Apagão da Saúde:Greve na saúde pública em Natal.

O Sindicato dos Médicos do Rio Grande do Norte decidiu deflagrar greve, acatando decisão de Assembléia e após reunião de resultados insatisfatórios com o Secretário de Saúde do Estado. O movimento vai reforçar a greve já declarada pelo Sindicato dos servidores públicos estaduais da Saúde. Será feita notificação à Secretaria de Saúde com 72 horas de antecedência e trinta por cento dos médicos continuarão trabalhando para manter serviços essenciais. A coordenadora do Sindicato dos Servidores Públicos Estaduais de Saúde (SindSaúde RN), Sônia Godeiro, disse que o movimento continuará até que as pautas de reivindicações das duas categorias seja contemplada pelo Governo do Estado.

A reivindicação econômica conjunta é de reajuste de 23 % e a notícia poderá ser conferida em http://tinyurl.com/57dnajb .


Médicos decidem entrar em greve amanhã

Júnior Santos

SAÚDE - Sem acordo, os médicos e servidores de saúde decidiram em assembléia entrar em greve

23/10/2008 - Tribuna do Norte

A partir de amanhã, os médicos do Estado se juntam, oficialmente, ao movimento de greve, do qual já fazem parte os servidores da saúde. Apenas 30% dos médicos estarão atendendo os procedimentos de urgência e emergência. As duas categorias estão reivindicando reajuste salarial de 23%, melhores condições de trabalho e normalização do abastecimento de alimentos e material hospitalar. A decisão dos médicos foi anunciada na manhã de ontem, logo após uma reunião com o secretário George Antunes.

"Na noite de terça-feira realizamos uma assembléia com os médicos e decidimos deflagrar a greve, caso não houvesse avanço na reunião com a Sesap, o que se confirmou", disse o presidente do Sindicato dos Médicos, Geraldo Ferreira. Questionado sobre o porquê de decidir a greve, sem ter esgotado as opções de negociações, Geraldo Ferreira foi taxativo.

"Aprovamos o indicativo visto que precisamos comunicar a decisão da greve à Sesap com 72 horas de antecedência. Como já foi feito esse comunicado, a partir da sexta-feira, os médicos do Estado entram oficialmente em greve, por enquanto estamos fazendo a greve branca, mas na sexta-feira, os médicos, inclusive os do interior estarão em greve", disse.

De acordo com a diretora do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde do Rio Grande do Norte, Sônia Godeiro, a greve continua até que o governo atenda as reivindicações das duas categorias. "Não houve decisão, a Sesap depende do Gabinete Civil e da governadora Wilma para aprovar o reajuste de 23%. Com a palavra a governadora que até agora só tem negado nossas reivindicações", falou Sônia.

Na reunião, tanto o Sindmed como o Sindsaúde apresentaram propostas alternativas, mas que também não foram aceitas pela Sesap."A nossa contraproposta é a incorporação imediata de algumas gratificações, como a de alta complexidade, no valor de R$ 1.100, o que causaria, pelo menos, um ganho indireto para os servidores neste primeiro momento. O salário base aumentaria, incidindo assim sobre insalubridade e tempo de serviço", disse Geraldo Ferreira.

"Aceitamos que o Governo conceda o reajuste salarial de 23% apenas em 2009 com um novo orçamento, mas queremos que ele seja apresentado o mais rápido possível, bem como as outras reivindicações, como melhorias nas condições de trabalhos, sejam implantadas este ano. Tudo negativo não é viável para a categoria", disse Sônia Godeiro.

Durante a greve, o sindicatos garantem que serão cumpridos todos os requisitos legais. Os hospitais funcionarão com 30% do quadro para os atendimentos eletivos e de urgência. "Nossa intenção não é prejudicar o povo, tanto que lá no Walfredo Gurgel, por exemplo, dos três clínicos, apenas um estará atendendo os casos de urgência, mas os outros dois estarão no hospital para o caso de uma urgência maior. Vamos garantir que os riscos de morte e as seqüelas não acontecerão", disse Geraldo Ferreira.

Secretário acha difícil a aprovação

A aprovação dessas reivindicações depende da governadora e do gabinete civil, mas o secretário ainda não conseguiu o contato. Mas George Antunes antecipou que acha difícil ser aprovado qualquer tipo de reajuste salarial este ano. "Duvido que exista orçamento suficiente para aumentar os gastos com pagamento. Hoje a nossa folha salarial é de cerca de R$30 milhões por mês. Já estamos no limite prudencial e não temos como ter mais aumento", disse o secretário.

De acordo com informações da assessoria de imprensa da Sesap, quase 40% do orçamento da secretaria é destinado ao pagamento de pessoal. Em 2008, a secretaria recebeu do Estado R$913.596 milhões, o que corresponde a cerca de R$76 milhões mês. Desse valor, R$30 milhões é destinado à folha de pagamento. Em 2007, o orçamento da Sesap foi de R$912.983 milhões /ano. E o gasto com pessoal era de R$21 milhões/mês. "Ou seja, em um ano aumentamos em quase R$10 milhões o valor da nossa folha de pagamento, enquanto que o orçamento da Sesap permaneceu praticamente o mesmo", disse George Antunes

A proposta do secretário é de revogar a atual lei de produtividade, criando uma outra de maneira que os médicos recebam um prêmio de produtividade de acordo com os procedimentos realizados dentro da jornada normal de trabalho. O que segundo ele, daria um ganho de 100% no salário dos médicos. "A proposta do governo destina cerca de R$ 3 milhões a mais na folha salarial dos médicos, que poderão, inclusive, dobrar os seus vencimentos", disse.

O governo ainda garante, que até 31 de dezembro será cumprido o acordo com o Ministério Público Estadual (MPE) para a contratação dos 1.010 profissionais que recentemente fizeram concurso público, dos quais, quinhentos vão substituir os profissionais contratados para a prestação de serviços terceirizados.

Questionado sobre o desbastecimento dos hospitais da rede estadual, o secretário informou que os contratos de abastecimento estão sendo regularizados. "Os hospitais estão recebendo os medicamentos, alimentos e os materiais, algumas coisas pontuais ainda podem estar faltando, mas o abastecimento está normalizado. Esse desabastecimento aconteceu porque quando assumimos a pasta, muitos desses contratos estavam sendo encerrados, mas volto a dizer que está tudo regularizado e dentro de poucos dias voltará ao normal", garantiu o secretário.

Servidores denunciam descaso

Na manhã de ontem os servidores da saúde se reuniram novamente para protestar contra o que eles chamam de descaso da Sesap. Dessa vez o protesto aconteceu nos hospitais Santa Catarina e Maria Alice Fernandes, ambos na zona Norte de Natal.

"Já estamos há dois anos sem reajuste salarial. Servidores do nível I da Sesap recebem um salário base de R$350,00, isso é inadmissível. Tem também o Plano de Cargos e Salários que foi implantado em 2006 , mas não implementado. Sem contar na defasagem de pessoal", disse a diretora de comunicação do Sindsaúde, Simone Dutra.

De acordo com Sônia Godeiro, o movimento de greve está fortalecido, inclusive no interior. "Os servidores de Mossoró, Pau dos Ferros, Caicó, Currais Novos e outras cidades do Seridó aderiram ao movimento. A expectativa é que com o passar dos dias os outros municípios também se juntem", disse.

De acordo com informações da assessoria de imprensa da Sesap, durante as mobilizações, representantes do comando de greve do Sindsaúde estariam impedindo os funcionários de entrarem nos hospitais e conseqüentemente prejudicando o atendimento dos pacientes.

"Na tarde de terça-feira (21), o pessoal do sindicato tentou impedir o atendimento dos pacientes. Eles diziam que não havia funcionário, mas nós tínhamos funcionários trabalhando. Entendo que é um direito de todo servidor lutar por melhores salários, o que não podemos aceitar é que isso interfira na escolha desses servidores. Se alguns querem trabalhar, que eles também respeitem", disse a diretora do Hospital Giselda Trigueiro, Milena Martins

O mesmo teria acontecido na sede da Sesap, também na terça-feira. Onde muitas pessoas não conseguiram entregar por algumas horas documentos no protocolo do prédio, que fica na avenida Deodoro, onde funcionou o INSS.

Ao ser questionada sobre esse problema, Sônia Godeiro afirmou desconhecer esses atos. "Não sei de nenhum piquete realizado por nosso pessoal aqui em Natal, soube apenas de um conflito em Caicó, mas vamos conversar com os grevistas porque não admitimos esse tipo de coisa", disse.

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Trackbacks

  • Por Geraldo_Sette no diHITT em 23 -outubro- 2008 às 10:47 pm

    Apagão da Saúde: Saúde pública em greve em Natal….

    O Sindicato dos Médicos e o Sindicato dos Servidores Públicos Estaduais da Saúde fazem uma greve conjunta no Rio Grande do Norte. Protestam contra as condições precárias de atendimento e solicitam salários dignos e respeito dentro do serviço p…

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