PROSSEGUE O MOVIMENTO DOS MÉDICOS EM PERNAMBUCO, PELA VALORIZAÇÃO DO SERVIÇO PÚBLICO DE SAÚDE E DA MEDICINA.

O Sindicato dos Médicos de Juiz de Fora e da Zona da Mata de Minas Gerais tem acompanhado com interesse a luta desenvolvida pelos médicos pernambucanos do serviço público estadual pela valorização do sistema público de saúde e da Medicina. O conhecimento médico é um valor precioso e o fundamento da prática médica. Não pode ser pago com salários indignos. O problema da gestão de pessoas na área de saúde, no caso em foco, do trabalho médico, não pode ser tratada de forma repressiva, autoritária e desonrosa. Pensamos que sempre resta uma tênue esperança de que o governante abra uma janela para a luz da razão e reflita sobre as consequências de seus atos, no futuro, no julgamento distante e frio da História.
Até agora Pernambuco, terra de tantas lutas pela Liberdade, tem dado a nós outros, médicos mineiros, uma lição das mais importantes. Uma lição de valentia e de unidade. Nós aqui, médicos do serviço público estadual, também oprimido por um governo que nos trata injustamente, só podemos olhar com admiração para esse magnífico exemplo. Uma verdadeira lição, dada por verdadeiros profissionais, em toda acepção da palavra.O Governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), dá provas de falta de vontade política de negociar com os sindicalistas médicos sobre a gravíssima situação da saúde pública em Pernambuco. Confirma a exoneração de médicos que estão pedindo demissão. Envia para a Assembléia um projeto que institui em Pernambuco o negócio das fundações públicas de direito privado e permite contratação precária de médicos. A atitude do Governador e a celeridade da Assembléia em ceder aos desejos do hóspede dopoder, desencadearam manifestos públicos patrocinados por sindicalistas e entidades da sociedade civil ( confira em https://faxsindical.wordpress.com/2008/08/29/crise-na-saude-pernambuco-um-retrato-da-crise-e-manifesto-de-apoio-da-fenam-ao-sindicato-e-aos-medicos-do-servico-publico-pernambucano/ -PE Médicos, sindicalistas e sociedade civil reagem a projeto privatista.https://faxsindical.wordpress.com/2008/08/29/crise-na-saude-pernambuco-um-retrato-da-crise-e-manifesto-de-apoio-da-fenam-ao-sindicato-e-aos-medicos-do-servico-publico-pernambucano/ ).

Fora isso o Governador de Pernambuco tenta contratar médicos em outros estados no intuito de esvaziar o movimento reivindicatório dos médicos pernambucanos. O Sindicato dos Médicos de Alagoas manifesta-se em solidariedade aos colegas do serviço público estadual de Pernambuco. (leia em http://jc.uol.com.br/blogs/blogjamildo/canais/noticias/2008/08/29/medicos_de_alagoas_pedem_boicote_a_convites_de_eduardo_para_saude_24730.php Sindicato de Alagoas solidariza-se com movimento médico. ). Aprofunda-se a crise. A atitude do governador apenas resume um grave preconceito contra a papel do profissional médico dentro do serviço público e permite avaliar uma atitude geral de má-vontade calculada quanto à gestão do sistema público de saúde. Para os mandatários do atual Governo estadual pernambucano, negociar uma política de gestão de pessoas aplicada aos médicos do serviço público parece um absurdo inconcebível.

Os médicos, por meio de seus sindicatos e de sua Federação Nacional construíram um norte para orientá-los quanto à questão salarial. É o piso salarial nacional defendido pela FENAM. Ele serve de norte para as negociações dos médicos trabalhadores do setor público e do setor privado.

Também são construídos consensos no movimento sindical médico (ou em grande parte dele), como nos sindicalismo brasileiro em geral. Um deles é pela democratização dos ambientes de trabalho, que no setor público foram tradicionalmente vitimados por políticos que quiseram usar a máquina pública em proveito de suas disputas eleitorais. A prática do clientelismo é opressiva para o trabalhador do setor público, que deve obrigação ao cidadão que ele serve e não ao político de plantão. Revela mentalidade tacanha de políticos que não pensam nas próximas gerações, mas apenas até a próxima eleição.

A luta contra o assédio moral e pelas convenções 151, que institui negociações sindicais no serviço público e convenção coletiva e 158, que coíbe demissões imotivadas estão dentro dessa perspectiva.

Pessoas como Eduardo Campos e os que compõem seu governo e o apóiam, revelam, nesses momentos, apenas atraso. Estão na verdade na contramão da história. Os médicos pernambucanos devem acreditar que sua luta e seu sacrifício nesse momento não será vão. Ficarão histórias emblemáticas na memória de todos. Os médicos do serviço público pernambucano estão fazendo história, enfrentando o atraso. Lutas assim fazem o mundo avançar e rebatem o atraso para suas verdadeiras dimensões mesquinhas.

O site da FENAM na página Portal da Fenam – página http://portal.fenam2.org.br/item/portalDetails/9213 -Movimento dos médicos em Pernambuco
Publicado em 29/08/2008 – Fonte: Imprensa Simepe informa sobre o desenvolvimento do movimento médico em Pernambuco, que envolve entidades médicas e até uma federação de cooperativas. Transcrevemos abaixo a notícia.

Pernambuco: governo demite 21 médicos da rede estadual

O Governo de Pernambuco exonerou 21 médicos da rede pública que haviam pedido demissão. A decisão foi publicada no Diário Oficial do Estado desta sexta-feira (29/08). Os médicos exonerados são das emergências dos Hospitais da Restauração, Getúlio Vargas e Otávio de Freitas. “São cirurgiões, da emergência e da eletiva”, alertou o presidente do Sindicato dos Médicos de Pernambuco, Antônio Jordão, durante entrevista ao programa Super Manhã, de Geraldo Freire, na Rádio Jornal.

“A situação vai ficar incontrolável e o Simepe não se responsabiliza pelo que vai acontecer a partir de agora. O governador Eduardo Campos terá sobre ele toda a responsabilidade de tudo o que acontecer nos hospitais. Com essa exoneração, o governador está decretando o fim do atendimento nas emergências”.

Questionado por Geraldo Freire sobre uma possível greve, o presidente do Simepe descartou essa possibilidade. “Os médicos não fazem greve há mais de 10 anos. Com os pedidos de demissão nós estamos tentando forçar uma negociação com o governo para melhorar as condições de trabalho e garantir o atendimento à população”.

Segundo o presidente do Simepe, essa decisão do Governo está unindo ainda mais a classe médica. “Quem ainda não havia pedido demissão está pedindo a partir de hoje. Os médicos estão ligando, se solidarizando com o movimento.” Cerca de 300 médicos já encaminharam aos hospitais e à secretaria de Saúde os seus pedidos de demissão.

Os médicos que ainda não foram exonerados, mas que já pediram demissão, também vão deixar seus postos de trabalho. “Essa foi uma decisão dos médicos durante as últimas assembléias da categoria. Os colegas entraram em acordo e resolveram, caso o estado exonerasse algum médico antes de negociar, que o restante também entregaria os cargos”, explicou Jordão.

Isso significa que a partir de agora as grandes emergências ficarão sem médicos para atender a demanda da população. “Significa também que a situação vai ficar incontrolável, mas se o governador fez isso é porque tem condições de encontrar novos médicos para ocupar as vagas que ficaram em aberto”, enfatizou Jordão.

“Os médicos estão conscientes porque, ao entregar a demissão, deram um prazo de 30 dias ao governo. Se o governo não negocia e exonera é porque tem condições de fazer a substituição dos profissionais”, destaca o secretário geral do Simepe Mário Jorge.

O movimento da classe médica não é exclusivo dos médicos. “Nós não estamos olhando somente para nós, para os médicos. O nosso compromisso é com o bem-estar social. A nossa preocupação maior écom os pacientes e com a sociedade”, assegura Jordão. O Simepe entrou com uma ação civil pública na justiça, pedindo a garantia do atendimento aos pacientes desassistidos e aos que precisam de leitos de UTI. De acordo com a decisão judicial, esses pacientes devem ser tratados nos hospitais particulares.

NEGOCIAÇÕES – Para o movimento médico, o governo está sendo intransigente ao insistir numa negociação com os médicos junto com os demais servidores que já negociaram e tiveram seu pleito atendido. Segundo Antônio Jordão, “há mais de 10 anos que os médicos negociam em separado e isso sempre ocorreu de forma tranqüila. Essa mesa, a qual o governo insiste que os médicos participem, atende todos os servidores que já negociaram. A finalização das negociações ocorre sempre fora da mesa. Porquê com os médicos vai ser diferente?”

A situação está tão preocupante, que os médicos falam até numa intervenção nacional em Pernambuco. “Não há nada que impeça que o Governo Federal intervenha aqui no nosso estado”, alertou Jordão.

REUNIÃO – No final da manhã desta sexta-feira, representantes do Simepe, Cremepe, AMPE, Fecem e sociedades de especialidades se reuniram, convocados pelo Simepe, para falar sobre o projeto que cria as fundações públicas de direito privado.Ao final do encontro, todas as sociedades de especialidades se comprometeram em reforçar o movimento dos médicos, em todas as suas reivindicações.

Os médicos têm uma nova Assembléia na próxima terça-feira (02.09), no auditório da Associação Médica de Pernambuco, na Praça Oswaldo Cruz, 396, Boa Vista.

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Comentários

  • Louisiana  On 12 -setembro- 2008 at 9:09 am

    REPÚDIO À AÇÃO DO GOVERNO FRENTE À CRISE DA SAÚDE

    RECONHECENDO O EVIDENTE DESCASO DA SECRETARIA ESTADUAL DE SAÚDE FRENTE À CRISE DO SETOR SAÚDE VENHO POR MEIO DESTA, COMO FISIOTERAPEUTRA E SANITARISTA, SOLIDARIZAR-ME COM A SITUAÇÃO DOS MÉDICOS DO ESTADO DE PERNAMBUCO E NOTIFICAR MINHA INDIGNAÇÃO COM A ATITUDE DO GOVERNO DO ESTADO DIANTE DA CRISE NO SETOR SAÚDE.

    HÁ POUCOS MINUTOS, TIVE A OPORTUNIDADE DE VER NO SAÚDE.PE.GOV QUE O GOVERNO DO ESTADO ESTÁ DISPOSTO A GASTAR MAIS DE 1,5 MILHÃO DE REAIS EM CONTRATAÇÃO DA REDE PRIVADA PARA “TENTAR” SUPRIR A NECESSIDADE DE SAÚDE DA POPULAÇÃO DO ESTADO.
    SERÁ QUE NÃO SERIA MAIS CORRETO E INTELIGENTE DA PARTE DOS SENHORES SECRETÁRIOS DAR AOS MÉDICOS O MERECIDO AUMENTO QUE ELES SOLICITAM? BASTA FAZER UMA VISITA AO HOSPITAL DA RESTAURAÇÃO PARA PERCEBER QUE ESTES E OS DEMAIS PROFISSIONAIS NÃO TÊM SEQUER UM QUARTO OU BANHEIRO DIGNOS DE USO, ONDE POSSAM ATENDER ÀS SUAS NECESSIDADES FISIOLÓGICAS BÁSICAS. SENDO ASSIM, ANTES DE JULGAR OS MÉDICOS ACUSANDO-OS DE “DESORDEM”, VEJAM TODO O AMOR QUE ELES DISPENSARAM EM PASSAR TODOS ESSES ANOS ATENDENDO EM CONDIÇÕES PRECÁRIAS E COM SALÁRIOS BAIXOS.
    SENDO ASSIM, FICA MEU ALERTA: É MELHOR NEGOCIAR, PIS A SITUAÇÃO TORNAR-SE-Á INSUSTENTÁVEL.

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