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Sobre pandemia e necropolítica

A vida, o dinheiro e a doença

“Dessa vida nada se leva”, dizia a arcaica sabedoria dos antigos. E ainda havia os que diziam, que os esforços e a ganância dos homens desse mundo em nada resultava, que “caixão não tem gavetas” e ninguém poderia levar para o outro lado o dinheiro acumulado nessa vida.
Lembrei dessas palavras, vindas de outros tempos, agora, em plena pandemia que vejo devastar o Brasil, nesse momento que governantes e empresários, em estranho acordo, falam da reabertura de atividades e, por consequência, no aumento de circulação de pessoas, no momento em que os números de doentes e mortos não param de subir.
A Ciência é silenciada. A questão dinheiro x vidas, ainda que seja uma formulação imperfeita do problema, é resolvida por esse pacto esperado entre donos do poder e do dinheiro. Talvez pensem, por alguma estranha lógica mortal, que vidas sem dinheiro não importam. Seríamos todos nós, pobre inocentes, que enm governantes e nem empresários somos, submetidos como vítimas de sacrifício em algum tipo estranho de experiência macabra?
Não é difícil deduzir o resultado do aumento de circulação de pessoas, resultado óbvio dessas reaberturas, com o vírus circulando com cada vez mais fúria e intensidade. Mas, volto lá no início para lembrar que “caixão não tem gavetas”.
Difíceis esses tempos, nos quais a necropolítica, figura quase esquecida, entra em cena como um ectoplasma e ganha corpo no centro do palco da pandemia.
(Geraldo Sette, em 05/06/2020)

Cai a produtividade do trabalho no Brasil

A queda da produtividade do trabalho no Brasil prova que o futuro da economia nacional é nebuloso.

Perdendo direitos e perdendo renda o trabalhador fica em situação mais desigual. O governo usa como argumento para justificar essa pauta de direita a alegação de que o trabalhador mais barato e com menos representatividade terá mais facilidade de conseguir um emprego qualquer. Milhões de brasileiros podem cair nessa situação.

Assim como nos governos Collor, FHC e Temer, a equipe econômica do governo Bolsonaro aposta numa agenda de ampla liberalização da economia brasileira para elevar o crescimento da produtividade.

Durante os governos Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), a produtividade do trabalho teve um crescimento médio de 0,2% ao ano. Já nos governos Lula (2003-2010), a produtividade teve um crescimento médio de 2,2% ao ano, mais de dez vezes superior ao período FHC. No governo Dilma I (2011-14), o ritmo de crescimento da produtividade foi de 1,5% ao ano, e no governo Dilma II (2015-16), com a crise, a produtividade teve queda de 1,5% ao ano. A produtividade voltou a crescer no governo Temer (2017-2018), mas em um patamar bem menor, 0,6% ao ano, e agora em 2019, ela voltou a cair.

https://theintercept.com/2019/12/19/agenda-ultraliberal-paulo-guedes-produtividade/