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Sobre pandemia e necropolítica

A vida, o dinheiro e a doença

“Dessa vida nada se leva”, dizia a arcaica sabedoria dos antigos. E ainda havia os que diziam, que os esforços e a ganância dos homens desse mundo em nada resultava, que “caixão não tem gavetas” e ninguém poderia levar para o outro lado o dinheiro acumulado nessa vida.
Lembrei dessas palavras, vindas de outros tempos, agora, em plena pandemia que vejo devastar o Brasil, nesse momento que governantes e empresários, em estranho acordo, falam da reabertura de atividades e, por consequência, no aumento de circulação de pessoas, no momento em que os números de doentes e mortos não param de subir.
A Ciência é silenciada. A questão dinheiro x vidas, ainda que seja uma formulação imperfeita do problema, é resolvida por esse pacto esperado entre donos do poder e do dinheiro. Talvez pensem, por alguma estranha lógica mortal, que vidas sem dinheiro não importam. Seríamos todos nós, pobre inocentes, que enm governantes e nem empresários somos, submetidos como vítimas de sacrifício em algum tipo estranho de experiência macabra?
Não é difícil deduzir o resultado do aumento de circulação de pessoas, resultado óbvio dessas reaberturas, com o vírus circulando com cada vez mais fúria e intensidade. Mas, volto lá no início para lembrar que “caixão não tem gavetas”.
Difíceis esses tempos, nos quais a necropolítica, figura quase esquecida, entra em cena como um ectoplasma e ganha corpo no centro do palco da pandemia.
(Geraldo Sette, em 05/06/2020)

Punitivistas brigam em evento de ultradireita

A manifestação raquítica rendeu confusão. Com a presença de fascistas, neonazistas, supremacistas e toda a turma raivosa e ressentida de classe média branca, o protesto “a favor” do #VemPraRua foi mais uma patacoada

O racha no PSL, aliás, dominou os discursos do movimento Nas Ruas, que é a última trincheira do bolsonarismo entre as organizações pró-impeachment de Dilma.

https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,racha-do-psl-chega-ao-palanque-em-evento-pro-condenacao-em-2-instancia,70003118428

O DESMONTE HISTÓRICO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS

As políticas públicas são montadas e executadas com a finalidade de atender demandas específicas da maioria da população. Para sentir essas demandas existem conselhos e audiências públicas. Nesses conselhos se sentam pessoas de verdade, com conhecimento e representatividade para expressar essas demandas.

O atual governo decidiu acabar com esses conselhos (confira em https://www1-folha-uol-com-br.cdn.ampproject.org/v/s/www1.folha.uol.com.br/amp/poder/2019/05/entenda-decreto-que-poe-fim-a-conselhos-federais-com-atuacao-da-sociedade.shtml?amp_js_v=a2&amp_gsa=1&usqp=mq331AQCKAE%3D#aoh=15744546780059&referrer=https%3A%2F%2Fwww.google.com&amp_tf=Fonte%3A%20%251%24s&ampshare=https%3A%2F%2Fwww1.folha.uol.com.br%2Fpoder%2F2019%2F05%2Fentenda-decreto-que-poe-fim-a-conselhos-federais-com-atuacao-da-sociedade.shtml), embora haja contestação judicial (confira em https://www.cartacapital.com.br/politica/stf-barra-decreto-de-bolsonaro-que-extingue-conselhos/). O que resta disso é a forte impressão de que o governo não quer esses conselhos que ajudam na formulação e execução de políticas públicas.

Nessa ótima avaliação de Wederson Santos, publicada no jornal GGN, é analisada a postura do atual governo em relação às políticas públicas.

Essas noções de representatividade e conhecimento de causa são irrelevantes para Bolsonaro, sua família e seus seguidores de redes sociais. E aqui acrescento, o “bolsonarismo” segue o modelo conhecido do fascismo, que é o da ligação direta entre o líder incontestado e as “massas” que o seguem. Só que no “bolsonarismo”, a marcha sobre Roma não é executada por multidões organizadas de camisas negras e sim por uma pretensa e indeterminada multidão virtual, enquadrada em redes sociais. Na verdade uma multidão irreal, formada por apoiadores incondicionais do presidente, influenciadores digitais remunerados, perfis fakes e bots. Todo um mecanismo que é alimentado emocionalmente por raiva e ressentimento, de onde tira sua coesão.

Por esse pensamento tornado oficial nesse moemnto, as diatribes, ameaças, zombarias, galhofas e mentiras compartilhadas por perfis verdadeiros ou falsos em redes sociais tem mais valor do que pessoas verdadeiras, presentes, com conhecimento e representatividade, que podem trazer sua importante contribuição presencial.

Recomendamos a leitura desse artigo, para conhecimento e reflexão.

https://sindicatoexpresso.blogspot.com/2019/11/o-desmonte-historico-das-politicas.html

FMB desmente assinatura de seu presidente em carta de médicos para Bolsonaro. Foi mais uma fake news

Diretoria da Federação Médica Brasileira tomou conhecimento que circula nas redes sociais documento intitulado “Carta dos Médicos Brasileiros ao Presidente eleito Jair Bolsonaro” apoiando a indicação do presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), ao cargo de ministro da Saúde. Na carta consta, como signatário, o presidente da Federação Médica Brasileira (FMB), Waldir Araújo Cardoso.


Vimos a público esclarecer que nem a presidência da FMB, nem sua Diretoria Executiva, autorizaram a utilização do nome do seu presidente ou da Entidade neste e em qualquer documento de apoio a eventuais candidatos ao cargo como tem sido divulgado pela imprensa ou qualquer outro que venha a ser noticiado.


A FMB entende que cabe única e exclusivamente ao presidente eleito a prerrogativa e responsabilidade de escolher seus auxiliares, que devem ser pessoas da sua mais estrita e absoluta confiança, posto que, terão a tarefa de ajudá-lo a enfrentar o imenso desafio de governar um país em situação tão complexa como a que se encontra o Brasil.


Além disso, a Federação Médica Brasileira tem dentre seus princípios políticos a autonomia e independência a governos e partidos políticos pois tem a responsabilidade institucional de defender o legítimo interesse dos médicos, da medicina e da saúde. Apoiar postulantes a cargos em governos compromete a isenção necessária para o pleno exercício deste desiderato.


Cumprindo esta função teremos a obrigação de cobrar do futuro presidente o cumprimento de suas promessas de campanha,  particularmente, a criação da Carreira de Estado para Médicos,  expectativa de milhares de médicos brasileiros, e tornar lei o Revalida,  expectativa de milhares de médicos brasileiros formados no exterior; pugnar para que todos os brasileiros tenham acesso a Medicina de qualidade; defender o Sistema Único de Saúde constitucional: universal, equitativo, integral, acessível a todos os brasileiros e sob controle social.


Belém, 14 de novembro de 2018


 


Waldir Araújo Cardoso


Presidente da Federação Médica Brasileira – FMB

Desmentida assinatura de carta pedindo indicação de presidente da AMB para Ministro da Saúde do Bolsonaro

SINDICATO DOS MÉDICOS DE CAXIAS E REGIÃO

Rua Bento Gonçalves, nº1759-8ºandar – Caxias do Sul – RS-Fone: (54) 3221.87.40/ e-mail: sindmedcx@terra.com.br



Ofício nº026/2018

MSS/srf                             Caxias do Sul, 14 de novembro de 2018.


ILMO.SR.

DR.LINCOLN  LOPES FERREIRA

PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO MÉDICA BRASILEIRA-A.M.B.

SÃO PAULO – SP


Senhor Presidente



Tomei conhecimento da carta enviada ao Presidente eleito Jair Bolsonaro o qual teve   90% dos votos  dos médicos da base deste Sindicato.

Comunico-lhe que não concordo com a indicação feita na carta para o Ministério da Saúde.  Como Diretor da FENAM, informo-lhe que em momento algum a FENAM debateu ou concordou com a indicação do Dr.Lincoln para o Ministério da Saúde. Segundo o Dr.Darze ele não autorizou por o seu nome e o da FENAM na carta. Este assunto está muito bem encaminhado pelo Presidente eleito e sua equipe, conforme noticia a imprensa.

Sou natural de Guaíba-RS onde reside o Deputado Onix Lorenzoni, estou comunicando a ele que a indicação do seu nome é uma decisão da A.M.B., entidade de cunho científico e cultural e não de representação da categoria. Legalmente a categoria médica é representada pelo movimento sindical, conforme dispõe a Constituição Federal em seu artigo 8º, inciso III.


  Atenciosamente



Dr. Marlonei Silveira dos Santos

Presidente do Sindicato dos Médicos

Diretor da FENAM

Representante da Categoria Médica no 

Conselho Nacional de Saúde