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O extremismo da autonomia médica contra as evidências levantado como bandeira pelo presidente do CFM

IMG_0858(capa do livro “O Médico e o Monstro”, de R. Stevenson, da editora Principis)

Em maio de 2020 já não havia qualquer evidência da eficácia da cloroquina contra a COVID, seja na forma de um suposto “tratamento precoce” ou do ainda mais ridículo e inaceitável tratamento preventivo (https://www.unicamp.br/unicamp/noticias/2020/05/21/nao-ha-evidencias-que-cloroquina-seja-eficaz-em-prevencao-ou-tratamento-da).

A OMS contraindica o uso desse “tratamento precoce” (https://noticias.uol.com.br/confere/ultimas-noticias/2021/03/23/tratamento-precoce-covid-cloroquina-nao-funciona.htm).

Bastou o presidente da República, negacionista da “gripezinha” que levou mais e 600 mil vidas, deixando um rastro de dor e sofrimento em milhões de brasileiros, aparecer em lives exibindo caixinhas de cloroquina, como propagandista de laboratório farmacêutico que apareceram médicos bolsonaristas, em grita, defendendo uma Medicina contra as evidências e respaldados por um conselho (CFM) que levou a um radical extremismo o conceito de autonomia médica.

O presidente do CFM recusou declarar a ineficácia da Cloroquina para COVID, rejeitando evidências e recomendação da OMS (https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,cloroquina-nao-deve-ser-descartada-contra-a-covid-so-por-pesquisas-diz-presidente-do-cfm,70003863514), sendo por isso alvo de críticas das associações médicas que reúnem especialistas em tratamento de COVID (https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,presidente-do-cfm-e-criticado-por-associacoes-medicas,70003864105.amp). Além de tudo foi crítico da ação investigativa da CPI da COVID, que permitiu que a opinião pública tomasse conhecimento da condução errática do governo na pandemia. As declarações do presidente do CFM não reflete a exigência da Ciência, nem a da Ética Médica e nem a maioria dos médicos. Falou para agradar o médico bolsonarista que é barulhento nas redes sociais, mas não é o modelo do médico brasileiro.

Afinal, quem é esse médico bolsonarista médio?

Transcrevemos um excelente artigo que bem o descreve:

Diagnosticando o “médico bolsonarista”

Wilson Gomes

Doutor em Filosofia e professor titular da Faculdade de Comunicação e do programa de Pós Graduação em Comunicação e Cultura da UFBA. É também coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital (INCT.DD), rede de laboratórios associados que envolve 20 instituições.

(Revista Cult)

Dos tipos políticos mais extravagantes encontrados no fundo desse abismo em que nos encontramos, o “médico bolsonarista” é um dos mais intrigantes. O enigma começa com as duas palavras que o designam: ele é médico por substantivo, quer dizer que exerce um ofício considerado nobre em qualquer sociedade, que consiste em curar e salvar vidas; mas é também bolsonarista, por adjetivo, portanto filiado a uma atitude política que, como sobejamente demonstrado a este ponto da nossa odisseia pandêmica, coloca a identidade tribal e o fanatismo em um lugar infinitamente superior ao apreço por vidas humanas e à missão de cuidar e curar. A tensão entre o substantivo e o adjetivo parece indicar um paradoxo. Na verdade, trata-se de um oximoro, como em “claro enigma”, “som do silêncio” ou “instante eterno”. Também neste caso, o adjetivo devora, anula ou contradiz o substantivo. O “médico bolsonarista” é, portanto, uma contradição ambulante, que só a singularidade da fauna dos abismos poderia comportar.

Não se enganem supondo a superioridade do substantivo sobre o adjetivo. O “médico bolsonarista” não é um médico que também é bolsonarista, mas um bolsonarista que ganha a vida exercendo a medicina. O bolsonarismo é que o define, posto que a ele se subordina tudo o mais o que a pessoa é, como pai, amigo, vizinho e, naturalmente, profissional da área de saúde. Não terá escrúpulos de usar, por exemplo, o prestígio, a distinção e a autoridade que a sociedade lhe concede por ser médico para fazer propaganda para a sua facção política mesmo em matérias e posições que violem francamente o seu juramento e ponham em risco a saúde dos seus pacientes, pois ele é primeiro um missionário de uma crença e o soldado de uma causa. A medicina vem depois disso, para ser usada como argumento de autoridade e facilitar a inoculação desta subespécie de bolsonarismo que surgiu na pandemia, o bolsonarismo clínico.

Chegou-se ao ponto que as mídias sociais estão cheias de exemplos de médicos autoconcedendo-se um upgrade ao status de cientista, mas não para ajudar as pessoas e as autoridades neste momento em que mais se precisaria deles, e sim para neutralizar o que prescreve e recomendam as autoridades de saúde mundo afora e para desqualificar os poucos consensos que a comunidade científica internacional tem conseguido sobre os modos corretos de se enfrentar o vírus. Ele não descobre nem cria conhecimento, ele os sabota, exorbitando da sua autoridade.

Médicos não são cientistas, são graduados e, eventualmente, pós-graduados em medicina, e não pesquisadores com anos de laboratório, publicações científicas e um título de PhD para início de conversa. O “médico bolsonarista”, contudo, não reconhece a distinção e pontifica em vídeos no WhatsApp, no Instagram ou no YouTube “desmascarando” a ciência e “revelando” a verdade sobre a Covid-19 que, por coincidência, é a mesma do bolsonarismo e dos negacionistas e e dos militantes antivacinas pelo mundo. Baseados em quê? Em ciência não é, porque o campo científico da saúde, nos dias que correm, publica diariamente centenas de estudos clínicos sobre Covid-19, que o profissional médico que está atendendo não tem a mínima condição de revisar. Mas o “médico bolsonarista” não se baseia na ponta de lança da ciência nem nas deontologias básicas da sua área, e sim nos embustes tribais da extrema-direita sobre o comunismo e o globalismo, mas, também, sobre epidemiologia, virologia e farmacologia e medicina.

Médicos não são cidadãos e, portanto, não podem ter sua própria ideologia política? Bem, para começar, é certamente superestimar o estágio atual do bolsonarismo considerá-lo uma ideologia. Seria supor algum sistema, um conjunto de valores coerentes, uma visão de mundo e de país. Como ouvi esta semana do embaixador Marcos Azambuja, pensar o bolsonarismo como ideologia é tentar encontrar algum método nessa loucura. A posição antivacina, a insistência em pseudomedicamentos, a negação e minimização da doença tem qualquer coisa a ver com ser de esquerda ou direita, conservador ou liberal? Nada. Não há um por quê nem para quê nesse comportamento e nessa convicção, como é claro neste momento para qualquer pessoa lúcida. Não se trata, portanto, de ideologia, de uma perspectiva minimamente coerente, mas de uma atitude e de umas concepções avulsas e avessas à racionalidade que, per se, são claramente incompatíveis com a visão de mundo da própria medicina.

Além disso, embora muitos médicos tenham se recuperado da patologia bolsonarista com o choque de realidade que tomaram com a pandemia, ainda há mais médicos no bolsonarismo do que qualquer outra classe profissional, exceto talvez policiais, milicianos e profissionais da área de segurança em geral. O que é de causar perplexidade, pois os médicos e os profissionais da área de saúde estão dentre os que pagaram o preço mais alto em vida e sacrifícios pessoais pela pandemia que nos assola há um ano. E são estes mesmo médicos os que sabem por experiência pessoal, nos plantões excruciantes, na experiência da morte e da doença do pessoal da linha de frente bem como de seus colegas e amigos, o quanto a mais completa falta de atuação produtiva do governo levou a este morticínio. Por que insistem em ficar do lado da peste em vez de lutar contra ela?

Infelizmente, o bolsonarismo

não infectou a classe médica

com tal intensidade e

velocidade por acaso.

Lastimavelmente, há uma

cultura da classe médica

brasileira – quer dizer, um

conjunto de significados,

mentalidades e valores

compartilhados coletivamente

– que é majoritariamente

conservadora e elitista.

E não me venham com corporativismos, pois disso sabem muito melhor que eu os médicos e profissionais de saúde que, por sorte, são dissidentes e reativos a esses valores dominantes. Foi esse elemento conservador e elitista do DNA da classe médica que serviu como porta de entrada do vírus do bolsonarismo no organismo da corporação e dos seus profissionais. E é o que tanto dificulta a recuperação dos pacientes.

A história da simbiose entre médicos e a extrema-direita pode ser registrada em vários momentos dos oitos anos que nos trouxeram ao abismo. Assim, em 2013, vimos o médico protobolsonarista assediando médicos cubanos nos aeroportos, enquanto, em 2015, assistimos ao médico antipetista em manifestações, com seus jalecos brancos, gritando “Dilma Vaca” e denunciando a infiltração comunista por meio do Programa Mais Médicos. Em 2018, fomos finalmente apresentados ao médico bolsonarista declarando não atender filhos de petistas, desejando malignamente que petistas importantes viessem parar no seu plantão, e compartilhando fake news (“até cair o dedo”) sobre kit gay, a grana de Lulinha e o perigo comunista em seus grupos de WhatsApp. Sim, as nossas pesquisas constataram que os grupos de médicos são das mais importantes correias de transmissão de fake news bolsonaristas no Brasil.

Durante todo o ano de 2020 vimos o médico bolsonarista, sob o olhar silente ou cúmplice do Conselho Federal de Medicina, sabotando as medidas da OMS, promovendo e prescrevendo falsos medicamentos, negando a pandemia e minimizando as mortes dela decorrentes. Muitos o fazem até hoje. Não temos mais, em 2021, contudo, o benefício da ignorância com respeito a de que lado está o bolsonarismo no morticínio a que assistimos, estarrecidos, todos os dias.

Os médicos e outros agentes da área de saúde não podem mais honestamente alegar desconhecimento ou dúvida. Os doutores que continuam desafiando a OMS e o senso comum mundial prescrevendo ivermectina e cloroquina como se tivesse cabimento fazer de uma prescrição a um paciente enfermo um statement político, os doutores que gravam e postam vídeos de WhatsApp negando a letalidade da pandemia ou atacando o isolamento social e o lockdown, esses doutores já não são mais apenas um constrangimento moral, como os que insultaram cubanos ou gritavam palavras de baixo calão contra a ex-presidente. São a negação de tudo o que a medicina deve ser para as pessoas. Quando estamos morrendo à razão de mais de 4 mil brasileiros por dia, a quem recorreremos se o médico que nos atender pode estar mais interessado em defender sua facção política e suas crenças tribais do que em nos tratar?

O bolsonarismo na classe médica, além de uma patologia moral, virou uma doença intelectual e uma moléstia profissional que leva o acometido a sacrificar tudo – toda e cada uma das crenças da medicina e do seu sublime contrato com a humanidade – no altar do seu fanatismo ideológico. Hoje, depois de tudo o que sabemos sobre a doença e a sua letalidade, quando os erros cometidos são cristalinos e ninguém pode alegar ignorância ou inocência, o “médico bolsonarista”, essa triste entidade, é basicamente um colaboracionista, um dócil e empenhado soldadinho de jaleco branco do bolsonarismo e da sua Solução Final.

Wilson Gomes

PEC 32 é um virulento ataque ao serviço público e aos direitos e garantias dos trabalhadores do setor público. Educação e saúde pagarão o preço, se isso for aprovadol

Luta por direitos

PASSO DECISIVO DE UM GOLPE: o SERVIÇO PÚBLICO TRANSFORMADO EM LIXO PELA PEC32

Vamos tratar de um assunto sério que não tem tido atenção da mídia, mas que está vinculado à sorte da maioria dos brasileiros, que depende do Estado para ter acesso a serviços fundamentais como Saúde e Educação. “A reforma, enviada pelo governo Jair Bolsonaro (sem partido), já foi aprovada pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça da Câmara). Ela precisa ser aprovada em dois turnos no plenário, com três quintos dos votos. Depois, ainda precisa passar pelo Senado, onde precisa ter no mínimo 49 votos, também em dois turnos, para então ser promulgada” (https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2021/08/19/reforma-administrativa-pec-32.htm).

A PEC 32 é um retrocesso e significa o desmonte do serviço público, do qual dependem diretamente a maioria dos brasileiros. A ideia, fundamentada no conceito de “estado mínimo”, terá como objeto tornar os serviços prestados à população precários e sujeitos aos humores dos hóspedes do poder. (Veja também https://www.jota.info/opiniao-e-analise/artigos/pec-32-2020-e-a-tentativa-de-captura-do-estado-para-interesses-privados-30092021)

Está em curso na Câmara dos Deputados o projeto que visa a destruição do serviço público brasileiro, por meio de um retrocesso histórico ( https://www.camara.leg.br/propostas-legislativas/2262083 ). Houve tempo em que a cada troca de governo os hóspedes do poder tinham poderes e artifícios para trocar todos os servidores públicos segundo seus interesses. Querem voltar a esse tempo, embalados pela música de fundo repetitiva do tal “estado mínimo”. Somos um país pobre. A maioria dos servidores públicos são da Saúde e da Educação, pagos, geralmente, com salários abaixo do mercado por cofres dos municípios. Esses serão os mais afligidos, não os “marajás “ legislativos e judiciários do imaginário popular acerca do serviço público. E sendo os mais afligidos os servidores municipais da Saúde e educação, também serão os usuários desses serviços, ou seja, a maioria dos brasileiros.

“A PEC da Nova Administração Pública traz dispositivos autoaplicáveis relacionados à governança. Uma das mudanças amplia atribuições do presidente da República para alterações na administração e nos órgãos do Poder Executivo por meio de decreto – atualmente é necessário projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional.

Fonte: Agência Câmara de Notícias ( https://www.camara.leg.br/noticias/690350-pec-muda-regras-para-futuros-servidores-e-altera-organizacao-da-administracao-publica/ )

O projeto do governo Bolsonaro vai na contramão de um Estado democrático e eficiente, que garanta mais acesso e qualidade de serviços à população e direitos aos servidores. “A professora e pesquisadora Gabriela Lotta, da Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas (FGV/Eaesp), se soma aos que questionam a PEC 32. “As medidas vão na contramão de um Estado que atenda melhor o cidadão”, afirma. Do lado do servidor, ela observa que a proposta não só não combate as desigualdades como tende a aumentá-las.” ( https://www.redebrasilatual.com.br/politica/2021/10/reforma-administrativa-nao-melhora-o-estado-e-tende-a-aumentar-desigualdades/ )

A PEC 32 tem enfrentado, felizmente para o usuário de serviços públicos, especialmente de Saúde e Educação, forte resistência entre entidades sindicais e parlamentares. “Desde 2020 a PEC vem avançando no Congresso Nacional e já completou um ano de tramitação. “Ainda não é a Reforma Administrativa que o Brasil precisa. O texto atual é uma melhoria em relação ao original, entregue por Paulo Guedes e Bolsonaro, mas não é suficiente para ser encarado como algo que deva ser defendido. Não há nada que justifique as propostas oferecidas e estamos aqui para tentar derrubar o texto por inteiro”, afirmou o deputado federal e presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa do Serviço Público (Servir Brasil), professor Israel Batista (PV/DF). “A PEC 32 pretende desconvidar os servidores públicos e parlamentares a tomada de decisão no país”. ( https://www.migalhas.com.br/quentes/353175/parlamentares-manifestam-se-contra-a-pec-da-reforma-administrativa ). O fundamento das ideias que sustentam o apoio à reforma administrativa é o conceito de estado mínimo (https://faxsindical.wordpress.com/2021/10/17/estado-minimo-e-maximo-para-os-mais-ricos/ )

“A PEC 32 (Reforma Administrativa) se apoia em informações falsas, dados inconsistentes, estudos a que ninguém pode ter acesso, velhos preconceitos e uma forte carga ideológica para aprovar uma agenda que dá carta branca para políticos dominarem completamente a máquina estatal.” (https://naoapec32.com.br/)

O debate está aberto. A PEC segue adiante na Câmara, tocando como a orquestra do Titanic durante o naufrágio (https://noticias.uol.com.br/colunas/josias-de-souza/2021/10/17/cpi-expoe-naufragio-mas-centrao-mantem-bolsonaro-como-maestro-do-titanic.htm ) sob a batuta de Artur Lira, que segue na sua perigosa aliança com o capitão de um navio que está naufragando. Compete a todos, trabalhadores e usuários de serviços públicos, combater esse absurdo e tomar nota do nome de quem apoia e vota nisso.

Estado mínimo é máximo para os mais ricos

Decisões políticas sempre nascem de conceitos e preconceitos, de ideias que fundamentam as declarações e atos daqueles que são responsáveis por tomadas de decisões. Uma animosidade entre políticos que adotam a linha do neoliberalismo ou dos “liberais na economia” e o serviço público é sempre notada. Afinal querem o estado mínimo, que justifica a redução de impostos para os mais ricos e serviços públicos de menor qualidade para os mais necessitados, incluindo aqui Saúde, Educação e segurança pública, que são prestadas pelo estado que se sustenta pelos impostos que todos pagam.

A ideia do estado mínimo sempre fundamenta declarações, conceitos e preconceitos de defensores de medidas no estilo da PEC32. O que é, afinal, o estado mínimo?

Em matéria publicada em O GLOBO, de 15/04/2020, Denis R. Burgierman (. https://oglobo.globo.com/epoca/denis-r-burgierman/coluna-a-grande-mentira-que-te-contaram-sobre-estado-minimo-24373746) trata da questão do estado mínimo:

“Ao longo das últimas décadas, repetiu-se tanto que um país é melhor quanto menos Estado houver, que virou dogma; agora, com a pandemia, ficou claro: era cascata e nos ferramos.”

E, segue tratando do fracasso dessa ideia diante de situações como a crise sanitária trazida pela pandemia de COVID:

“Tem uma tese que foi ganhando credibilidade nos últimos anos, incensada na mídia e nas redes sociais, segundo a qual todo Estado é, por definição, indesejável. Nas últimas eleições, em 2016 e 2018, pegou bem votar a favor do “Estado Mínimo” – ou contra o Estado. Um monte de candidatos chegaram aos legislativos e executivos baseando todo o seu discurso na afirmação de que qualquer atuação estatal é ineficiente, e portanto estaremos melhor quanto menos Estado houver (e quanto menos impostos pagarmos). Essa tese perdeu todo o fôlego ao longo do último mês, e morreu sufocada ontem.”

Afinal, quem vacinou e providenciou os respiradores foi o estado.

O estado mínimo está dentro de um projeto político bem determinado, que não inclui a sorte dos mais necessitados e das enormes parcelas da população carente de países desiguais, como é o caso do Brasil (http://www4.pucsp.br/neils/downloads/v1_artigo_moraes.pdf)

O estado mínimo, podemos dizer, é o máximo para os mais ricos. ( https://outraspalavras.net/crise-brasileira/estado-minimo-e-o-maximo-para-os-super-ricos/)

Não é compreensível o silêncio do Conselho Federal de Medicina diante da catástrofe da COVID

Que o CFM exija das autoridades públicas as garantias de um atendimento correto e protetor para a nossa população enferma

A COVID volta a assustar o Brasil. Já é a segunda onda?

Muitos questionam se o Brasil está recebendo o impacto de uma segunda onda de infecções por COVID antes que a primeira tenha passado. O fato é que, independente de onda, atendimentos e internações em enfermaria e UTI estão aumentando.

Domingo, 22 de novembro de 2020 – a taxa de ocupação de UTI por COVID no Rio chega a 92%.

Medidas restritivas que visam diminuir aglomerações e facilitar o isolamento social haviam sido relaxadas na cidade.

Muitos falam de segunda onda, que teria começado sem que a primeira tivesse sido completamente superada.

A falta de uma liderança do governo federal no combate à pandemia, a testagem deficiente e o descaso com o distanciamento social contribuem para a propagação do vírus e suas consequências.

Informou o G1:

“No domingo (22), a taxa de ocupação dos leitos de UTI exclusivos para pacientes com o novo coronavírus na rede SUS do Rio tinha o mesmo índice do mês de maio. Secretaria Municipal de Saúde se diz preparada e não acredita em segunda onda da doença.”

https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2020/11/23/rj-tem-aumento-de-casos-de-covid-19-e-taxa-de-ocupacao-de-leitos-de-uti-na-rede-sus-chega-a-92percent.ghtml

E o portal Money Times:

“A taxa de ocupação de leitos de UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) para covid-19 pelo Sistema Único de Saúde (SUS) chegou a 92% na cidade do Rio de Janeiro, no dia de ontem (22). É a maior ocupação desde 12 de junho deste ano, segundo a Secretaria Municipal de Saúde.”

https://www.moneytimes.com.br/ocupacao-de-leitos-publicos-de-uti-para-covid-19-chega-a-92-no-rio-de-janeiro/

Também o portal do jornal Valor Econômico registrou a espantosa alta na ocupação de UTIs:

https://valor.globo.com/brasil/noticia/2020/11/23/rio-tem-alta-de-casos-de-covid-19-e-ocupacao-de-utis-publicas-chega-a-92percent.ghtml

Essa situação se repete em muitas outras cidades. Causou estranheza saber que o Ministro da Saúde não distribuiu os testes necessários para estados e municípios, que ficaram estragando em depósitos. Grande parte da sociedade contra trabalho ao governo federal, que parece inerte e acomodado diante da pandemia. O governo federal ainda não explicou o que fará com os estoques gigantescos de cloroquina que Bolsonaro mandou fabricar e que estão encalhados. Nunca houve comprovação científica de que cloroquina fosse cura para COVID.

Manifestação na Rodoviária de Brasília em defesa do SUS e de protesto contra erros da crise sanitária

Ato em forma de cortejo fúnebre na Rodoviária de Brasília foi em defesa do SUS e protesto pela má condução da saúde pública pelo governo Bolsonaro.

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Ato público na Rodoviária de Brasília foi em defesa do SUS e de protesto contra a forma desastrosa que o governo federal vem conduzindo a saúde pública no Brasil.

“O objetivo do ato cênico, no formato de cortejo fúnebre, foi  para questionar o modo com que o governo Bolsonaro tem atuado em relação à saúde pública brasileira.”

https://jornaldebrasilia.com.br/cidades/manifestantes-protestam-em-defesa-do-sus-na-rodoviaria-de-brasilia/

Sindicatos norte-americanos vêem derrota de Trump como vitória dos trabalhadores

Governos como Trump e Bolsonaro tentaram, por todos os meios possíveis, enfraquecer a representatividade dos trabalhadores, para que a exploração do trabalho ficasse mais fácil. O que isso tem significado para a maioria dos trabalhadores formais e autônomos? Empregos piores, menos direitos, mais assédio moral, menos renda, menos saúde.

O movimento sindical americano, em um primeiro momento, vê razões de otimismo na derrota de Donald Trump.

Os sindicatos dos EUA querem mais proteção contra o CORONAVÍRUS e leis que garantam a saúde e a renda dos trabalhadores, além do fortalecimento da representatividade das pessoas que vivem de seu trabalho, por meio da organização dos sindicatos.

Matéria que pode ser lido nessa página retrata essa nova realidade esperada pelos sindicalistas norte-americanos:

https://www.redebrasilatual.com.br/trabalho/2020/11/sindicatos-americanos-esperam-dialogo-protecao-a-saude-e-reconstrucao/

Apesar das adversidades, podem passar anos ou décadas, mas sempre quem vive de seu trabalho vai sentir a necessidade de ter representatividade e voz ativa, de se organizar para fazer valer seus direitos e lutar por uma vida melhor.

Profissionais de saúde contra COVID – com trabalho provisório, sem remuneração decente e sem treinamento adequado

O serviço público de saúde no Brasil, teve papel decisivo para impedir que os danos da pandemia fossem maiores do que foram. Além das queixas relativas à contratação e remuneração do trabalho, também foi contratado que os profissionais não receberam treinamento adequado. O risco é grande e a responsabilidade imensa. Dignidade e respeito também são necessários.

Situações emergentes na saúde pública determinam novos protocolos e demandam capacitação dos profissionais da área – ainda mais se tratando de uma pandemia. Só que, no Brasil, menos da metade dos profissionais de saúde pública do país (como médicos, profissionais de enfermagem, agentes comunitários e outros) receberam algum tipo de treinamento para atuar na linha de frente da Covid-19.
— Ler em revistagalileu.globo.com/Ciencia/Saude/noticia/2020/11/menos-da-metade-dos-profissionais-de-saude-foram-treinados-na-pandemia.html

Entenda porque o servidor público não é o problema do Brasil.

sindicatoexpresso.blogspot.com/2020/11/pec32-entenda-porque-o-servidor-publico.html

Diferente do que aparece nas discussões pautadas pelo governo e pela mídia, o servidor público não é o problema do Brasil. Hospitais, escolas e segurança pública não funcionariam se não fossem as pessoas que lá atuam. Se quisermos entender um problema, temos que ouvir diferentes pontos de vista.

Em live a ser realizada hoje, 10 de novembro, a partir das 18 horas, o Sintrajud de São Paulo, representação classista dos servidores do Judiciário Federal no Estado de São Paulo, tratará da PEC 32, a proposta de reforma administrativa do governo.

No debate será colocada a falácia que domina a discussão no governo e na mídia, de que o problema do Brasil é o servidor público. O assunto será exposto pela auditora fiscal aposentada Maria Lúcia Fatorelli, coordenadora da ONG Auditoria Cidadã da Dívida.

A matéria pode ser lida em https://www.sintrajud.org.br/maria-lucia-fattorelli-discute-impactos-da-pec-32-em-live-do-sindicato-nesta-3a/

No Facebook a live poderá ser vista em https://www.facebook.com/sintrajud e no YouTube, em https://www.youtube.com/user/sintrajud1

“Os impactos da ‘reforma’ administrativa na vida da população e os benefícios que serão direcionados para o capital financeiro serão o tema da  live do Sintrajud que acontece nesta terça-feira, 10 de novembro, às 18h, com transmissão no Facebook, YouTube e aqui pelo site.

Para conversar com os servidores sobre o tema, a diretoria do Sindicato convidou auditora fiscal aposentada Maria Lucia Fattorelli, coordenadora da Auditoria Cidadã da Dívida, que irá esclarecer como é falacioso o argumento utilizado pelos governos de que o problema do Brasil é o servidor público. O diretor do Sindicato e da Fenajufe Fabiano dos Santos também vai participar da conversa.”

https://sindicatoexpresso.blogspot.com/2020/11/pec32-entenda-porque-o-servidor-publico.html

Santa Casa foi usada para esquema de desvio de recursos do SUS

Terceirização do SUS abriu as portas para a corrupção. Organizações sociais foram usadas para desviar recursos destinados a cuidados médicos

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Matéria publicada pela revista Carta Capital é mais um recorte que reforça o que temos mostrado, há mais de uma década, aqui temos publicado no Sindicato Expresso. (No site da revista Carta Capital, matéria completa em https://www.cartacapital.com.br/saude/gestao-do-sus-por-santas-casas-e-organizacoes-sociais-peca-em-transparencia/ ) Mesmo quando a terceirização é feita em nome de organizações “sem fins lucrativos”, o lucro poderá ser ilícito, porque ela abre as portas à má gestão e corrupção contra o SUS.

Uma Santa Casa, instituição filantrópica e respeitável, teve seu nome usado para um grande esquema de terceirização na prestação de serviços públicos de Saúde. E o esquema, iniciado em uma pequena cidade do interior paulista (São Paulo é o paraíso das terceirizações), avançou por outros municípios e até por outros estados. Poderia parecer um caso de sucesso a ser imitado. Conforme publicou a revista:

“A pequena cidade de Pacaembu, a 613 quilômetros da capital paulista, é sede de um case de sucesso na área da saúde. A humilde Santa Casa local, fundada no fim dos anos 1960, transformou-se em poucos anos em um bem-sucedido empreendimento do ramo. Sob a gestão de Cleudson Garcia Montali, conhecido médico anestesista da região, passou a administrar postos, ambulatórios e hospitais do SUS em 14 municípios paulistas. Firmou, ainda, parcerias no Paraná, na Paraíba e no Pará. Os contratos somam 2,5 bilhões de reais.”

Só que o caso de sucesso era, na verdade, um caso de polícia, conforme denúncias e investigações vieram a demonstrar. O aparente exemplo de eficiência e sucesso, escondia desvios, corrupção e a formação de quadrilha para desfalcar o SUS. Revela a matéria:

“O tino para os negócios e o bem comum era fachada. Montali é apontado pela Justiça como líder de uma organização criminosa que desviou 500 milhões de reais que deveriam ter sido investidos no combate à pandemia do coronavírus. Segundo os investigadores, Cleudson e os comparsas viram na crise uma oportunidade única para desviar dinheiro. O esquema, segundo as investigações, dependia de acordos com prestadoras de serviços quarteirizadas. Ora com superfaturamentos, ora por meio de serviços não executados, e sempre mediante emissão de notas frias. Envolvia funcionários públicos, políticos, amigos e até a proprietária de um prostíbulo.”

Até o proprietário de um prostíbulo se juntava aos representantes de uma Santa Casa, “sem fins lucrativos”, para tungar dinheiro destinado a tratar e cuidar de pacientes do SUS.

Essa forma de privatização e precarização do SUS é extensa. “Cerca de 13% dos serviços do SUS estão sob a gestão de ONGs, instituições filantrópicas, Santas Casas, empresas, associações e outras entidades, segundo dados divulgados pelo IBGE no ano passado.”

Diante de escândalos e desvios, o governo e a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro decidiram encerrar definitivamente a participação de organizações sociais na gestão e terceirização de serviços públicos de saúde. ( https://sindicatoexpresso.blogspot.com/2020/10/comeca-o-fim-das-organizacoes-sociais.html ) Que o exemplo seja seguido.

https://sindicatoexpresso.blogspot.com/2020/11/santa-casa-foi-usada-para-montar-um.html