Arquivos da Categoria: Governo do Estado do Pará

Médicos se sacrificam enquanto aguardam reconhecimento no serviço público.

13/12/2009 – 12:41
Apenas um médico plantonista para atender o hospital do Conjunto Ceará

A falta de médicos no setor de emergência do Hospital Nossa Senhora da Conceição, no bairro Conjunto Ceará, em Fortaleza, voltou a gerar reclamações de pacientes e acompanhantes neste fim de semana. Apenas um clínico geral atendeu a grande demanda.

A manhã foi de muito sufoco para o único médico plantonista e para quem esperava atendimento. Do lado de fora, a indignação dos acompanhantes como Maria Luana, de 69 anos, que acompanhava o marido no hospital. O estado dele épreocupante, mesmo depois de quatro horas de espera, o marido continuava esperando atendimento na emergência.

Médico e administração do hospital reconhecem o problema

A administração do hospital reconhece o problema. O único clínico geral de plantão na emergência e na unidade de terapia de urgência era o doutor Luiz Carlos que fez uma espécie de mutirão. O médico confirma que a falta de profissionais é um problema recorrente no hospital do Conjunto Ceará.

Concurso: 178 vagas de médicos preenchidas

De acordo com a assessoria de comunicação da Secretaria de Saúde de Fortaleza, os médicos que fizeram o concurso público realizado em 2008 já foram chamados. As 178 vagas foram preenchidas. Para atender àdemanda existente, a secretaria pretende, no início de 2010, convocar os médicos que integram a lista dos classificáveis, mas isso depende ainda da votação da Câmara de Vereadores para a criação dos novos cargos.

http://verdesmares.globo.com/v3/canais/noticias.asp?codigo=278188&modulo=178

Uma jornada de até 20 horas por dia
Médicos se desdobram em plantões para aumentar a remuneração
Renata Tavares
Repórter
Jornal Correio de Uberlândia
Atualizada: 13/12/2009 – 18h06min

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Desdobrar-se, esticar a agenda, atender mais de 20 pacientes por dia e trabalhar cerca de 20 horas diárias. É esta a realidade vivida pela maioria dos médicos de Uberlândia, segundo o Sindicato dos Médicos de Minas Gerais (SMMG). O cenário da profissão não era o que eles esperavam quando estavam na faculdade.

Residente em clínica médica, o recém-formado Marcelo Mendonça cumpre o segundo ano da especialização e conta que trabalha mais de 15 horas por dia em dois empregos. O horário de trabalho é relativo. São obrigatoriamente 60 horas semanais, porém quando se tem outro emprego, essa carga horária chega a dobrar. Quando estou de plantão chego a fazer 36 horas corridas, disse.

O motivo para tanto trabalho, segundo o médico especialista em clínica-geral Luiz Henrique Guerreiro Vidigal, está na tentativa de garantir uma boa remuneração, já que o piso salarial, segundo ele, é baixo. Infelizmente hoje a remuneração do médico não é como era antes. Hoje há muitos convênios, que diminuem o rendimento.

Além de dar aulas na Universidade Federal de Uberlândia, o médico tem consultório em dois hospitais e assume a gerência de um deles. Estou há 10 anos na profissão e sempre tive de trabalhar muito para conquistar uma remuneração que garantisse qualidade de vida para minha família.

A tripla jornada, segundo os cinco médicos entrevistados pela reportagem do CORREIO de Uberlândia, é considerada uma prática comum na dentro da profissão. Porém, de acordo com o psiquiatra José Sardella, se o profissional não estabelecer limites, pode chegar a um nível de estresse alto, que pode levar ao desgaste físico e emocional. Muitos casos são irreversíveis, disse.

O psiquiatra ressalta que para qualquer tipo de profissional é importante manter uma qualidade de vida saudável, com pelo menos 8 horas de sono por dia. É importante ele manter essa higiene do sono, para que descanse e não sofra desgastes mentais.

Até 48 pacientes na agenda

Quem também estica a agenda é o cirurgião plástico Joaquim Lima Junior. Falar com ele foi verdadeiramente um desafio. O cirurgião, que só pode atender uma semana após o primeiro contato, atende mais de 40 pacientes por dia. A maioria dos atendimentos é retorno cirúrgico.

A agenda do profissional só tem vaga para agosto de 2010 e ele chega a trabalhar mais de 15 horas por dia. Faz mais de 15 anos que não almoço em casa. Dependendo do dia, chego a fazer três cirurgias, disse.

O motivo para tanta dedicação, segundo ele, é o amor pela profissão. O médico conta que não tem problemas para dormir e procura se alimentar da melhor forma possível. Geralmente começo às 7h e vou até 22h. Nesse espaço procuro comer algo saudável para não comprometer a saúde.

Profissionais reduzem carga
Paulo Augusto

Waldely de Paula vai mudar a rotina para se dedicar mais à filha, Marina, de 14 anos

Vida de médico não é normal. Foi assim que a ginecologista e obstetra Waldely de Paula iniciou a entrevista. Segundo a médica – que é sócia-proprietária de uma clínica de reprodução humana e realiza diariamente duas cirurgias, em média, além de atender pacientes no consultório -, no início da carreira, ela torcia para que a agenda ficasse lotada. Hoje, com 25 pacientes por dia, ela tenta reduzir o trabalho. Adoro atender, mas a sobrecarga está pesando, pelo fato de eu acordar às 6h e trabalhar até as 21h.

Há 25 anos na atividade, Waldely revelou que, no próximo ano, pretende renunciar à obstetrícia (que estuda a reprodução da mulher, a gravidez e o parto). O motivo, segundo ela, é a falta de tempo. Pretendo me dedicar mais àminha filha. É hora de reformular o que quero da minha vida, disse.

Essa não será a primeira renúncia da ginecologista. Ela foi professora na Universidade Federal de Uberlândia (UFU) por 15 anos e recentemente deixou as aulas. Gostava muito de dar aula, mas tive de fazer uma escolha, justamente porque me deixava sem tempo.

Família precisa compreender

A correria do cotidiano, muitas vezes, não permite que o profissional desfrute com a família de momentos corriqueiros, como o almoço, o café, o jantar ou até mesmo assistir a um filme no meio da semana, por isso, segundo a mulher do clínico-geral Luiz Henrique Guerreiro Vidigal, a nutricionista Daniela Name Chaul, é preciso ter paciência. Nem sempre temos tempo para o lazer e sempre me adapto aos horários dele.

O ortopedista Leandro Gomide, formado há 11 anos, trabalha como assistente na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), atende em um hospital especializado e realiza plantões esporadicamente. Segundo ele, quase todos os meses adia um compromisso por ter emergências no hospital.

O residente Marcelo Mendonça diz que abre mão de momentos de lazer, como festas e reuniões familiares por causa do trabalho. Às vezes, a família reclama, mas eles entendem que estou no início da careira e preciso trabalhar para conseguir realizar meus sonhos.

Com a ginecologista Waldely de Paula não é diferente. Segundo ela, por muitas vezes, precisou cancelar viagens programadas para fins de semana por causa dos partos.

Segundo o cirurgião plástico Joaquim Lima, que é casado há 20 anos e tem 4 filhos, o tempo para a família é reservado somente para o fim de semana. A gente sempre aproveita o pouco tempo que tem no sábado àtarde ou no domingo. A família acaba se acostumando com essa falta de tempo.

Saúde pode ser prejudicada

Acumular o sono para o fim de semana, comer um salgado e tomar um refrigerante em vez de almoçar corretamente, e não ter tempo para fazer exercícios físicos. Este estilo de vida, embora seja condenado pelos médicos, éadotado por muitos deles.

O residente Marcelo Mendonça ressalta que chega a dormir menos de seis horas por dia durante a semana. Ele ainda revela que o sono é deixado para os dias de folga. O que não recomendamos aos outros fazemos com frequência, disse.

O mínimo que não se deve fazer, segundo o médico Luiz Henrique Guerreiro Vidigal, é fumar e beber, além de se alimentar bem e nos horários certos. Porém, segundo ele, comer a cada três horas, como ele mesmo recomenda, écomplicado. Eu tomo café, almoço direito, mas não consigo comer no período da tarde. Deixo para comer quando chego à minha casa, já por volta das 21h, disse. Já a prática de exercício físico, o residente e o médico abandonaram por falta de tempo.

Quem também deixou de lado os exercícios físicos foi a ginecologista Waldely de Paula. Segundo ela, no último semestre foi difícil realizar a sagrada musculação. A gente sempre orienta, mas nem sempre é possível fazer. Pretendo retomar no próximo ano.

Jornada extensa não é ilegal

Trabalhar até 80 horas semanais, segundo o presidente do Sindicato dos Médicos de Minas Gerais, Cristiano da Mata Machado, não é ilegal, uma vez que a maioria dos profissionais é autônoma. Muitas vezes, ele tem consultório, mas atende em outros estabelecimentos e em cada um deles cumpre a jornada de 20 horas [determinada por lei].
De acordo com o presidente do SMMG há uma luta perante o Senado para a adequação da jornada de trabalho e também para o reajuste do piso salarial, que hoje não tem valor determinado, para R$ 8.239. Temos debatido muito essa questão, porque se melhora a remuneração, melhora o atendimento ao público, disse.

Salários

Segundo o Sindicato dos Médicos de Minas Gerais, os salários são determinados pelos próprios hospitais, porém hoje os médicos, em grande maioria, são conveniados, o que, de certa forma, reduz o rendimento. Os convênios pagam em média R$ 30 por consulta. Então o médico precisa se desdobrar para ter um rendimento salarial razoável, disse.
O ortopedista Leandro Gomide reclama da baixa remuneração. Segundo ele, por este motivo, o médico tem atendido mais pessoas em menos tempo por consulta. Estamos deixando de ter um relacionamento próximo com o paciente para ter uma consulta mais rápida e objetiva, para caber mais na agenda, justamente porque o valor pago pela consulta é baixo.

Saúde pode ser prejudicada

A ansiedade, depressão, insônia, desgaste mental, distúrbios alimentares e dependências químicas, segundo o psiquiatra José Sardella são as principais doenças diagnosticadas nos médicos devido ao trabalho excessivo. Muitas vezes, a pessoa chega a um quadro irreversível.

Segundo o psiquiatra é importante que os médicos, assim como todos os profissionais de todas as áreas, mantenham hábitos saudáveis, como dormir bem. Para isso, o psiquiatra dá a dica: Vápara a cama assim que sentir sono, isso proporcionará que você durma tranquilamente.

O profissional que não cuida da saúde, segundo o psiquiatra, compromete além da dele a do paciente também. Quanto mais comprometido está, mais atenciosa a pessoa tem de ficar. O homem é falho, mas com toda essa agitação a probabilidade de falhas aumenta.

http://www.correiodeuberlandia.com.br/texto/2009/12/13/42283/uma_jornada_de_ate_20_horas_por_dia.html

Sindicato dos Médicos e Governo do Estado assinam acordo no Pará.

A Santa Casa de Belém do Pará foi palco de recente morticínio de crianças que teve repercussão nacional e internacional. Depois disso, os médicos fizeram uma greve, para denunciar as deficiências gravíssimas de gestão daquela fundação. Em especial (como costuma acontecer na saúde) na área de recursos humanos.

O Governo do Estado cedeu em alguns pontos e firmou acordo com o Sindicato dos Médicos do Pará.

A notícia foi publicada pelo próprio governo estadual e está na página http://www.agenciapara.com.br/exibe_noticias.asp?id_ver=33367 .

O acordo está previsto para ser assinado 10 de outubro e contém algumas respostas para a greve dos médicos que durou de 25 de agosto a 04 de setembro deste ano. A assinatura será no auditório da Santa Casa de Belém, na presença de representantes do Governo Estadual, da Santa Casa e do Sindicato dos Médicos.

Entre os ítens abrangidos pelo acordo estão:

1- a constituição de uma mesa permanente de negociações e questões relativas ao reajuste de salários dos médicos por meio da revisão e pagamento de possíveis plantões pendentes;

3-pagamento de gratificação de tempo integral para médicos tocoginecologistas, pediatras, neonatologistas e anestesiologistas (até que seja efetivado o pagamento de risco de vida aos que tem direito).

O acordo também prevê o pagamento de remuneração pela atividade de preceptoria (aos profissionais que acompanham acadêmicos e residentes), reajuste da gratificação de desempenho institucional (GDI) de 30% para 35% para todos os profissionais da Fundação, estudo para detectar possíveis distorções no pagamento de vale-transporte, pagamento de insalubridade e de risco de vida (mediante laudo), além de estudos para avaliar o pagamento de urgência e emergência, a instituição de auxílio alimentação de 100 reais e inclusão do sindicato dos médicos na comissão que discute o plano de cargos, carreiras e salários.

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APAGÃO DA SAÚDE: MAIS UM RETRATO DA CRISE – BRASIL – PARÁ – INICIA A GREVE NA SANTA CASA DE BELÉM.

APAGÃO NA SAÚDE: GREVE NA SANTA CASA DE BELÉM.


Recentemente a Santa Casa de Belém ficou tristemente famosa, com destaque no noticiário nacional e internacional, pela mortandade de bebês. Apesar de, aparentemente, esse episódio ter causado pouco impacto no Governo Federal, foi muito discutido na ocasião e continua sobrevivendo na memória das coisas tristes para muitas pessoas. De lá para cá pouco mudou quanto ao financiamento e a gestão dos negócios públicos da Saúde. E, ao que parece, muito pouco mudou na Santa Casa de Belém.


O blog do Dr. Waldir Cardoso (link e transcrição abaixo) nos informa do início da greve. Nos ensina que greve não se inicia dentro do sindicato, mas só a partir do momento que os profissionais de uma unidade chegam ao seu limite e têm disposição para o enfrentamento. Relata o assédio contra os grevistas: ameaças feitas por um magnate ligado à casa civil do governo Ana Júlia. Uma leitura que vale a pena.

Começa a greve na Santa Casa « Waldir Cardoso – link para o blog do Dr. Waldir Cardoso.

Começa a greve na Santa Casa
Postado no Agosto 25, 2008 de waldircardoso

A greve dos médicos da Santa Casa começa forte. Os médicos estão determinados. A preparação foi longa e confesso que temi o esvaziamento do movimento. Ao contrário dos incautos e dos comentários levianos daqueles que conhecem o movimento sindical, uma greve não pode ser criada dentro da entidade sindical. Ela depende do ânimo dos trabalhadores envolvidos. Nesta época eleitoral não são poucos os críticos do SINDMEPA que nos acusam de não ter realizado movimento de greve no HPSM da 14. Simples. Os médicos do hospital ainda não chegaram ao seu limite. E o limite ninguem sabe qual é. Eu gostaria de ter a fómula da greve. Só que ela não existe.

O governo estadual, através de um magnate da Casa Civil, já ameaçou demitir todos os médicos concursados que estão em estágio probatório e cortar os plantões extras dos médicos da maternidade. É risível. Aliás os médicos só faltaram gargalhar das ameaças. Primeiro porque acabar com os plantões extras é um dos objetivos da greve. Segundo porque praticamente todos os médicos da maternidade e a maioria dos da neonatologia estão no período probatório. Vão demitir todos?

A notícia ruim para o governo é que os demais trabalhadores estão se organizando para aderir à greve dos médicos. Eles têm assembléia geral hoje, segundo informações da companheira Neide, do SINTSEP.

São 15:05 e a reunião que ocorre no Ministério Público entre a SESPA, Sindicato dos Médicos e Promotoria de Justiça ainda não acabou. O MP, tardiamente, tenta um acordo que me parece imposssível. Aliás, o MP está pródigo em omissão, no passado recente. Deixou o “circo pegar fogo” para tentar a mediação. Como o governo não cede sem greve, o MP ficará contra nós e ingressará na justiça pedindo a ilegalidade do movimento. A justiça concederá a liminar em tempo recorde e, como sempre, sem ouvir os grevistas. Este filme já passou várias vezes. Por isso já estamos preparados.

O início de incendio no berçário da Santa Casa causado por curto circuito em um ar condicionado mostra bem a situação de abandono em que se encontra o hospital. E o risco de trabalhar lá.

Nota triste desta situação toda posso constatar em minhas andanças do momento. Há um medo generalizado das grávidas em realizar seu parto na Santa Casa. Tenho feito, sistematicamente, a pergunta “Onde você vai ter o seu bebê?” às grávidas que encontro na periferia na periferia de Belém. A resposta, em geral, é: “não sei. Menos na Santa Casa”.

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