Fato: Um estudo evidencia os males da terceirização

Quando a terceirização tem sido usada de maneira extensa e abusiva para contratação de pessoal, inclusive médicos, no serviço público de saúde, um estudo sistemático e científico demonstra os danos da terceirização ao trabalho decente, às relações de trabalho e à saúde do trabalhador.

No caso do serviço público, especialmente atividades fim em estabelecimentos públicos de saúde, ainda existe o agravante de destruir o certame público como forma de acesso ao serviço público, rasgando a Constituição.

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Terceirização impede a geração de mais vagas de trabalho, impõe salários mais baixos e aumenta o número de acidentes e mortes

03/10/2011

Estas são algumas conclusões de pesquisa que a CUT divulga nesta segunda, dia 13

Escrito por: CUT Nacional

 

O presidente nacional da CUT, Artur Henrique, concedeu entrevista coletiva no início da tarde desta segunda-feira (03), para anunciar a posição da CUT em relação às terceirizações no país.

Nesta terça, haverá uma audiência no TST em Brasília, que reunirá as centrais sindicais, trabalhadores e empresas, na qual será entregue um dossiê contendo importantes informações baseadas em pesquisas feitas pelo Dieese, PED e dados fornecidos pelos sindicatos.

Artur afirmou que quando se fala em terceirização, não é mais possível admitirmos o quadro atual. Não é aceitável compactuarmos com o modelo de terceirização adotado por empresas visando lucro e promovendo a precarização do trabalho. É ruim para os trabalhadores/as, ruim para as empresas e ruim para o governo.

O líder cutista lembrou que há um projeto do deputado federal Vicentinho (PT-SP) que prevê fiscalização prévia das empresas ás suas contratadas. Ele citou casos como o de Jirau e Santo Antonio e, mais recentemente, da grife Zara, empresa que mantinha contratos com fornecedores que promoviam condições de trabalho análogo ao de escravos. Artur considera que é também de responsabilidade da empresa que contrata suas terceirizadas, as condições dignas de trabalho.

O fato ocorre porque as empresas tratam a terceirização como medida administrativa, simplesmente, sem ouvir sindicatos sobre as consequências dessa forma de contratação que, nos moldes atuais, provoca um impacto negativo muito grande na vida dos trabalhadores.

O estudo apresentado à imprensa contém outros dados como a geração de empregos. Mais de 800 mil postos de trabalho não foram criados, graças à terceirização. O sistema também aumenta a rotatividade da mão-de-obra, reduz significativamente salários (terceirizados ganham, em média, 27% a menos), calotes como o não pagamento de indenização a trabalhadores no caso de interrupção de atividades, além de prejuízos à saúde e segurança. Em cada dez casos de acidente do trabalho ocorridos no país, oito são registrados em empresas terceirizadas.

 

A seguir, destacamos alguns pontos que fazem parte da pesquisa que a CUT apresenta sobre terceirização. Esta pesquisa, feita com base em dados da RAIS (Relação Anual de Informações Sociais), da PED (Pesquisa de Emprego e Desemprego) e em informações colhidas por nossos sindicatos, servirá como base para a intervenção que a CUT fará nos próximos dias 4 e 5 na audiência pública que o TST realiza sobre o tema, em Brasília.

Os dados foram apresentados à imprensa no início da tarde desta segunda, dia 3.

 

Geração de empregos

Ao contrário do que convencionou dizer, a terceirização não gera mais empregos que as contratações diretas. Os terceirizados têm jornada semanal superior aos demais – são três horas a mais, em média, sem considerar as horas extras. Por causa disso, realizam tarefas que, sem a jornada estafante, exigiriam novas contratações.

 

Segundo o Dieese, com base em dados da RAIS, deixaram de ser criadas mais de 800 mil novas vagas de trabalho em 2010 por causa das terceirizações.

 

Salários

Em dezembro de 2010 (dados mais recentes) o salário dos terceirizados era 27,1% menor que os salários de contratados diretos que realizam a mesma função (ver tabela 2, página 7).

 

A terceirização aumenta a rotatividade da mão de obra no mercado de trabalho.

Enquanto a permanência no trabalho direto é, em média, de 5,8 anos numa mesma empresa empregadora, no trabalho terceirizado é de 2,6 anos. Esses dados ajudam a explicar porque 44,9% de todos os terceirizados saíram do emprego entre janeiro e agosto de 2010, enquanto 22% dos diretamente contratados passaram pela mesma situação. Essa diferença puxa todo o mercado para baixo, trazendo a média geral da rotatividade para 27,8% (ver gráfico 1, página 7, do estudo completo, que pode ser acessado logo abaixo).

 

Os salários dos terceirizados é menor porque eles trabalham em empresas pequenas?

Esse argumento é falso. 53,4% dos terceirizados trabalham em empresas com mais de 100 funcionários. Já 56,1% dos contratados diretos trabalham em empresas de mesmo porte. Os percentuais, bastante próximos, não autorizam essa conclusão (ver tabela 8, página 11).

      

Os salários dos terceirizados é menor porque eles têm escolaridade mais baixa?

61% dos trabalhadores em setores tipicamente terceirizados têm ensino médio e superior. Entre os trabalhadores de setores tipicamente diretos, a percentagem é de 75%. O hiato não é grande o suficiente para validar o argumento (ver tabela 9, pagina 12).

 

É comum empresas terceirizadas interromperem suas atividades e não pagar indenização aos funcionários.

mplo na página 13.

 

Mortes e acidentes no trabalho

Em cada dez casos de acidente do trabalho ocorridos no Brasil, oito são registrados em empresas terceirizadas. Em casos de morte por acidente, quatro em cada cinco vitimam trabalhadores terceirizados.

A matéria e outros links odem ser vistos em
http://www.cut.org.br/destaques/21307/terceirizacao-impede-a-geracao-de-mais-vagas-de-trabalho-impoe-salarios-mais-baixos-e-aumenta-o-numero-de-acidentes-e-mortes

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Comentários

  • Jorge Barbosa  On 17 -novembro- 2014 at 1:21 pm

    SENZALAS MODERNAS
    POR; JORGE A. BARBOSA.

    1. O Brasil, pais onde a mão de obra escrava fez parte de todo contesto de sua historia, mesmo após tantos anos de abolição da escravatura, o século XXI é onde se mais ver o Update das senzalas que por sua vez se modernizaram, em uma versão mais cruel e sutil dos métodos escravistas contra o cidadão de menor poder aquisitivo, ou em termos mais populares, de menor poder de compra.
    2. No pais onde se consumia a mão de obra escrava em longa escala, com a atualização do sistema, o requisito do processo escravista não é a cor, e sim a classe social, brancos e negros são escravos e tem que aceitar conforme suas próprias necessidades, a crueldade dos açoites e desumanização dos feitores que cresce de forma assustadora, um sistema montado totalmente a serviço dos senhores feudal.
    3. Homens, mulheres e jovens, especialmente aqueles que por varais razões submetem-se aos chamados subempregos, são legalmente trazidos para os céus das senzalas, hoje não mais sujas, com aparecia degradante atualizaram-se para uma forma que passam ate despercebidas diante especialmente das leis que supostamente protege ao trabalhador Brasileiro, no atual século XXI as senzalas tem nomes de fantasias e ate CGC, e em vez do calabouço escuro, localizam-se legalmente nas principais avenidas das grandes cidades descaracterizadas de sua forma real, hoje, chamadas de empresas terceirizadas com especialização em diversas categorias e modalidades da mão de obra escrava.
    4. Os seus subordinados ou colaboradores como geralmente o chamam no intuído de esconderem a realidade dos fatos, são submetidos as mais diversas formas de procedimentos trazidos da cultura escravista, os escravos modernos, ou trabalhadores terceirizados não podem faltar ao trabalho, mesmo que por razões legais a exemplo de doença familiar, nem mesmo em casos extremos de doença pessoal, recebem carteirinhas de planos de saúde geralmente os mais simples do mercado, mais não podem usar, porque uma falta mesmo que justificada em alguns casos, os leva a serem submetidos as inúmeras formas de punições, desde o corte indevido de seus abonos, que já são mínimos em tudo, ate documentos que os arremete a tortura psíquica emocional, fazendo em muitos casos desistirem do trabalho, abandonando direitos básicos já adquiridos, preferem a carta de euforia ao vez do gotejo das migalhas recebidas nas senzalas das empresas.
    5. O cruel sistema escravista submete aos seus escravos a tantas formas cruéis de tortura que se fossemos numerar, poderíamos achar que estamos falando de um campo de concentração nazista, pessoas submetidas e forcadas a cumprirem desde uma carga horária desumana e excessiva, ate terem que se locomover a distancias inadmissíveis para prestarem seus serviços, e que em muitos casos nestes locais de trabalho, ainda tem que conviverem com a precariedade das condições humanas de trabalho.
    6. Postos de serviços que a única água que disponha para beber e a água da torneira, em alguns casos nem mesmo micro-ondas ou qualquer outra forma para esquentar o alimento que viajam nas bolsas por longas distancias, ficando em muitos casos com a qualidade destes alimentos bastante comprometidas.
    7. Os serviçais escravos do sistema são oprimidos quase sempre pela necessidade, vivem das migalhas de alimentos e sonhos que resistem as lutas, enquanto isso, os senhores feudais ganham fortunas negociando números humanos, chamados de RE, que estão á seu dispor, pagam salários de fome, enquanto ganham muito negociando o serviço do contingente acoitados nos operacionais das senzalas, trabalhadores que em muitos casos o único direto que possuem é de baixar a cabeça e ouvir os estalos do chicote, matam a esperança do trabalhador de que um dia poderão viver com mais dignidade junto aos seus familiares, sonegam-lhes direitos básicos de sobrevivência.
    8. Os métodos desumanos de lidarem com o trabalhador (a) termina em muitos casos causando-lhes danos muito mais sérios que apenas danos material, tira-lhe o direito de acreditar, rouba do assalariado não apenas os projetos de uma vida mais digna junto aos seus, mais á qualquer um que lhe falte o direito de comer, vestir, e morar dignamente, faltará o essencial desejos de participar ativamente da sociedade em que faz parte.
    9. Retiram o direito de questionamento legal, e quando um trabalhador resolve cobrar, apertam-lhes os laços no pescoço perseguem ate que o escravo se renda sabendo ele que o sistema esta pronto e protegido e blindado, enquanto o serviçal nenhuma proteção ou garantia há, sem ter por quem gritar no meio da dor chega a triste conclusão que ate os sindicatos que pelo menos em tese deveriam garanti-lo seus respectivos diretos, servem unicamente para assegurar ao patrão a legalidade dos métodos cruéis da escravidão (legalizada).
    10. A terceirização dos serviços de qualquer natureza destrói a garantia de que em algum momento possa existir no Brasil, um marcado de trabalho humanizado, e inverte os fatores, quem trabalha passa fome e em muitos casos nem tem onde morar, enquanto quem vende o produto humano assim como no passado, trabalha pouco e come muito, vivem com as regalias promovidas pelo suor daqueles que gritam no silencioso e desumano calabouço dos escravos que diariamente são açoitados nas luxuosas senzalas do século XXI chamada de empresa Terceirizadas de serviços.

    REFLEXÃO

    A Diferença entre Funcionário e Colaborador

    Antigamente todas as pessoas que prestavam serviço para alguma empresa eram chamadas de empregados e a empresa era chamada de firma por esses empregados.
    Embora esses termos continuem a ser aplicado, sabemos que a freqüência com que são usados é bem menor.

    Outro termo muito utilizado até hoje é o denominado “funcionário”, que gradualmente vem substituindo o antigo “empregado”. Como se não bastasse somente esses de uns tempos para cá se convencionou alterar o termo de “funcionário” para colaborador.

    O que se pode entender por colaborador? Significa aquele que ajuda, ampara, facilita algo ou alguém para se atingir determinado objetivo, ou seja, é aquela pessoa importante que sempre buscar agregar de alguma maneira.

    As empresas passaram a chamar todos aqueles que trabalham para ela de colaboradores, pois, de fato é uma palavra mais bonita, chamativa e ainda transmite a impressão de que há um relacionamento próximo entre as partes, de que um confia no outro, enfim, serve para elevar o moral da pessoa e também para ficar de acordo com os parâmetros estabelecidos pelo mercado.

    Será que todos são de fatos colaboradores, ou será que alguns se disfarçam de colaboradores, mas no fundo são simples funcionários?

    Pela realidade dos fatos e o comportamento dos senhores feudais e seus feitores estamos a quilômetros de distancia de sermos de fato um colaborador(a), na realidade pelo tratamento que MUITOS DESTES RECEBEM E TORNAM-SE menos que um empregado, o nome talvez que melhor se enquadraria seria na verdade, cervicais, miserável recrutas no contingentes das senzalas, disfarçadas e chamas de operacional , diariamente açoitados e diminuídos por aqueles que por alguma razão assumem posições de destaques em setores de comando das empresas.

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