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Crise no SUS – MG – Passos: PSF para em protesto contra agressão a servidores

Exercendo o serviço público de saúde, por vezes inconstitucionalmente terceirizados, esses servidores não recebem periculosidade, mas estão expostos a algo mais que assédio moral. Estão expostos a ataques brutais. Leia o caso abaixo, que determinou a paralisação do atendimento em unidade de atenção primária em Passos, Minas Gerais..
http://www.correiodoslagos.com.br/content/view/7932/1/
AGRESSÃO A FUNCIONÁRIOS DEIXA PSF SEM ATENDIMENTO MÉDICO

14-Nov-2011

A unidade do Programa Saúde da Família do bairro São Francisco está sem atendimento médico depois que uma usuária do sistema de saúde agrediu dois funcionários daquele local: o médico Mauro Fernando Pires Maia e a enfermeira Monalise Lemos. Conforme o boletim de ocorrência nº M7731-2011-0042019, da Polícia Militar, a senhora E.A.R.S. agrediu a enfermeira e o médico, ameaçando-os de morte. A enfermeira levou um soco e teve os cabelos puxados pela agressora, que foi conduzida pela PM para a delegacia de polícia. O fato ocorreu na manhã desta quinta-feira (10/11), no PSF São Francisco. A senhora E.A. estava em companhia do pai, que passaria por atendimento médico. Mauro Fernando, que já fora ameaçado pela mesma senhora em outra ocasião, conforme o boletim de ocorrência, disse que atenderia o paciente, desde que este fosse acompanhado por outra pessoa. A referida senhora se revoltou e passou a fazer ameaças de morte ao médico e à enfermeira, agredindo fisicamente esta. A polícia foi chamada ao local, onde registrou o boletim de ocorrência. Na manhã desta sexta-feira (11/11), o médico procurou o Departamento de Pessoal da Prefeitura, entrando com um pedido de afastamento por se sentir em risco, no local de trabalho. O médico aceitou a sugestão do secretário municipal de Administração, Nilton Fernando da Silveira, para que passe a atender em outra unidade do PSF, sugestão esta que Nilton encaminhará ao titular da pasta da Saúde, o médico Cleiton Piotto Assunção.

Dificuldades

O titular da Secretaria de Saúde, Cleiton Piotto, lamentou o ocorrido e disse que os maus usuários do sistema de saúde acabam dando prejuízo a toda a comunidade, encarecendo os custos, e causando outros tipos de problemas, como este. “Estamos gastando cerca de 25% do orçamento municipal com a área de saúde, o que é muito acima do preconizado pela Organização Mundial de Saúde, com o intuito de melhorar os serviços cada vez mais, e ainda temos de enfrentar esse tipo de problema causado por maus usuários”, observou o secretário.

Segundo ele, a atitude da senhora E.A. prejudicou toda a comunidade atendida pelo PSF São Francisco. “Não temos como repor outro profissional no lugar do Dr. Mauro, uma vez que temos enfrentado dificuldades para preencher os processos seletivos voltados para a contratação de médicos”, explicou. Cleiton disse que os maus usuários do sistema de saúde geram problemas para toda a população. “Usam mal o sistema as pessoas que fazem consultas desnecessárias; que nem procuram os exames feitos ou que sobrecarregam a Unidade de Pronto Atendimento (UPA), mesmo não sendo casos de urgência e emergência”, observou.

O titular da Saúde disse que as pessoas têm direitos, mas também têm deveres. “Por isso, além de respeitar os profissionais que atuam na área de saúde, devem usar bem o sistema, para que não falte aos demais”, frisou Cleiton. A título de exemplo, ele informou que, num curto período deste ano, 108 exames foram feitos, mas não foram procurados por pacientes atendidos no Ambulatório Nossa Senhora Aparecida. “E esse é apenas um exemplo do que ocorre na rede municipal de saúde, ou seja, algumas pessoas desperdiçam e prejudicam outras que necessitam de fato do serviço de saúde”, finalizou. Fontes: Sead/Saúde – PMP.

Carta aos gestores públicos de saúde

CARTA ENCAMINHADA AO PREFEITO DE JUIZ DE FORA E À SRA. MARIA HELENA LEAL CASTRO

Essa carta é um desabafo sincero e profundo. Tradução indiscutível da indignação solitária de uma médica vitimada por falta de trabalho decente no sistema público de saúde. Foi dirigida ao governador Sérgio Cabral, adversário da categoria médica. Pode ser aplicada, em todos os termos ao que acontece no sistema público de saúde de Juiz de Fora. Poderia ser lida pelo Prefeito Custódio Mattos e pela sua secretária de saúde, a economista Maria Helena Leal Castro.

‘O que mais preocupa não é o grito dos violentos, dos corruptos, dos desonestos, dos sem-caráter, dos sem- ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons”. Martin Luther King

Carta da DRA. MARIA ISABEL LEPSCH ao Governador do RIO DE JANEIRO, SERGIO CABRAL.

Sabe governador, somos contemporâneos, quase da mesma idade, mas vivemos em mundos bem diferentes. Sou classe média, bem média, médica, pediatra, deprimida e indignada com as canalhices que estão acontecendo.Não conheço bem a sua história pessoal e certamente o senhor não sabe nada da minha também. Fiz um vestibular bastante disputado e com grande empenho tive a oportunidade de freqüentar a Universidade do Estado do Rio de Janeiro, hoje esquartejada pela omissão e politiquices do poder público estadual. Fiz treinamento no Hospital Pedro Ernesto, hoje vivendo de esmolas emergenciais em troca de leitos da dengue. Parece- me que o senhor desconhece esta realidade. O seu terceiro grau não foi tão suado assim, em universidade sem muito prestígio, curso na época pouco disputado, turma de meninos Zona Sul ….Aprendi medicina em hospital de pobre, trabalhei muito sem remuneração em troca de aprendizado. Ao final do curso, nova seleção, agora, para residência. Mais trabalho com pouco dinheiro e pacientes pobres, o povo.. Sempre fui doutrinada a fazer o máximo com o mínimo. Muitas noites sem dormir, e lhe garanto que não foram em salinhas refrigeradas costurando coligações e acordos para o povo que o senhor nem conhece o cheiro ou choro em momento de dor.. No início da década de noventa fui aprovada num concurso para ser médica da Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro’. A melhor decisão da minha vida, da qual hoje mais do que nunca não me arrependo, foi abandonar este cargo. Não se pode querer ser Dom Quixote, herói ou justiceiro. Dói assistir a morte por falta de recursos. Dói, como mãe de quatro filhos, ver outros filhos de outras mães não serem salvos por falta de condições de trabalho. Fingir que trabalha, fingir que é médico, estar cara-a- cara com o paciente como representante de um sistema de saúde ridículo, ter a possibilidade de se contaminar e se acostumar com uma pseudo-medicina é doloroso, aviltante e uma enorme frustração. Aprendi em muitas daquelas noites insones tudo o que sei fazer e gosto muito do que eu faço. Sou médica porque gosto. Sou pediatra por opção e com convicção. Não me arrependo. Prometi a mim mesma fazer o melhor de mim. É um deboche numa cidade como o Rio de Janeiro, num estado como o nosso assistir políticos como o senhor discursarem com a cara mais lavada que este é o momento de deixar de lenga-lenga para salvar vidas. Que vidas, senhor governador ? Nas UPAS? tudo de fachada para engabelar o povão!!!! Por amor ao povo o senhor trabalharia pelo que o senhor paga ao médico ? Os médicos não criaram os mosquitos. Os hospitais não estão com problema somente agora. Não faltam especialistas. O que falta é quem queira se sujeitar a triste realidade do médico da SES para tentar resolver emergencialmente a omissão de anos. A mídia planta terrorismo no coração das mães que desesperadas correm a qualquer sintoma inespecífico para as urgências… Não há pediatra neste momento que não esteja sobrecarregado. Mesmo na medicina privada há uma grande dificuldade em administrar uma demanda absurda de atendimentos em clínicas, consultórios ou telefones. Todos em pânico. E aí vem o senhor com a história do lenga- lenga. Acorde governador ! Hoje o senhor é poder executivo. Esqueça um pouco das fotos com o presidente e com a mãe do PAC, esqueça a escolha do prefeito, esqueça a carinha de bom moço consternado na televisão. Faça a mudança. Execute. “Lenga-lenga” é não mudar os hospitais e os salários. Quem sabe o senhor poderia trabalhar como voluntário também. Chame a sua família. Venha sentir o stress de uma mãe, não daquelas de pracinha com babá, que o senhor bem conhece, mas daquelas que nem podem faltar ao trabalho para cuidar de um filho doente. Venha preparado porque as pessoas estão armadas, com pouca tolerância, em pânico. Quem sabe entra no seu nariz o cheiro do pobre, do povo e o senhor tenta virar o jogo. A responsabilidade é sua, governador. Afinal, quem é, ou são, os vagabundos, Governador ? Dra. Ma. Isabel Lepsch ICARAÍ Rua Miguel de Frias 51 sala 303 Tel: 2704-4104/9986- 2514 NITERÓI Av. Amaral Peixoto 60 sala 316 Tel: 2613-2248/2704- 410 4/9982- 8995 SÃO GONÇALO Rua Dr. Francisco Portela 2385 Parada 40 Tel: 2605-0193/3713- 0879 Através da Divulgação é que podemos tentar ajudar a diminuir a DESASISTÊNCIA TOTAL DO GOVERNO AOS HOSPITAIS PÚBLICOS DO BRASIL