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Opiniões e crenças equivocadas prejudicam médicos brasileiros

Fax Sindical de 13 de novembro de 2012

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Sindicato dos Médicos de Juiz de Fora e da Zona da Mata de Minas Gerais.

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Assunto: Desvalorização do trabalho médico e o negócio das concepções antimédico

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O lugar do médico dentro do serviço público não tem sido dos melhores. A luta pela valorização devida e pelo reconhecimento digno tem, cada vez mais, obtido adesões dentro e fora da classe médica.

Causas do descaso com que cargos e carreiras médicas são tratados no serviço público, a ponto de se juntar má remuneração, assédio moral, exagero de responsabilidades e precarização por meio de terceirizações, além de outros expedientes, devem ser buscadas e expostas ao debate público, porque trata-se de assunto vinculado à atenção pública em saúde, algo que afeta milhões de brasileiros e, logo, é de interesse geral.

Importante observar que existem conjuntos de opiniões e crenças ,aliadas a alguns preconceitos e a doses de elaborada má vontade que costumam orientar a mente de muitos gestores públicos e privados que são colocados para negociar com aqueles que representam os médicos, ocasionando negociações conflituosas ou inconclusivas.

Essas questões devem ser colocadas diante de toda a categoria profissional dos médicos, para que se possam enfrenta-las com coragem e precisão.

Transcrevemos abaixo artigo publicado no site da FENAM que aborda o assunto com muita propriedade.

CONCEPÇÕES ANTIMÉDICAS


Edson Prado Machado – Médico Pediatra

12/11/2012

O provável poder médico, que para alguns teóricos é incontestável e
abominoso, ocupou a mente de muitos pensadores brilhantes deste e de muitos séculos passados na tentativa de entendê-lo e sobretudo de anulá-lo. Michael Foucault, uma das referencias desta cruzada contra os médicos e a medicina, pregava que todos, indistintamente, buscam o poder. E que os médicos sobretudo, o exerciam de forma tirânica, decidindo quem permaneceria no convívio da sociedade e quem dela seria alijado, para ser confinado em sanatório ou hospício, promovendo portanto uma segregação social conveniente à época.

A Reforma Sanitária foi um movimento que nasceu no meio acadêmico no inicio dos anos 70 como oposição técnica e política ao regime militar, sendo logo encampada por outros setores da sociedade e por partidos políticos. Teve seu apogeu com a 8ª Conferência Nacional de Saúde que acabou implantando o Sistema Unificado e Descentralizado de Saúde-SUDS, precursor do SUS e que determinou as bases para consagrar na Constituição de 1988 a seção “Da Saúde”, determinando que a saúde é um “direito de todos e dever do estado”. Determinou igualmente que o controle social, representado pelos Conselhos de Saúde e outras formas de organizações sociais regulariam o sistema, deslocando o cidadão da condição de objeto(paciente) para a condição de sujeito do sistema.

Após a Reforma Universitária de 1968, o ensino superior privado que surgiu com o fim do regime militar acaba se convertendo em um sistema estruturado nos moldes de empresas educacionais voltadas para a obtenção de lucro econômico e para o rápido atendimento de demandas do mercado educacional. Esse novo modelo cria cursos superiores para profissões de nível secundário, sobretudo na área de saúde, como fisioterapeutas, massagistas, optometristas, etc., absorvendo grandes contingentes de vestibulandos excedentes, oportunizando enormes lucros às instituições privadas.

Existem outros fatores, mas o espaço permite examinar apenas estes: A reforma sanitária que criou o SUS e o controle social não previu que o processo serviria para hegemonizar grupos políticos e técnicos governamentais na gestão do sistema. O uso corporativo e politico de seus interesses, distintos daqueles que a população efetivamente necessita, determina que a Saúde Pública enfrente uma das piores crises de nossa história.

A Reforma Universitária promoveu os antigos integrantes das equipes de saúde. Agora todos detentores de títulos superiores já não prestam serviços auxiliares aos médicos, mas como eles, e com eles, integram uma equipe multidisciplinar, onde todos pretensamente são iguais tecnicamente e, portanto todos podem tudo.

Desta forma vai se construindo lenta e caprichosamente um senso comum, uma disposição e um desconceito contra os médicos, ao ponto da proposição da regulamentação da profissão médica, a chamada Lei do Ato Médico, gerar uma explosão de rebeldia e assombro na mídia, nos parlamentos e na sociedade.

Para arrematar, a política oficial decidiu que as mazelas da saúde pública são determinadas pelos médicos, que são poucos(?), preguiçosos(?) e ricos(???).

Fonte : Edson Prado Machado

BRASIL : CRISE NO SUS – Governo da Paraíba quer contratar médicos baratos para trabalhar sem registro no Estado

Assistencialismo inconseqüente leva governo da Paraíba a querer desregulamentar a Medicina e a Constituição, contratando e nomeando trabalhadores para serviço público sem o devido concurso.

Em nome da necessidade de atender a todo custo, causam iatrogenia e aniquilam as normas que tornam éticos os exercícios profissionais. Essa política é como servir comida envenenada a um faminto, alegando a necessidade de aliviar a fome.

CRM quer impedir contratação de médicos do RJ; Governo aciona Justiça

04/06/2011 | 19h38min

O Governo do Estado acredita que o Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB) tem dificultado o acerto com os médicos do Hospital do Trauma. No entender do Palácio da Redenção, além de dificultar o retorno imediato dos médicos prestadores de serviço, o CRM agora está querendo impedir que o Governo contrate 10 médicos do Rio de Janeiro para que trabalhem em caráter emergencial na Paraíba.

A ação do órgão seria em nome da defesa do médico paraibano. Contudo, respaldado por decreto de estado de emergência, o governo entrou com ação na Justiça para assegurar o exercício dos médicos do Rio de Janeiro na Paraíba. A ação foi protocolada na 2ª Vara, em João Pessoa.

O secretário de Saúde do Estado, Waldson Souza, já admitiu também pedir a intervenção na entidade. O pedido será feito ao vice-presidente da Confederação Federal de Medicina, que estará em João Pessoa nesta segunda-feira (06). “O CRM tinha que estar ao lado da sociedade e de olho em eventual abuso dos médicos. Não o contrário”, declarou.

Quanto custam os plantões – No Rio de Janeiro, um médico recebe em torno de R$ 700 por um plantão de doze horas. Os médicos consideram que um plantão num sábado à noite no Rio de Janeiro é bem mais movimentado que na Paraíba.

Abaixo, veja quanto recebe cada médico por plantão em:

Amazonas – R$ 700

Alagoas – R$ 600

Ceará – entre R$ 900 e R$ 1.100

São Paulo – R$ 660

Rio Grande do Norte – R$ 918

Rio de Janeiro – R$ 700

Goiás – R$ 900

As informações estão no Blog do Luis Torres.

Blog de Luis Torres

http://www.paraiba.com.br/2011/06/04/22638-crm-tenta-impedir-contratacao-de-medicos-do-rj-e-governo-aciona-justica-governo-tambem-quer-intervencao-no-orgao