Arquivos de tags: fake news

Médica “pela verdade” é denunciada por induzir pacientes a mentir em exames

Fundadora do Médicos Pela Verdade em Portugal, anestesiologista é investigada por ensinar pessoas a mentir para enganar testes de COVID e produzir falsos negativos.

Essa conduta monstruosa e criminosamente foi denunciada na imprensa portuguesa.

Diz o site do jornal Público ( em https://www.publico.pt/2020/11/23/sociedade/noticia/cofundadora-medicos-verdade-receitou-estrategias-enganar-testes-covid19-1940367 ):

“As queixas contra a desinformação dos “Médicos pela Verdade” acumulam-se na Ordem dos Médicos. Esta segunda-feira, o Observador deu conta de uma série de mensagens na aplicação Telegram, em que a anestesiologista e co-fundadora da página, Maria Gomes de Oliveira, terá procurado passar receitas e conselhos sobre como ludibriar os testes à covid-19.”

“O objectivo dos que procuravam ajuda da médica era tentar obter resultados negativos, que as permitisse manter os contactos habituais. Entre os vários conselhos para eliminar “todos os restos virais” das fossas nasais e da garganta, onde são recolhidas as amostras através das zaragatoas, Maria de Oliveira terá recomendado limpeza constante dessas áreas, “alimentos frescos e variados com muita fruta e legumes”, jejum antes do exame, repouso, entre outras “ajudas”.”

A picaretagem chegou ao conhecimento da imprensa pelo acesso a mensagens de aplicativos de celular nas quais a “médica pela verdade” ensinava as pessoas a mentir. Muito grave difusão de fake news e essas atitudes contrárias à saúde pública.

Perigos de informações falsas durante a pandemia – “fatos alternativos” e pseudociência são prejudiciais para a saúde

Atualmente existem certas informações que não estão conformes as fontes objetivas e usuais de informação, a formação acadêmica, os consensos da Ciência e as regras de civilidade e boa educação. Essas informações pertencem a uma espécie de realidade paralela e são definidas como “pós-verdade” ou “fatos alternativos”. Esse tipo de informação é o que alimenta o populismo na era da Internet, o populismo de redes sociais e aplicativos de celular. E os resultados disso, não são bons.

No caso brasileiro, governo federal, na voz de seu mais alto representante, o presidente da República, vem colocando em questão a realidade da pandemia e a necessidade da vacinação. É perversa a aplicação de “pós-verdade” ou “fatos alternativos” quando o assunto é saúde.

No Brasil, uma das principais redes hospitalares privadas chegou a divulgar, em seu site, uma página advertindo sobre os riscos da pseudociência durante a pandemia (confira em https://www.rededorsaoluiz.com.br/instituto/idor/novidades/pseudociencia-pode-agravar-riscos-e-danos-durante-a-pandemia )

A repercussão dessas declarações é variada, mas basicamente existem três recepções a essas declarações. Há os que acreditam que seja apenas uma comunicação agressiva e desastradas e que esse é o estilo do presidente. Outros acreditam que o presidente está dando uma instrução e procuram legitimar, em redes sociais, o que o presidente diz, recorrendo a fake news, teorias conspiratórias e até a pseudociência. Esses passam adiante as suas informações, falsas ou exageradas, em grupos de aplicativos de celular. E há ainda um terceiro grupo, os que acreditam que as declarações presidenciais são coerentes com o negacionismo diante da pandemia e, portanto, com a atitude geral de negligência governamental, que fez o país reagir à pandemia como uma orquestra desafinada, sem maestro, ao sabor de decisões de governos locais.

As redes sociais e aplicativos de celular (principalmente Facebook, Instagram, WhatsApp, do Sr. Marketing Zuckerberg e o YouTube, do Google e o Twitter) não se sentem responsáveis pela curadoria do conteúdo que publicam e seus algoritmos não impedem, e até parecem facilitar, a divulgar de informações falsas que são potencialmente prejudiciais à saúde.

O prejuízo que as pseudociências, fake news, teorias conspiratórias ou, como alguns preferem, “fatos alternativos” e “pós-verdade” foi denunciado em manifesto assinado 2750 cientistas e médicos de renome mundial. (Confira em https://www.bbc.com/portuguese/geral-54727068 )

Há, entre esses conteúdos, os que põem em dúvida a vacinação. Essa situação é agravada quando associada a fontes governamentais. Elas não são entendidas apenas em um contexto e criam um clima onde os movimentos antivacinas, foçados em pseudociência, podem prosperar.

Todos nós sabemos que a ameaça de doenças, que já vitimaram muitas pessoas, pode ser prevenida com o uso de vacinas. Mas, pelo menos no caso da poliomielite, a doença pode voltar. A causa será a negligência com a vacinação. Mas o que leva as pessoas a abandonarem uma conquista tão importante? Afinal, foi uma vitória da Ciência que evitou muito sofrimento.

O que estamos vendo é o surgimento em redes sociais, repercutidas em aplicativos de celulares, de informações falsas que enganam as pessoas. Essas informações obedecem a interesses que agem sem compaixão e com total irresponsabilidade.

“A disseminação de “fake news” – ou notícias falsas -, o medo de reações adversas e o sentimento de segurança a respeito da eliminação de doenças são alguns dos fatores que têm contribuído para a redução das coberturas vacinais pelo Brasil. De acordo com dados do Ministério da Saúde, até o dia 22 de outubro, nenhuma das vacinas que constam no calendário nacional atingiu os indicadores presentes no Programa Nacional de Imunizações.”
( a matéria está em
https://www.folhavitoria.com.br/saude/noticia/10/2020/especialistas-falam-sobre-o-impacto-das-fake-news-nas-coberturas-vacinais-do-pais )

A bem sucedida erradicação da poliomielite no Brasil poderá ser revertida porque a vacinação não está tendo cobertura suficiente. Essa doença pode causar deficiências físicas irreversíveis e morte.

“Em um momento em que há o debate sobre a obrigatoriedade da vacinação contra a covid-19, os dados são preocupantes. Em 1994, o Brasil recebeu da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) a certificação de área livre de circulação do poliovírus selvagem. O título só foi alcançado depois do esforço do governo brasileiro para disponibilizar a vacina gratuita em todo o país.”

“De acordo com dados do Ministério da Saúde, divulgados na quinta-feira, 29, a maior cobertura foi registrada entre as crianças com dois anos de idade (45%), enquanto a menor foi registrada entre as crianças de 3 anos de idade (43%). “

( Leia o texto completo em: https://exame.com/brasil/vacinacao-gratuita-pelo-sus-termina-nesta-sexta-e-so-atingiu-45-da-meta/ )

“Vamos ser claros: as pseudociências matam.”

“Essa é a mensagem que une 2.750 profissionais de saúde de 44 países (90% deles trabalhadores de saúde e cientistas de várias disciplinas).
O “1º manifesto contra as pseudociências em saúde”, assinado por essa massa de profissionais, levanta a discussão sobre regulamentações contra produtos que não tenham eficácia terapêutica comprovada com rigor científico.”

https://sindicatoexpresso.blogspot.com/2020/10/pseudociencia-mata-e-da-dinheiro-para.html

Toda a argumentação contra a vacinação não vem de pessoas preocupadas com a saúde e o bem estar do próximo, mas de gente que quer fazer politicagem com a pandemia e a vacina, repercutindo a orientação errática que emana do governo. Toda essa argumentação é um somatório de argumentos sem valor, acumulados como lixo fedorento, por adeptos de teorias conspiratórias e pseudociência. Essas pessoas, iludidas ou de má fé, acreditam que suas opiniões não científicas servem a alguma ideologia. E essa falsa convicção os anima a espalhar informações falsas. Quando, na verdade, essa informação errada revela apenas que seus autores não têm conhecimentos sobre questões que dizem respeito à Ciência. E, talvez, muitos deles não saibam que esse tipo de informação falsa é prejudicial à saúde.

Publicado em https://sindicatoexpresso.blogspot.com/2020/11/perigos-de-informacoes-falsas-durante.html

Médicos pela democracia repudiam declaração fake do presidente do CFM

*Nota Pública*

A Associação Brasileira de Médicas e Médicos pela Democracia – ABMMD por meio da Coordenação Executiva Nacional – CEN, face pronunciamento do senhor Presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Dr. Mauro Ribeiro, ocorrida através de vídeo no dia 21/12/2019, vem por meio desta Nota Pública contestar suas afirmações e esclarecer a população brasileira.

O pronunciamento explicita mais do que nunca a opção do CFM por uma medicina insensível à desassistência do povo, criticando os governos anteriores nos quais, pela primeira vez, a universalização do acesso à saúde foi buscada, esta que é a missão mais nobre da nossa profissão.

Afirma que a medicina vive a sua pior crise e que esta foi criada pelos governos populares por meio da abertura de novas faculdades de medicina. Ele esquece de dizer, entretanto, que a criação dessas faculdades continua num ritmo acelerado mesmo após o golpe jurídico parlamentar de 2016, que lamentavelmente contou com o apoio das entidades médicas, inclusive no que concerne ao congelamento orçamentário do SUS por longos vinte anos.

Continua em sua narrativa deturpando fatos conhecidos publicamente que se referem ao Programa Mais Médicos, quando diz que os profissionais foram lotados em sua maioria no litoral brasileiro, quando na verdade o que caracterizou o programa foi levar a atenção primária aos rincões do Brasil e a áreas isoladas como as quilombolas e indígenas, populações estas vêm sendo ameaçadas e mortas juntamente com a Floresta Amazônica, patrimônio maior do Brasil que arde cotidianamente em chamas, após o desmonte das instituições de proteção ao meio ambiente.

Esquece também o Dr. Mauro Ribeiro que o Programa Mais Médicos instituiu uma avaliação bianual para os alunos das escolas médicas brasileiras e o resultado desta avaliação poderia levar inclusive ao fechamento de cursos que não oferecessem formação satisfatória. Hoje o MEC afrouxou o controle sobre as universidades privadas e o CFM silencia frente a demissões de profissionais médicos mestres e doutores utilizados apenas para aprovação dos seus projetos.

Esquece mais uma vez que a criação de vagas nos cursos de medicina estava atrelada a abertura do mesmo número de vagas de Residência, o que teria assegurado qualificação profissional e postos de trabalho para os jovens médicos. E ignora que o período de maior ampliação e valorização da residência médica ocorreu entre 2014 e 2016.

E continua esquecendo o Dr. Mauro Ribeiro que quem propôs que o Revalida fosse realizado por escolas privadas foi o Ministro da Educação do presidente que eles tanto apoiam e elogiam. Foram os deputados de oposição que conseguiram reduzir a gravidade da medida prevendo a participação das universidades privadas apenas na segunda fase da avaliação e que a supervisão fosse realizada pelo MEC com obrigatório acompanhamento do CFM.

É ainda inverossímil que o CFM se contente com a Carreira Médica proposta pelo governo, que é muito diferente da que foi proposta pelo próprio CFM nos governos anteriores. Perante esta, nenhuma crítica, o que demonstra uma triste submissão a um governo que é o principal responsável pela crise que se abate sobre o mercado médico e pela piora significativa dos indicadores de saúde como a mortalidade infantil e pelo aumento da miséria e da população em situação de rua.

No final o vídeo explicita um júbilo por ter sido recebido por um presidente que envergonha o Brasil perante o mundo e caracteriza um adesismo imperdoável a um governo desastroso para a maioria da população brasileira, o que inclui também os médicos brasileiros, que reduz o orçamento do SUS (maior empregador de médicos do Brasil) e reduz o contingente de usuários de planos de saúde devido a uma taxa de desemprego jamais vista.

Não falam em nosso nome.

Fortaleza, 04de janeiro de 2020

*CEN* (Coordenação Executiva Nacional) – *ABMMD* (Associação Brasileira de Médicas e Médicos pela Democracia)

Redes sociais e política: a antipolítica, a pós-verdade e o efeito manada online

Redes sociais e política: a antipolítica, a pós-verdade e as manadas virtuais

A antipolítica tomou conta das redes sociais. E é perigosa. O fato de alguém possuir uma rede social não o torna jornalista. A pessoa não tem formação para proceder apuração de uma informação, não tem fontes para se informar de forma sistemática e organizada e não conhece as técnicas que o jornalista usa para publicar suas matérias. O assunto política é uma terra de ninguém. E muitos sempre apareceram para atribuir os piores adjetivos à classe política, atingindo políticos de todas as tendências e filiações partidárias. São, em geral, acusações genéricas, que misturam no mesmo saco toda a classe política e acabam atingindo as próprias instituições que permitem o funcionamento de uma sociedade democrática.

No início, já nos anos 90 do século passado, havia alguns estudos e alguns debates sobre a importância da Web, já se popularizando e tornando acessível, para a vida pública. Chegaram a achar que a democratização do acesso à Internet poderia constituir uma ágora eletrônica, aumentando a participação, a inclusão e a transparência na política. O acesso à Internet ainda não dispunha desses aplicativos de mensagens, de redes sociais ou de smartphones. Era caro e difícil. Não era comum as pessoas terem computadores pessoais, sendo o preço deles elevado e inacessível para a maioria. Mas havia entre alguns estudiosos e ativistas, uma expectativa, ingênua e bondosa, de que o acesso a Internet poderia ser democratizado e contribuir para o aperfeiçoamento da vida pública.

Uma análise dos resultados eleitorais de 2016, publicada no portal El País, informava que a antipolítica já avançava a passos largos no Brasil.

https://brasil.elpais.com/brasil/2016/10/05/opinion/1475671551_641754.html

Os resultados da antipolítica foram consagrados dois anos depois. O “tem que mudar tudo isso aí”, o novo e a renovação, consagrado pela volta das velhas ideias, da exaltação de um passado pouco recomendado. Não era o fim da política. Era a mesma peça representada por outros atores.

https://diplomatique.org.br/bolsonaro-e-a-antipolitica/

*Talvez a antipolítica seja mais sentimento (ou ressentimento) do que razão. Suas razões parecem, na verdade, racionalizações.

Em entrevista ao Estadão, Jairo Nicolau, cientista político, professor da URFJ e especialista em sistemas eleitorais, disse:
“O partido é uma organização que se tornou cada vez menos atraente. Não só no Brasil. Esse fenômeno é mundial. Nas democracias tradicionais, o número de pessoas filiadas a partidos declina anualmente. Partido, como conhecemos, foi inventado no século 19, teve seu apogeu como organização de comunicação política no século passado. Estamos no século da interação online, as pessoas podem fazer um grupo nas redes sociais, blogs, e comunicam-se com centenas, às vezes milhares, de pessoas. Defendem causas, oferecem cursos, compartilham documentos, conversam entre si. Por que vão sair de casa uma vez por semana para uma reunião na sede do partido? A militância presencial, clássica, cultivada pela esquerda do século 19 e pelos partidos de massa, parece fadada a acabar.”
A entrevista está em:
https://politica.estadao.com.br/noticias/eleicoes,sentimento-antipolitica-esta-maior-imp-,1560340

Essa mudança, já bem notada, do presencial para o ambiente virtual, tem um impacto nas relações interpessoais e na vida pública. Há bolhas construídas dentro dessas redes sociais que reafirmam opiniões e crenças de seus participantes e vão se tornando impermeáveis à diferença, aos senões, nuances, dúvida razoável e mesmo ao contraditório.

Aqui funciona o comportamento de manada, muito bem explicado em série de reportagens da BBC Brasil.

A manada virtual pode ser manipulada com base em objetivos políticos. Empresas usam isso para faturar e políticos e empresários usam o recurso para dinamitar adversários e capitalizar votos. Essa matéria foi exonerada em uma série de ótimas reportagens feitas pela BBC Brasil.”

“Evidências reunidas por uma investigação da BBC Brasil ao longo de três meses, que deram origem à série Democracia Ciborgue, da qual esta reportagem faz parte, sugerem que uma espécie de exército virtual de fakes foi usado por uma empresa com base no Rio de Janeiro para manipular a opinião pública, principalmente, no pleito de 2014. E há indícios de que os mais de 100 perfis detectados no Twitter e no Facebook sejam apenas a ponta do iceberg de uma problema muito mais amplo no Brasil.”

“O conceito faz referência ao comportamento de animais que se juntam para se proteger ou fugir de um predador. Aplicado aos seres humanos, refere-se à tendência das pessoas de seguirem um grande influenciador ou mesmo um determinado grupo, sem que a decisão passe, necessariamente, por uma reflexão individual.”

“A estratégia que vem sendo usada por perfis falsos no Brasil e no mundo para influenciar a opinião pública nas redes sociais se aproveita de uma característica psicológica conhecida como “comportamento de manada”.

“Se muitas pessoas compartilham uma ideia, outras tendem a segui-la. É semelhante à escolha de um restaurante quando você não tem informação. Você vê que um está vazio e que outro tem três casais. Escolhe qual? O que tem gente. Você escolhe porque acredita que, se outros já escolheram, deve ter algum fundamento nisso”, diz Fabrício Benevenuto, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), sobre a atuação de usuários nas redes sociais.”
Matéria publicada no portal da BBC
http://bbc.in/2BZRKYU

A manada vai toda na mesma direção. E ainda tem sua relação com a realidade e os fatos comprometidas pela pós-verdade. A pós-verdade está na essência dessas bolhas.

Em sábias palavras e com referências sábias o teólogo Leonardo Boff analisou a pós-verdade em ótimo artigo. Aqui destacamos alguns trechos.

“O dicionário Oxford de 2016 a escolheu como a palavra do ano. Assim a define:”O que é relativo a circunstância na qual os fatos objetivos são menos influentes na opinião pública do que as emoções e crenças pessoais”. Não importa a verdade; só a minha conta. O jornalista britânico Matthew D’Ancona dedicou-lhe todo um livro com o título “Pós-verdade: a nova guerra contra os fatos em tempos de fake news (Faro Editorial 2018). Ai mostra como se dá a predominância da crença e convicção pessoal sobre o fato bruto da realidade.”

“É doloroso verificar que toda a tradição filosófica do Ocidente e do Oriente que significou um esforço exaustivo na busca da verdade das coisas, sendo agora invalidada por um inaudito movimento histórico que afirma ser a verdade da realidade e da dureza dos fatos algo irrelevante. O que conta serão minhas crenças e convicções: só serão acolhidos aqueles fatos e aquelas versões que se coadunam à estas minhas crenças e convicções, sejam elas verdadeiras ou falsas.”

“Aqui valem as palavras do poeta espanhol, António Machado, fugido da perseguição de Franco:”A tua verdade. Não. A verdade. A tua guarde-a para ti. Busquemos juntos a verdade”. Agora vergonhosamente não se precisa mais buscar juntos a verdade. Educados como individualistas pela cultura do capital, cada um assume como verdade a que lhe serve.”

“Na pós-verdade predomina a seleção daquilo, verdadeiro ou falso, que se adequa à minha visão das coisas. O defeito é a falta de crítica e de discernimento para buscar o que de fato é verdadeiro ou falso.”

O artigo foi publicado em:
https://www.diariodocentrodomundo.com.br/a-pos-verdade-socrates-morreria-de-tristeza-por-leonardo-boff/

A Internet permitiu criar uma massa de manobra difusa, uma multidão virtual confusa, que, os fatos o demonstram, pode servir ao apelo populista e demagógico de extremistas e fazer com que uma pessoa, enredada na manada e iludida pela pós-verdade, se posicione até mesmo contra seus próprios interesses econômicos e sociais.

O DESMONTE HISTÓRICO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS

As políticas públicas são montadas e executadas com a finalidade de atender demandas específicas da maioria da população. Para sentir essas demandas existem conselhos e audiências públicas. Nesses conselhos se sentam pessoas de verdade, com conhecimento e representatividade para expressar essas demandas.

O atual governo decidiu acabar com esses conselhos (confira em https://www1-folha-uol-com-br.cdn.ampproject.org/v/s/www1.folha.uol.com.br/amp/poder/2019/05/entenda-decreto-que-poe-fim-a-conselhos-federais-com-atuacao-da-sociedade.shtml?amp_js_v=a2&amp_gsa=1&usqp=mq331AQCKAE%3D#aoh=15744546780059&referrer=https%3A%2F%2Fwww.google.com&amp_tf=Fonte%3A%20%251%24s&ampshare=https%3A%2F%2Fwww1.folha.uol.com.br%2Fpoder%2F2019%2F05%2Fentenda-decreto-que-poe-fim-a-conselhos-federais-com-atuacao-da-sociedade.shtml), embora haja contestação judicial (confira em https://www.cartacapital.com.br/politica/stf-barra-decreto-de-bolsonaro-que-extingue-conselhos/). O que resta disso é a forte impressão de que o governo não quer esses conselhos que ajudam na formulação e execução de políticas públicas.

Nessa ótima avaliação de Wederson Santos, publicada no jornal GGN, é analisada a postura do atual governo em relação às políticas públicas.

Essas noções de representatividade e conhecimento de causa são irrelevantes para Bolsonaro, sua família e seus seguidores de redes sociais. E aqui acrescento, o “bolsonarismo” segue o modelo conhecido do fascismo, que é o da ligação direta entre o líder incontestado e as “massas” que o seguem. Só que no “bolsonarismo”, a marcha sobre Roma não é executada por multidões organizadas de camisas negras e sim por uma pretensa e indeterminada multidão virtual, enquadrada em redes sociais. Na verdade uma multidão irreal, formada por apoiadores incondicionais do presidente, influenciadores digitais remunerados, perfis fakes e bots. Todo um mecanismo que é alimentado emocionalmente por raiva e ressentimento, de onde tira sua coesão.

Por esse pensamento tornado oficial nesse moemnto, as diatribes, ameaças, zombarias, galhofas e mentiras compartilhadas por perfis verdadeiros ou falsos em redes sociais tem mais valor do que pessoas verdadeiras, presentes, com conhecimento e representatividade, que podem trazer sua importante contribuição presencial.

Recomendamos a leitura desse artigo, para conhecimento e reflexão.

https://sindicatoexpresso.blogspot.com/2019/11/o-desmonte-historico-das-politicas.html

A REALIDADE DO SERVIÇO PÚBLICO É DESCONHECIDA PELA MAIORIA

A REALIDADE DO SERVIÇO PÚBLICO É DESCONHECIDA PELA MAIORIA

Quando governantes, classe política e mídia colocam em questão o serviço público, geralmente percebemos nas falas ideias vagas, preconceitos e declarações de conteúdo ideológico. A realidade do serviço público brasileiro, dos quais cada um de nós depende (saúde, previdência, educação, segurança), é desconhecida pela maioria das pessoas, em razão da falta de informação qualificada. Até mesmo muitos ministros e legisladores são ignorantes, por total inexperiência e desconhecimento, da realidade do serviço público.
Fato – servidores públicos municipais são a maioria dos servidores públicos e, em média, ganham menos que trabalhadores da iniciativa privada em funções equivalentes.
“A vantagem também varia drasticamente dependendo da esfera de atuação. Servidores municipais, que são maioria no funcionalismo público, ganham, em média, 1% menos que o setor privado, segundo o Banco Mundial. E cerca de metade desses servidores ganha até R$ 2.000, de acordo com o Ipea. ”

Vale a pena ler a matéria completa, ilustrada por gráficos bem interessantes em:
https://aosfatos.org/noticias/situacao-do-funcionalismo-publico-brasileiro-em-seis-graficos/

A ENTRADA EM CENA DA MENTIRA COMO ARMA NA POLÍTICA

A ENTRADA EM CENA DA MENTIRA COMO ARMA NA POLÍTICA

Fake news em aplicativos de mensagens desorientam as pessoas e as levam a escolhas sem fundamento. Seja na decisão de vacinar ou não seu filho ou de escolher um candidato nas próximas eleições. 

Ótima análise do colunista Jamil Chade sobre o atual momento, da irrupção da mentira com arma de partidarismo político causando elevada polarização, empobrecendo o debate, inviabilizando o diálogo e retendo a discussão séria de problemas que realmente importam (igualdade, emprego, renda, ambiente, saúde, segurança, educação, trabalho).
Diz o articulista :
“Diante de um mundo repleto de incertezas e do questionamento constante da suposta normalidade, não é de se estranhar que aqueles desconfortáveis com o aparente mal-estar saiam em busca de promessas, certezas e de garantias, ainda que fabricadas e mentirosas. E nada mais confortável do que ler apenas o que queremos acreditar. Sem contraditório, sem desconstrução.”
A matéria completa pode ser acessada no link:
https://brasil.elpais.com/brasil/2019/11/07/opinion/1573151889_240323.html

FAKE NEWS FAZ MAL A SAÚDE.

FAKE NEWS FAZ MAL A SAÚDE.

Estudo encomendado pela Sociedade Brasileira de Imunizações ao IBOPE, cujos resultados foram divulgados no programa de TV “Fantástico”, indicaram que quase metade das pessoas que não se vacinaram ou deixaram de vacinar seus filhos, se orientaram por informações falsas divulgadas em redes sociais e apps de mensagens (principalmente grupos de WhatsApp).
Informações difundidas por mensagens e redes sociais constituem fonte de desinformação e mentiras. Grupos anti-vacina se aproveitaram disso e prejudicaram milhões de brasileiros, inclusive crianças, por irresponsabilidade dos adultos.
Mais uma vez resta provado que a mentira, a raiva e a difamação, que prejudicam a saúde das pessoas, prejudicam também suas escolhas políticas. Milhões de aposentados e assalariados votaram contra seus próprios interesses levando em conta mentiras difundidas em grupos de mansagem.
Na Índia, autoridades exigiram um controle rigoroso de mensagens no WhatsApp depois que um homem acusado injustamente por um crime foi linchado. Posteriormente, o verdadeiro criminoso foi preso e processado pelas autoridades indianas.
Diz a matéria :
“O levantamento aponta ainda que 57% dos que não se vacinaram citaram um motivo relacionado à desinformação. E quase metade (48%) dos 2.002 entrevistados pelo país falaram que têm as redes sociais e os aplicativos como uma das principais fontes de informação sobre vacina.”
Matéria completa em :
https://oglobo.globo.com/sociedade/saude/sete-em-cada-dez-brasileiros-ja-acreditaram-em-fake-news-sobre-vacina-diz-estudo-24073494

FMB desmente assinatura de seu presidente em carta de médicos para Bolsonaro. Foi mais uma fake news

Diretoria da Federação Médica Brasileira tomou conhecimento que circula nas redes sociais documento intitulado “Carta dos Médicos Brasileiros ao Presidente eleito Jair Bolsonaro” apoiando a indicação do presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), ao cargo de ministro da Saúde. Na carta consta, como signatário, o presidente da Federação Médica Brasileira (FMB), Waldir Araújo Cardoso.


Vimos a público esclarecer que nem a presidência da FMB, nem sua Diretoria Executiva, autorizaram a utilização do nome do seu presidente ou da Entidade neste e em qualquer documento de apoio a eventuais candidatos ao cargo como tem sido divulgado pela imprensa ou qualquer outro que venha a ser noticiado.


A FMB entende que cabe única e exclusivamente ao presidente eleito a prerrogativa e responsabilidade de escolher seus auxiliares, que devem ser pessoas da sua mais estrita e absoluta confiança, posto que, terão a tarefa de ajudá-lo a enfrentar o imenso desafio de governar um país em situação tão complexa como a que se encontra o Brasil.


Além disso, a Federação Médica Brasileira tem dentre seus princípios políticos a autonomia e independência a governos e partidos políticos pois tem a responsabilidade institucional de defender o legítimo interesse dos médicos, da medicina e da saúde. Apoiar postulantes a cargos em governos compromete a isenção necessária para o pleno exercício deste desiderato.


Cumprindo esta função teremos a obrigação de cobrar do futuro presidente o cumprimento de suas promessas de campanha,  particularmente, a criação da Carreira de Estado para Médicos,  expectativa de milhares de médicos brasileiros, e tornar lei o Revalida,  expectativa de milhares de médicos brasileiros formados no exterior; pugnar para que todos os brasileiros tenham acesso a Medicina de qualidade; defender o Sistema Único de Saúde constitucional: universal, equitativo, integral, acessível a todos os brasileiros e sob controle social.


Belém, 14 de novembro de 2018


 


Waldir Araújo Cardoso


Presidente da Federação Médica Brasileira – FMB