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Partido político entra em campanha eleitoral atacando Medicina

Vergonhosa a atitude de lideranças do PT que, animadas por pesquisa de opinião que considera o apoio da opinião pública ao projeto da bolsa governista, resolvem “partir para o ataque” contra a classe médica. Alvo desses ataques tem sido os Conselhos Regionais de Medicina.

A manifestação guarda uma relação inequívoca com a candidatura de Alexandre Padilha ao governo de São Paulo. Montado em uma pasta que administra serviços públicos de má qualidade e sucateados, o ministro tenta reverter a situação tranformando médicos em bodes expiatórios do fracasso do governo. Essa manobra se dá por meio do marketing do “Mais Médicos” e encontra acolhida no PT paulista, preocupado com as eleições que vêm aí.

Padilha foi alvo de questionamento da AMB – Associação Médica Brasileira, por sua incompetência em gerir os recursos públicos da saúde. (Confira em http://www.sbpc.org.br/?C=2172 ).

A entidade quer entender os motivos de o Ministério da Saúde ter deixado de investir R$ 17 bilhões. “Em 2012, sobraram R$ 9,01 bilhões de créditos não utilizados. Historicamente, 2% a 3% não são investidos em projetos devido à morosidade e burocracia da máquina pública, mas 9,64% do orçamento aprovado é inaceitável. Do total empenhado, R$ 8,3 bilhões foram inscritos em restos a pagar não processados, porém o Tribunal de Contas da União não sabe onde estão essas contas ou se elas existem”, afirmou Cardoso.

No ano passado, a União empenhou recursos suficientes para dar cumprimento à regra de aplicação mínima no setor. “Como pedir mais dinheiro para financiar a Saúde diante desses valores absurdos? Reconhecemos que faltam investimentos, mas o que está disponível nem foi utilizado. Parece que a saúde é prioridade apenas durante as campanhas eleitorais”, declarou o presidente da AMB.”

Agora, como aproxima-se a campanha eleitoral, o PT articula-se contra a classe médica a quem quer culpar pelo fato do Ministro Padilha não ter dado aos brasileiros hospitais “padrão FIFA”.

“O Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) deve ser palco de uma manifestação nesta terça-feira (17). A partir das 14h está marcado um ato em prol do programa Mais Médicos, do governo federal.

O ato é encabeçado pelo próprio PT de São Paulo e conta com a participação de sindicatos e do movimento estudantil. Uma das exigências é a concessão do registro provisório para os médicos estrangeiros que se inscreveram no programa.

O Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Saúde de São Paulo fará parte da manifestação de amanhã e, de acordo com o presidente do sindicato, Gervásio Foganholi, o apoio ao programa é para que os brasileiros tenham mais acesso à saúde.”

Fonte: http://noticias.r7.com/brasil/pt-organiza-manifestacao-em-prol-do-programa-mais-medicos-e-conta-com-participacao-de-sindicatos-16092013

Médicos estrangeiros não estão preparados para a realidade brasileira

PUBLICADO EM 18/08/13 – 03h00
Isabella Lacerda

A chegada de médicos de diferentes nacionalidades para atuar no programa Mais Médicos, do governo federal, sem a necessidade de comprovação de boa formação preocupa representantes de entidades ligadas à saúde. E isso não acontece por acaso. A reportagem de O TEMPO consultou as grades curriculares das principais universidades de medicina de Argentina, Bolívia, Cuba e Espanha – países preferidos pelos brasileiros – e comparou as disciplinas disponíveis e as cursadas no Brasil. As principais diferenças são encontradas na formação prática e no reconhecimento de doenças. Em nenhum dos países, por exemplo, há aulas de epidemiologia.

 

Na primeira fase do programa, os médicos estrangeiros virão, principalmente, de Argentina (141), Espanha (100), Cuba (74), Portugal (45) e Venezuela (42), para ocupar vagas não procuradas por brasileiros.

O pneumologista e ex-presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Edson Andrade, que já foi a Cuba conhecer a estrutura do ensino de medicina no país, é enfático ao dizer que a diferença de realidade entre os países pode ser prejudicial. “Cuba é um país empobrecido, que oferece saúde de forma contingenciada. O objetivo do governo é fazer com que os estudantes atuem na realidade do país. Quem só termina o curso de medicina e vem para o Brasil tem uma dificuldade imensa de atuar aqui”. Andrade ressalta as diferenças tecnológicas e de medicamentos como pontos questionáveis, assim como a falta de estrutura de laboratórios.

Para o vice-presidente do CFM, Carlos Vital, o maior objetivo da União com o Mais Médicos é abrir vagas para os cubanos. “Já há um acordo para que venham 6.000 cubanos, foi um pretexto”, diz. Segundo o médico, as diferenças curriculares realmente são problemáticas. “O tempo de formação é diferente, a grade curricular não atende o que é preciso para o Brasil. Não é por acaso que os índices de reprovação no exame de revalidação do diploma são de 90% para estrangeiros”.

Contraponto. Médicos estrangeiros que atuam no Brasil relatam que as diferenças existem, mas são superáveis. É o caso da psiquiatra Heloise Delavenne, 33. Formada na França, ela veio para o Brasil em 2011, após se casar com um brasileiro.

Heloise conta que a adaptação linguística foi o maior desafio. “Na França, as matérias são parecidas com as do Brasil. Cheguei a estudar um pouco das doenças tropicais lá. Aos poucos vamos adaptando”, conta Heloise, que foi aprovada no Revalida em 2012 e mora em Belo Horizonte.

O iraniano Leonardo Dargahi, 36, não teve a mesma sorte. Formado no Teerã, capital do Irã, ele se mudou em 2010 para o Rio de Janeiro, mas por um problema no visto de permanência ainda não pode revalidar seu diploma. “Estou estudando para fazer a prova. Estou vendo algumas doenças que não conhecia, como a tuberculose”.

http://www.otempo.com.br/cidades/médicos-não-estão-preparados-para-a-realidade-brasileira-1.698951