saúde pública no Brasil nesse início de milênio.

Confira essas três matérias sobre o mesmo assunto, repetido em três diferentes cidades.

NO ABC PAULISTA: Falta de médico no Parque Miami será resolvida só ano que vem

sexta-feira, 28 de novembro de 2008, 00:04

Fernanda Russo Filomeno

Especial para o Diário

Os moradores do Parque Miami, em Santo André, ainda enfrentam grandes dificuldades com os atendimentos na UBS (Unidade Básica de Saúde) do bairro. A falta de médicos, já destacada pelo Diário em agosto, ainda é um problema e a maioria dos pacientes é encaminhada para o Pronto Atendimento da Vila Luzita.

Segundo o coordenador de Estratégia de Saúde da Família, Alexandre Bayer Filho, a UBS do Parque Miami deveria ter três equipes médicas (cada uma com um médico e uma equipe de enfermeiros). Hoje, a UBS conta com duas equipes, mas só uma está atendendo, pois um dos médicos está de férias. Segundo o coordenador, a Prefeitura está em processo de contratação de médicos, mas por causa das festas de fim de ano, a situação só deve ser regularizada em janeiro.

Para Bayer, um dos motivos pelo qual faltam médicos é a distância da UBS “Como é um lugar mais carente, com mais problemas sociais, alguns médicos ficam receosos e por isso não aceitam o trabalho.” Outro problema é a competitividade salarial, já que na Capital o salário é mais alto. “Não estou falando que o salário daqui seja ruim, pelo contrário, ele é competitivo. É salário de mercado. Mas o salário deles de cinco dias de trabalho aqui equivale a dois plantões de 12 horas em São Paulo.” Outro problema seria as especilidades médicas. “Poucos médicos querem trabalhar como generalistas”, lamenta Bayer.

Os moradores do Parque Miami, porém, não estão nada satisfeitos com a situação. A dona-de-casa Valdinéia Regina Barcellos esteve na manhã de ontem na UBS e não foi atendida. “Não tem médico para nada aqui.” (Supervisão de Daniel Trielli)

http://tinyurl.com/55nbk7

NO PORTO DE PARANAGUÁ – Falta de médicos no Hospital de Paranaguá:

Hospital de Paranaguá sofre com falta de médicos

Márcio Miranda – 28/11/2008

O Hospital Regional do Litoral, em Paranaguá, sofre com a falta de médicos. O local não suporta a demanda de pacientes vindos de Matinhos e Guaratuba.

A denúncia foi feita por Flávio André Schmitz, que é comerciante em Curitiba. A mãe dele estava no litoral do Paraná quando passou mal. Ela teve um principio de Acidente Vascular Cerebral e demorou quase um dia inteiro para conseguir atendimento no Hospital. Flávio Schmitz contou que procurou inicialmente o Pronto Socorro de Praia de Leste, onde foi bem atendido. Mas após a transferência para o Hospital em Paranaguá, teve que esperar muito pelo atendimento.

Ainda segundo Flávio, outras pessoas estavam na mesma situação, esperando pelo atendimento no Hospital em Paranaguá na tarde desta sexta-feira.

O comerciante disse que a desculpa apresentada pelos próprios funcionários do hospital é que há falta de médicos para atender a demanda.

O diretor-geral do Hospital Regional do Litoral, Carlos Lobo, disse que o problema do atendimento deve-se, entre outras coisas, pela demanda de pacientes vindos, além de Paranaguá, dos municípios de Matinhos e Guaratuba. Segundo o diretor, há intenção de aumentar de dois para três o número de médicos de plantão no Hospital Regional do Litoral.

Outra possível causa para o problema, apontada pelo diretor Carlos Lobo, é o fato de casos considerados mais graves terem prioridade de atendimento por parte dos médicos.

Carlos Lobo apontou ainda outra deficiência do Hospital Regional do Litoral. Segundo ele, há um problema de falta de leitos.

http://tinyurl.com/5ry92r

JABOATÃO DOS GUARARAPES, em Pernambuco:

domingo, 30 de novembro de 2008 – 20h14

Por falta de médicos, Hospital Geral de Prazeres fecha a emergência

Os pacientes que procuraram a emergência do Hospital Geral de Prazeres, em Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife (RMR), não puderam ser atendidos no final da tarde deste domingo (30) porque o local estava fechado.

Quem chega ao hospital está sendo obrigado a buscar atendimento em outras emergências. Segundo informações de funcionários da unidade de saúde, apenas dois médicos estavam no plantão.

O caso mais grave que chegou ao Hospital de Prazeres nesta tarde, ainda de acordo com funcionários, foi o de um rapaz com um corte no pescoço.

Como não havia cirurgião, ele não pôde ser atendido. Além da falta de profissionais, outro problema identificado pelos pacientes é a falta de medicamentos.

Fonte: da redação do pe360graus.com

http://tinyurl.com/6x8dvd

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