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Médicos estrangeiros não estão preparados para a realidade brasileira

PUBLICADO EM 18/08/13 – 03h00
Isabella Lacerda

A chegada de médicos de diferentes nacionalidades para atuar no programa Mais Médicos, do governo federal, sem a necessidade de comprovação de boa formação preocupa representantes de entidades ligadas à saúde. E isso não acontece por acaso. A reportagem de O TEMPO consultou as grades curriculares das principais universidades de medicina de Argentina, Bolívia, Cuba e Espanha – países preferidos pelos brasileiros – e comparou as disciplinas disponíveis e as cursadas no Brasil. As principais diferenças são encontradas na formação prática e no reconhecimento de doenças. Em nenhum dos países, por exemplo, há aulas de epidemiologia.

 

Na primeira fase do programa, os médicos estrangeiros virão, principalmente, de Argentina (141), Espanha (100), Cuba (74), Portugal (45) e Venezuela (42), para ocupar vagas não procuradas por brasileiros.

O pneumologista e ex-presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Edson Andrade, que já foi a Cuba conhecer a estrutura do ensino de medicina no país, é enfático ao dizer que a diferença de realidade entre os países pode ser prejudicial. “Cuba é um país empobrecido, que oferece saúde de forma contingenciada. O objetivo do governo é fazer com que os estudantes atuem na realidade do país. Quem só termina o curso de medicina e vem para o Brasil tem uma dificuldade imensa de atuar aqui”. Andrade ressalta as diferenças tecnológicas e de medicamentos como pontos questionáveis, assim como a falta de estrutura de laboratórios.

Para o vice-presidente do CFM, Carlos Vital, o maior objetivo da União com o Mais Médicos é abrir vagas para os cubanos. “Já há um acordo para que venham 6.000 cubanos, foi um pretexto”, diz. Segundo o médico, as diferenças curriculares realmente são problemáticas. “O tempo de formação é diferente, a grade curricular não atende o que é preciso para o Brasil. Não é por acaso que os índices de reprovação no exame de revalidação do diploma são de 90% para estrangeiros”.

Contraponto. Médicos estrangeiros que atuam no Brasil relatam que as diferenças existem, mas são superáveis. É o caso da psiquiatra Heloise Delavenne, 33. Formada na França, ela veio para o Brasil em 2011, após se casar com um brasileiro.

Heloise conta que a adaptação linguística foi o maior desafio. “Na França, as matérias são parecidas com as do Brasil. Cheguei a estudar um pouco das doenças tropicais lá. Aos poucos vamos adaptando”, conta Heloise, que foi aprovada no Revalida em 2012 e mora em Belo Horizonte.

O iraniano Leonardo Dargahi, 36, não teve a mesma sorte. Formado no Teerã, capital do Irã, ele se mudou em 2010 para o Rio de Janeiro, mas por um problema no visto de permanência ainda não pode revalidar seu diploma. “Estou estudando para fazer a prova. Estou vendo algumas doenças que não conhecia, como a tuberculose”.

http://www.otempo.com.br/cidades/médicos-não-estão-preparados-para-a-realidade-brasileira-1.698951

FENAM – FENAM repudia proposta de promover uma “chamada internacional” de médicos para o Brasil

http://portal.fenam2.org.br/portal/showData/402555 A Federação Nacional dos Médicos (FENAM) repudia a proposta da Frente Nacional de Prefeitos e da Associação Brasileira de Municípios de promover uma “chamada internacional” de médicos para trabalhar no Brasil. O presidente da entidade, Geraldo Ferreira, esclarece que a defasagem no número de profissionais para atender nas periferias das grandes cidades se deve à falta de subsídios e convênios que valorize o trabalho. “A maioria das prefeituras não tem condições de pagar os médicos. O governo precisa estimular a criação do piso salarial e plano de carreira, com repasses para os municípios carentes. Só dessa forma teremos contratação nacional adequada”. Diante das dificuldades encontradas para contratar, os prefeitos recorreram ao Ministério da Saúde para viabilizar juridicamente a ideia de trazer formandos em medicina do exterior. O objetivo é flexibilizar a entrada desses profissionais e preencher todas as vagas para atender nas grandes periferias das cidades. Ferreira argumenta que seguir esse caminho não assegura o atendimento de qualidade para a população e dentro dos moldes do no nosso país. Para ele, o Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos Expedidos por Instituições de Educação Superior Estrangeiras (REVALIDA) é a única maneira de avaliar corretamente o ensino da medicina fora do Brasil. “Comprovadamente, os médicos formados no exterior não correspondem às necessidades do mercado brasileiro, a formação é duvidosa, precária e deficiente. Prova disso foi o resultado do último Revalida que admitiu apenas 14% dos inscritos”, concluiu.

Entidades médicas ingressam ação contra revalidação de diploma de estrangeiros

Manobra para desvalorizar o trabalhador médico dos serviços públicos de saúde de Pernambuco esbarra com a resistência das entidades médicas.

Ação contra precarização da saúde pública em Pernambuco já está na Justiça!

Leia a matéria em

http://www.pernambuco.com/ultimas/nota.asp?materia=20120429085808&assunto=71&onde=VidaUrbana

O Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe), o Conselho Regional de Medicina (Cremepe) e a Associação Médica de Pernambuco (AMPE) entraram com uma ação civil pública, na Justiça Federal, pedindo a anulação do Termo de Cooperação Técnica e do edital do Revalidação de Diploma de Médico Graduado no Exterior da Universidade de Pernambuco (Provalida UPE). O objetivo da Provalida é revalidar diplomas de graduação em medicina expedidos por instituições de ensino estrangeiras.
Os alvos da ação civil pública, ingressada na última sexta-feira (27), são o Governo do Estado, Universidade de Pernambuco (UPE) e Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe). Segundo nota divulgada pelo Simepe, Cremepe e AMPE, “o Provalida é uma tentativa adotada pelo Governo Estadual para burlar a realização de Concursos Públicos e facilitar a entrada de profissionais estrangeiros com formação acadêmica duvidosa para atuar nos serviços de saúde pública”.
Para os representantes das entidades, “falta uma política concreta de fixação dos profissionais no interior do Estado, com plano de carreira de base estadual com instrumentos que incentivem a interiorização do trabalho, investimentos adequados em estrutura física, apoio diagnóstico e rede de referência, garantindo remuneração adequada aos médicos”, diz a nota.
De acordo o presidente eleito do Simepe, Mário Jorge Lôbo, o Sindicato é totalmente contrário a tentativa de flexibilização do processo de revalidação do diploma médico para facilitar o acesso ao serviço público. Outra questão levantada pelo vice-presidente do Sindicato, Fernando Cabral, é o fator discriminatório que o processo impõe aos médicos com o diploma de formação nacional.
Provalida – O processo de inscrição para a Revalidação de Diploma de Médico Graduado no Exterior da Universidade de Pernambuco começará nesta segunda-feira (30) e segue até o próximo dia 14 de maio. Para ter o diploma validado pela UPE o profissional passará por uma análise documental, prova teórica objetiva, prova teórica discursiva e avaliação de habilidades.
Para participar do processo, o profissional deverá ser brasileiro ou estrangeiro em situação legal de residência no Brasil. Terá ainda que ser portador de diploma de médico expedido por instituição superior estrangeira com carga horária mínima de 7.200 horas, período de integralização de seis anos e 35% da carga horária em regime de treinamentos em serviços/internato.

ENTIDADES MÉDICAS ASSUMEM POSIÇÃO UNÂNIME CONTRA REVALIDAÇÃO AUTOMÁTICA DE DIPLOMAS ESTRANGEIROS

A notícia publicada no Diário do Grande ABC mostra que as entidades médicas rejeitam a revalidação automática dos diplomas de Medicina obtidos no estrangeiro. Quase todos esses países não dão reciprocidade, ou seja, não revalidam diplomas médicos brasileiros automaticamente. Além disso há disparidades curriculares e diferenças importantes quanto à legislação sobre a saúde, medicamentos disponíveis no Brasil, protocolos e diretrizes que podem gerar problemas, até mesmo dificuldades de comunicação por diferenças linguísticas e expressões comuns. Fica a pergunta se igual critério será aplicado também a outras profissões. De qualquer modo a posição das entidades médicas encontra respaldo entre a classe médica e a maioria dos brasileiros responsáveis.

 


                                   Entidades médicas são contra revalidação automática

Entidades médicas vão entregar ao Ministério da Saúde e ao da Educação um manifesto contra a revalidação automática de diplomas de medicina obtidos em países estrangeiros. “Essas preocupações não são apenas de profissionais brasileiros, mas da comunidade médica internacional”, afirmou o presidente do Conselho Federal de Medicina, Roberto D’Avila. “Em qualquer país sério, um médico estrangeiro, antes de começar a trabalhar, tem de passar por uma avaliação”.

Batizado de Declaração de Florianópolis, o documento foi aprovado por representantes de 17 países que participaram semana passada de um encontro na capital de Santa Catarina e deve ser usado agora como argumento diante da decisão do governo de afrouxar as regras para facilitar a entrada no Brasil de médicos formados no Exterior.

Em sua edição desta terça-feira, jornal O Estado de S. Paulo mostrou que, entre as medidas em avaliação, está a dispensa do exame de validação de diplomas, o Revalida, considerado como um dos maiores obstáculos para entrada de profissionais de baixa qualidade no País. Na última edição do exame, menos de 12% dos médicos inscritos receberam autorização para trabalhar no País.

Uma das estratégias avaliadas seria oferecer uma espécie de residência no serviço público para médicos formados. Esses profissionais trabalhariam durante dois anos, principalmente no Programa de Saúde da Família de cidades distantes, onde há dificuldades para contratar médicos. Terminado este prazo do estágio, os médicos ficariam dispensados de fazer o Revalida. Há também quem defenda simplesmente o fim do exame e uma revalidação automática do diploma obtido em faculdades estrangeiras.

“A dispensa de um exame como este acaba abrindo uma perigosa brecha para a entrada de médicos de capacitação duvidosa para o País”, afirma o médico Desiré Callegari, também integrante do CFM. “É tentar um remendo numa política que exige grande seriedade. O que é preciso é uma carreira, incentivo para atrair profissionais para postos mais distantes”, completou.

As medidas em análise atendem a um pedido da presidente Dilma Rousseff, que considera insuficiente o número de médicos no País. A estratégia é composta de duas frentes: a abertura de novas faculdades e o reforço dos médicos estrangeiros, que poderiam atuar enquanto a nova leva de profissionais não se forma.

“A medida está certa. Hoje há enormes vazios de assistência, médicos que não querem trabalhar em qualquer lugar, principalmente no sistema público”, afirma Francisco Batista Júnior, do Conselho Nacional de Saúde. “A entrada de médicos estrangeiros acaba mudando essa lógica, mexendo com todo mercado”. A criação de alternativas para o Revalida, em sua avaliação, não levaria a uma queda da qualidade na assistência. “Há profissionais competentes formados em Cuba. Eles têm uma outra visão, muito mais voltada para a prevenção”.

A estimativa oficial é de que haja 291,3 mil médicos no Brasil, o equivalente a 1,6 para cada mil habitantes. Um número que não é aceito pelo CFM. De acordo com a entidade, em outubro de 2011, havia 371.788 médicos em atividade no Brasil, o equivalente a 1,95 médicos para cada mil habitantes.

 

Fonte: http://www.dgabc.com.br/News/5950473/entidades-medicas-sao-contra-revalidacao-automatica.aspx