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SEM O SUS, A BARBÁRIE

SEM O SUS, A BARBÁRIE

Muito interessante o artigo do experiente e culto médico Dráuzio Varela, que foi reproduzido no site da NCST, sobre o SUS. Há um risco importante a ser avaliado de que as políticas de matriz neoliberal do ministro Paulo Guedes venham a diminuir os recursos destinados ao financiamento do SUS, causando falta de médicos e desabastecimento de equipamentos públicos de saúde. 

“30 anos atrás, um grupo de visionários ligados à esquerda do espectro político defendeu a ideia de que seria possível criar um sistema que oferecesse saúde gratuita a todos os brasileiros. Parecia divagação de sonhadores”.
por Drauzio Varella

A frase não é minha, mas traduz o que penso. Foi dita por Gonçalo Vecina, professor da Faculdade de Saúde Pública da USP, um dos sanitaristas mais respeitados entre nós, numa mesa-redonda sobre os rumos do SUS, na Fundação Fernando Henrique Cardoso. Estou totalmente de acordo com ela, pela simples razão de que pratiquei medicina por 20 anos, antes da existência do SUS.
https://www.ncst.org.br/subpage.php?id=22652_20-11-2019_sem-o-sus-a-barb-rie-2&utm_source=feedburner&utm_medium=twitter&utm_campaign=Feed%3A+PortalDaNcst+%28PORTAL+DA+NCST%29#debates-e-opini-es

Exercício ilegal da Medicina pode estar colocando em risco pacientes do DF

A saúde da população do Distrito Federal está em risco. Na capital federal, sede do governo federal e do Congresso Nacional, hospitais privados estão empregando o crime (exercício ilegal da medicina) e permitindo que pessoas que passam por intervenção cirúrgica fiquem expostas a um grave risco, previsível e evidente. Será que a maximização de lucros e ganhos justificada colocar em tamanho risco vidas humanas?

A denúncia já circula na Internet.

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A matéria pode ser lida no site “Brasília em Tempo Real”, o link está no final da transcrição:

A prática ilegal de substituir médicos auxiliares por técnicos em enfermagem durante cirurgias também é recorrente em hospitais privados de pequeno porte. Sem fiscalização rigorosa, gestores de unidades menores e mais afastadas do Plano Piloto usam mão de obra inadequada no tratamento de pacientes. Até ontem, as denúncias se limitavam sobre os cinco maiores estabelecimentos de saúde da capital. Depois de o Correio publicar reportagens com as supostas irregularidades, vários funcionários de centros menos expressivos procuraram o sindicato da categoria para contar o que acontece nas salas de operações.

Um homem que trabalha em um hospital da Ceilândia, por exemplo, revelou ser comum o exercício ilegal da atividade médica. “Os hospitais mais conhecidos ficam em evidência porque estão no centro da cidade e atendem a um público de classe econômica mais elevada. Mas o que ocorre nos hospitais das localidades pobres é muito mais absurdo. A regra, neles, é não ter médico auxiliar”, reclamou.

Uma enfermeira pediu demissão de um hospital de Taguatinga por sofrer coação quando ainda trabalhava como técnica, há quatro anos. “Não aguentei as pressões e as humilhações. Todo mundo considera o técnico dispensável, sem importância e, por isso, resolvem pisar. Como eu queria ser mais respeitada, pedi as contas e passei a me dedicar somente à faculdade (de enfermagem)”, contou a mulher, hoje servidora da Secretaria de Saúde do DF.

As ilegalidades que vieram a público estremeceram a relação entre médicos e auxiliares, além de provocar a antipatia dos gestores. Discussões entre profissionais têm se tornado constante no ambiente hospitalar. Para piorar, patrões deixaram o campo das ameaças e passaram a assinar dispensas. Ontem pela manhã, a direção do Hospital Anchieta, em Taguatinga, dispensou, por justa causa, 21 técnicos. Os administradores da unidade alegaram que a medida foi motivada pelo movimento orquestrado pelos profissionais no último dia 13, quando parte deles paralisou as atividades por alguns minutos. Eles exigiam o fim do desvio de função no centro cirúrgico (leia mais na página 22).

Para piorar, as condições de trabalho nas unidades de saúde de menor porte contribuem para o erro. No Conselho Regional de Enfermagem (Coren), pelo menos dois processos foram abertos para apurar falhas supostamente cometidas por técnicos. O sindicato da categoria argumenta que os técnicos ficam mais vulneráveis a equívocos por se sujeitarem a jornadas exaustivas. “Tem funcionário que trabalha em três hospitais para conseguir sustentar a família. Chega a ficar 36 horas sem dormir, pingando de um hospital para o outro. Essa rotina é necessária porque o nosso piso, de R$ 680, é um dos mais baixos do país”, reclamou o diretor administrativo do Sindate, Jorge Viana.

Desconfiança

Hoje, o DF conta com uma rede de 48 hospitais particulares. Eles são responsáveis por atender quase 30% da população. Mesmo assim, a qualidade no atendimento é questionada. Estabelecimentos antes considerados referência, como o Santa Lúcia, enfrentam a desconfiança dos moradores por sucessivos episódios de supostas falhas e falta de cuidado com os pacientes. Em 1986, Pedro Júnior Rosalino Braule Pinto, o Pedrinho, foi roubado da maternidade da própria unidade de saúde.
http://www.emtemporeal.com.br/index.asp?area=2&dia=30&mes=11&ano=2012&idnoticia=123933

FALTA CRITÉRIO PARA CIRURGIA PLÁSTICA PELO SUS

Faltam critérios que permitam considerar cirurgias plásticas como estéticas ou reparadoras. A tênue linha que separa esses procedimentos fica, no SUS, ao juízo de pessoas que decidem sem ter definições rigorosas. É o que denuncia o Presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Dr. Douglas Jorge.

"Isso significa que quando eu peço uma autorização para o SUS realizar um procedimento cirúrgico, são eles que vão interpretar se a cirurgia pode ser autorizada ou não, só que essa interpretação não é baseada num critério muito rigoroso, então vai muito da interpretação de quem autoriza", argumenta o médico.

A matéria é da Agência Brasil, está na página http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2008/11/14/materia.2008-11-14.3292012921/view e pode ser lida na transcrição abaixo.


Faltam definições para realização de plásticas no SUS, afirma cirurgião

Ana Luiza Zenker

Repórter da Agência Brasil

Brasília – Na definição do Ministério da Saúde, a cirurgia plástica coberta pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é a que corrige lesões, deformações e defeitos, sejam eles congênitos ou adquiridos, a fim de melhorar o estado de saúde do paciente – classificada como reparadora ou reconstrutora -, e não apenas com finalidade estética.

No entanto, para o membro da direção da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e cirurgião da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, o médico Douglas Jorge, existe uma dificuldade para se definir o que é uma cirurgia reparadora, ou reconstrutora, e o que é uma cirurgia estética, e faltam critérios mais claros na rede pública de saúde para a aprovação dos procedimentos.

“Isso significa que quando eu peço uma autorização para o SUS realizar um procedimento cirúrgico, são eles que vão interpretar se a cirurgia pode ser autorizada ou não, só que essa interpretação não é baseada num critério muito rigoroso, então vai muito da interpretação de quem autoriza”, argumenta o médico.

Apesar de afirmar que o critério corrente é o da operação plástica, o método nem sempre é suficiente, pois o médico pode considerar a intervenção necessária – para uma cirurgia para corrigir o excesso de pálpebra que atrapalha a visão do paciente, por exemplo -, mas pode não ter argumentos suficientes para solicitar ao sistema público. “A partir de quando pode e quando não pode?”.

“Só que a pessoa que me procura fala ‘eu contribuo com o SUS, eu tenho direito’, mas na verdade não tem direito, porque eu não tenho como justificar a necessidade da cirurgia”, afirma. Em alguns casos, na Santa Casa, ele explica que o próprio hospital cobre as despesas, ainda que o SUS não o faça.

Um outro exemplo que Douglas Jorge cita é o caso da mulher que tem seios muito grandes: “Essa mulher tem problema de postura, dor nas costas, desconforto pelo excesso de peso na mama, ela já tem até ferida no ombro feita pela alça do sutiã, tem irritação na pele constante pela umidade no sulco submamário”.

Só que como a maioria das mulheres não está na situação extrema, a dúvida, de acordo com Jorge, é a partir de que grau o SUS autoriza. “Não existe uma norma escrita dizendo que a partir de tal grau de hipertrofia pode ou não pode”.

De acordo com a norma do SUS, operações de reconstituição de mama em casos de câncer, para retirada de tumores de pele, tratamento de queimaduras, para correção de traumas de pele e de osso, correção de deformidades congênitas, retirada de excesso de pele em ex-obesos que fizeram operação de redução de estômago e alguns procedimentos para portadores do HIV que utilizam o coquetel anti-viral são cobertos pelo sistema.

O médico ressalta que é fácil quando já existe uma norma, que autoriza o tratamento pelo SUS e pressiona os planos de saúde a cobrirem também. “O grande problema é esse grupo de cirurgias que alguns classificam ou tentam classificar como procedimento de embelezamento ou de estética, ligado quase que exclusivamente à vaidade do ser humano.”

Um outro exemplo que ele cita é da cirurgia para ex-obesos, que o SUS cobre desde 2003 no abdômen, braços e pernas.

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