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Redes sociais e política: a antipolítica, a pós-verdade e o efeito manada online

Redes sociais e política: a antipolítica, a pós-verdade e as manadas virtuais

A antipolítica tomou conta das redes sociais. E é perigosa. O fato de alguém possuir uma rede social não o torna jornalista. A pessoa não tem formação para proceder apuração de uma informação, não tem fontes para se informar de forma sistemática e organizada e não conhece as técnicas que o jornalista usa para publicar suas matérias. O assunto política é uma terra de ninguém. E muitos sempre apareceram para atribuir os piores adjetivos à classe política, atingindo políticos de todas as tendências e filiações partidárias. São, em geral, acusações genéricas, que misturam no mesmo saco toda a classe política e acabam atingindo as próprias instituições que permitem o funcionamento de uma sociedade democrática.

No início, já nos anos 90 do século passado, havia alguns estudos e alguns debates sobre a importância da Web, já se popularizando e tornando acessível, para a vida pública. Chegaram a achar que a democratização do acesso à Internet poderia constituir uma ágora eletrônica, aumentando a participação, a inclusão e a transparência na política. O acesso à Internet ainda não dispunha desses aplicativos de mensagens, de redes sociais ou de smartphones. Era caro e difícil. Não era comum as pessoas terem computadores pessoais, sendo o preço deles elevado e inacessível para a maioria. Mas havia entre alguns estudiosos e ativistas, uma expectativa, ingênua e bondosa, de que o acesso a Internet poderia ser democratizado e contribuir para o aperfeiçoamento da vida pública.

Uma análise dos resultados eleitorais de 2016, publicada no portal El País, informava que a antipolítica já avançava a passos largos no Brasil.

https://brasil.elpais.com/brasil/2016/10/05/opinion/1475671551_641754.html

Os resultados da antipolítica foram consagrados dois anos depois. O “tem que mudar tudo isso aí”, o novo e a renovação, consagrado pela volta das velhas ideias, da exaltação de um passado pouco recomendado. Não era o fim da política. Era a mesma peça representada por outros atores.

https://diplomatique.org.br/bolsonaro-e-a-antipolitica/

*Talvez a antipolítica seja mais sentimento (ou ressentimento) do que razão. Suas razões parecem, na verdade, racionalizações.

Em entrevista ao Estadão, Jairo Nicolau, cientista político, professor da URFJ e especialista em sistemas eleitorais, disse:
“O partido é uma organização que se tornou cada vez menos atraente. Não só no Brasil. Esse fenômeno é mundial. Nas democracias tradicionais, o número de pessoas filiadas a partidos declina anualmente. Partido, como conhecemos, foi inventado no século 19, teve seu apogeu como organização de comunicação política no século passado. Estamos no século da interação online, as pessoas podem fazer um grupo nas redes sociais, blogs, e comunicam-se com centenas, às vezes milhares, de pessoas. Defendem causas, oferecem cursos, compartilham documentos, conversam entre si. Por que vão sair de casa uma vez por semana para uma reunião na sede do partido? A militância presencial, clássica, cultivada pela esquerda do século 19 e pelos partidos de massa, parece fadada a acabar.”
A entrevista está em:
https://politica.estadao.com.br/noticias/eleicoes,sentimento-antipolitica-esta-maior-imp-,1560340

Essa mudança, já bem notada, do presencial para o ambiente virtual, tem um impacto nas relações interpessoais e na vida pública. Há bolhas construídas dentro dessas redes sociais que reafirmam opiniões e crenças de seus participantes e vão se tornando impermeáveis à diferença, aos senões, nuances, dúvida razoável e mesmo ao contraditório.

Aqui funciona o comportamento de manada, muito bem explicado em série de reportagens da BBC Brasil.

A manada virtual pode ser manipulada com base em objetivos políticos. Empresas usam isso para faturar e políticos e empresários usam o recurso para dinamitar adversários e capitalizar votos. Essa matéria foi exonerada em uma série de ótimas reportagens feitas pela BBC Brasil.”

“Evidências reunidas por uma investigação da BBC Brasil ao longo de três meses, que deram origem à série Democracia Ciborgue, da qual esta reportagem faz parte, sugerem que uma espécie de exército virtual de fakes foi usado por uma empresa com base no Rio de Janeiro para manipular a opinião pública, principalmente, no pleito de 2014. E há indícios de que os mais de 100 perfis detectados no Twitter e no Facebook sejam apenas a ponta do iceberg de uma problema muito mais amplo no Brasil.”

“O conceito faz referência ao comportamento de animais que se juntam para se proteger ou fugir de um predador. Aplicado aos seres humanos, refere-se à tendência das pessoas de seguirem um grande influenciador ou mesmo um determinado grupo, sem que a decisão passe, necessariamente, por uma reflexão individual.”

“A estratégia que vem sendo usada por perfis falsos no Brasil e no mundo para influenciar a opinião pública nas redes sociais se aproveita de uma característica psicológica conhecida como “comportamento de manada”.

“Se muitas pessoas compartilham uma ideia, outras tendem a segui-la. É semelhante à escolha de um restaurante quando você não tem informação. Você vê que um está vazio e que outro tem três casais. Escolhe qual? O que tem gente. Você escolhe porque acredita que, se outros já escolheram, deve ter algum fundamento nisso”, diz Fabrício Benevenuto, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), sobre a atuação de usuários nas redes sociais.”
Matéria publicada no portal da BBC
http://bbc.in/2BZRKYU

A manada vai toda na mesma direção. E ainda tem sua relação com a realidade e os fatos comprometidas pela pós-verdade. A pós-verdade está na essência dessas bolhas.

Em sábias palavras e com referências sábias o teólogo Leonardo Boff analisou a pós-verdade em ótimo artigo. Aqui destacamos alguns trechos.

“O dicionário Oxford de 2016 a escolheu como a palavra do ano. Assim a define:”O que é relativo a circunstância na qual os fatos objetivos são menos influentes na opinião pública do que as emoções e crenças pessoais”. Não importa a verdade; só a minha conta. O jornalista britânico Matthew D’Ancona dedicou-lhe todo um livro com o título “Pós-verdade: a nova guerra contra os fatos em tempos de fake news (Faro Editorial 2018). Ai mostra como se dá a predominância da crença e convicção pessoal sobre o fato bruto da realidade.”

“É doloroso verificar que toda a tradição filosófica do Ocidente e do Oriente que significou um esforço exaustivo na busca da verdade das coisas, sendo agora invalidada por um inaudito movimento histórico que afirma ser a verdade da realidade e da dureza dos fatos algo irrelevante. O que conta serão minhas crenças e convicções: só serão acolhidos aqueles fatos e aquelas versões que se coadunam à estas minhas crenças e convicções, sejam elas verdadeiras ou falsas.”

“Aqui valem as palavras do poeta espanhol, António Machado, fugido da perseguição de Franco:”A tua verdade. Não. A verdade. A tua guarde-a para ti. Busquemos juntos a verdade”. Agora vergonhosamente não se precisa mais buscar juntos a verdade. Educados como individualistas pela cultura do capital, cada um assume como verdade a que lhe serve.”

“Na pós-verdade predomina a seleção daquilo, verdadeiro ou falso, que se adequa à minha visão das coisas. O defeito é a falta de crítica e de discernimento para buscar o que de fato é verdadeiro ou falso.”

O artigo foi publicado em:
https://www.diariodocentrodomundo.com.br/a-pos-verdade-socrates-morreria-de-tristeza-por-leonardo-boff/

A Internet permitiu criar uma massa de manobra difusa, uma multidão virtual confusa, que, os fatos o demonstram, pode servir ao apelo populista e demagógico de extremistas e fazer com que uma pessoa, enredada na manada e iludida pela pós-verdade, se posicione até mesmo contra seus próprios interesses econômicos e sociais.

O neoliberalismo não convive bem com a democracia. 

A SUSTENTAÇÃO DO NEOLIBERALISMO – Como uma ideia perversa sobrevive?

G. Sette – 13:30


A SUSTENTAÇÃO DO NEOLIBERALISMO 
 “A formação do ser neoliberal” é um interessante artigo publicado no site Outras Palavras. É uma resenha feita por Eleutério F. S. Prado do livro “El ser neoliberal” (Gedisa, 2018) de Pierre Dardot e Christian Laval. O neoliberalismo se mantém não por uma ideologia, mas pela produção e reprodução de uma subjetividade. A matéria coloca o perfil dessa subjetividade neoliberal: “Empresário de si mesmo. Iludido pelo consumo. Alienado da natureza. Suscetível a seitas que o impedem de desabar”. O neoliberalismo é colocado, também nessa obra, como nocivo à democracia. Essa tese é defendida, com evidências e fortes argumentos pelo filósofo Grégoire Chamayou, em entrevista que pode ser lida em http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/585343-para-se-defender-o-neoliberalismo-faz-a-democracia-se-esgotar-entrevista-com-gregoire-chamayou

“Em novo livro, Pierre Dardot e Christian Laval mostram como a nova racionalidade capitalista criou o sujeito que a reproduz. ” 
“No livro El ser neoliberal (Gedisa, 2018), publicado na Espanha, os pesquisadores franceses Pierre Dardot e Christian Laval mais uma vez interpretam o neoliberalismo, não como uma ideologia, mas como uma racionalidade e uma mentalidade que se impõe. Uma ideologia é uma representação do mundo – nele baseada, mas em última análise falsa ou apenas aparente. Uma racionalidade é algo que constitui o ser social em sua prática cotidiana, posta historicamente por meio de práticas de poder que, segundo Foucault, são também formas de governar as mentalidades. 
 O modo de produção capitalista sob a regência do neoliberalismo é, segundo os autores, inseparável da produção contínua de uma subjetividade apropriada.” Vale a pena ler a matéria em https://outraspalavras.net/mercadovsdemocracia/a-formacao-do-ser-neoliberal/

resenha

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política

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Paulo Guedes

PARTIDOS POLÍTICOS, MOVIMENTOS SOCIAIS E SINDICATOS APRESENTAM PROPOSTAS ALTERNATIVAS AO ATUAL GOVERNO.

PARTIDOS POLÍTICOS, MOVIMENTOS SOCIAIS E SINDICATOS APRESENTAM PROPOSTAS ALTERNATIVAS AO ATUAL GOVERNO.

Já é possível antever, diante do primeiro ano do governo Bolsonaro, que ele segue o mesmo caminho tomado pelo governo Temer, a escolha de políticas neoliberais que prejudicam assalariados em questões como emprego, renda, aposentadoria e direitos.
No atual governo temos o agravante de estar a vertente neoliberal do poder representada pelo segmento mais atrasado do capital, personificada em Paulo Guedes.
O governo Bolsonaro é uma mistura do neoliberalismo defasado de Paulo Guedes, com o reacionarismo delirante de Olavo de Carvalho.
Existe, agora, uma agenda de resposta a essa trama do oficialismo. Partidos políticos, movimentos sociais e sindicatos organizaram um encontro e apresentaram um programa bem claro, em contraponto à linha adotada pelo atual governo.
Informa o portal noticioso ‘Brasil de Fato’:
“Partidos políticos de oposição, movimentos populares e centrais sindicais apresentaram nesta segunda-feira (18) propostas para a geração de empregos e redução das desigualdades, em contraposição às políticas econômicas e sociais do governo de Jair Bolsonaro (PSL). O Encontro Emprego e Desenvolvimento, realizado no Sindicato dos Químicos de São Paulo, também marca o início da articulação por uma Jornada Nacional de Mobilização e Luta unitária.”

” Os partidos PT, PSB, PCdoB, PDT, PSOL e Rede apresentaram o Plano Emergencial de Emprego e Renda, com 15 propostas. Dentre elas, a reativação do programa Minha Casa Minha Vida, o aumento real do salário mínimo, a expansão do Bolsa Família e a disponibilização de R$ 20 bilhões em créditos para o cooperativismo e a agricultura familiar.”
” Entre os pontos defendidos pelas centrais, estão a retomada de obras públicas paralisadas; a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais; a promoção de direitos a trabalhadores de aplicativos; e o controle dos preços de produtos da cesta básica, gás de cozinha e das passagens do transporte público. O documento foi elaborado pela CUT, Força Sindical, UGT, CTB, NCST, CSB, Intersindical, Intersindical Instrumento de Luta, CSP-Conlutas, CGTB.”
A matéria completa pode ser conferida em https://www.brasildefato.com.br/2019/11/18/centrais-sindicais-partidos-e-movimentos-sociais-articulam-oposicao-unitaria/

Sindicato consegue vitória contra MP de Bolsonaro.

Sindicato consegue vitória contra MP de Bolsonaro.

Bancários de SP conseguiram que aplicação de MP do governo (MP 905) , que previa trabalho aos sábados fosse suspensa durante negociações com o patronato.
A medida provisória de Bolsonaro é mais um confisco de direitos conquistados pelos trabalhadores. Segue a linha de medidas neoliberais que aumentam a desigualdade e diminuem direitos, iniciada já no governo de Michel Temer, com a malfadada Reforma Trabalhista. Bolsonaro segue Temer nas prática neoliberais que prejudicam direitos e representatividade de assalariados e aposentados. O neoliberalismo aplicado no Chile aumentou a desigualdade e levou o país a uma convulsão social. O atual ministro Paulo Guedes é um admirador da política econômica neoliberal adotada durante a sangrenta ditadura de Pinochet naquele país andino.
Parabéns ao Sindicato que representa os bancários de São Paulo por essa importante vitória. Que se aprofunde a resistência democrática em defesa de direitos civis e sociais. É necessário defender o que ainda resta e lutar novamente para a conquista do que foi perdido.

“O Comando Nacional dos Bancários se reuniu nesta quinta-feira 14 com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) para tratar da Medida Provisória 905/2019, assinada pelo presidente Jair Bolsonaro na última segunda-feira 11. O Comando Nacional conseguiu segurar a implantação da MP 905/2019 até que seja concluída a negociação com a representação da categoria. A próxima reunião será realizada no dia 26.”
https://spbancarios.com.br/11/2019/sindicato-consegue-suspensao-da-mp-905

Prêmio Nobel de Economia denuncia os estragos do neoliberalismo contra a democracia

​UMA VOZ AUTORIZADA A IDENTIFICAR E DENUNCIAR O NEOLIBERALISMO

O autor afirma que a democracia, nos últimos 40 anos, foi prejudicada pela promiscuidade com o neoliberalismo, que fez pessoas e sociedades inteiras a se sentirem impotentes diante de decisões sobre questões econômicas. Em consequência lideranças populistas, autoritárias, sem compromisso com a democracia, saíram da marginalidade política e passaram a ter poder e influência nos tempos recentes.
[O caso brasileiro é uma situação à parte – o populista de direita eleito se compõe com o neoliberalismo representado pelo seu ministro da Fazenda]
Joseph Stiglitz foi condecorado com o prêmio Nobel de Economia em 2001 e, anteriormente recebeu a medalha John Bates Clark. Estou no prestigioso Amherst College e no internacionalmente reconhecido MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts). Lecionou em Harvard e Yale. Sempre esteve, como aluno e professor, nas instituções de ensino mais prestigiosas do mundo. Foi economista chefe e vice-presidente do Banco Mundial. Ele demonstrou que determinadas intervenções do Estado podem beneficiar a economia coo um todo e, por consequência, todos os indivíduos nela envolvidos.
Ele escreve da estatura de seus 76 anos, onde muito pesquisou e ensinou na sua área de atuação. Recentemente foi publicado seu artigo “O fim do neoliberalismo e o renascimento da História.” Ele parte do polêmico e famoso livro do cientista político Francis Fukuyama, “The End of History”, escrito no fim da Guerra Fria e que sustentava que a queda do comunismo elimava o último obstáculo que separava o mundo inteiro do seu destino seguro de democracia liberal e economia de mercado.
Hoje o autor observa que há uma retração da ordem global liberal, apoiada em regras, diante de governantes autocráticos e demagogo. O autor também reconhece que a doutrina neoliberal prevaleceu nos últimos 40 anos.
Ele conclui que o “neoliberalismo prejudica a democracia há 40 anos. A fé neoliberal em mercados desenfreados como caminho para a prosperidade está condenada á morte, respirando por aparelhos.
O autor ressalta que a globalização neoliberal, exaltando os mercados acima de tudo, deixou pessoas e sociedades inteiras incapazes de controlar uma parte importante de seu destino.
O autor cita os chavões ainda usuais, mas que parecem cada vez mais velhuscos e ultrapassados, como os que diziam: “Vocês não podem defender as políticas que desejam, porque o país perderá competitividade, os empregos desaparecerão e vocês sofrerão.” Isso tem sido dito nos últimos anos quando se defende proteção social adequada, salários decentes ou tributação progressiva ou um sistema financeiro regulamentado.
O autor escreve:” Como é que a restrição salarial – para alcançar ou manter a competitividade – e a redução de programas governamentais podem resultar em adrões de vida mais elevados?”
E conclui: “O único caminho a seguir, o único caminho para salvar o nosso planeta e a nossa civilização, é um renascimento da História.”
O artigo completo pode e deve ser lido em https://jornalggn.com.br/artigos/o-fim-do-neoliberalismo-e-o-renascimento-da-historia-por-joseph-e-stiglitz/

Renúncia bilionária – por meio de renúncia fiscal governo financia saúde privada enquanto SUS fica sem verbas. 

Entre 2003 e 2015, a União destinou indiretamente R$ 331.498 bilhões para a saúde privada, de acordo com a única pesquisa a esse respeito, produzida neste ano pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) com dados da Receita Federal”


Fonte: https://noticias.uol.com.br/reportagens-especiais/governo-congela-gastos-com-o-sus-enquanto-abre-mao-de-bilhoes-em-impostos-a-saude-privada/index.htm

Peso do SUS cai, e saúde privada tem fatia maior do que em países ricos 

Chama atenção que o SUS tem a missão de atender 85% da população e tem pouco mais de 40% dos gastos em saúde, do total de gastos públicos e privados em saúde da população brasileira. 

No ano em que o SUS (Sistema Único de Saúde) completa 30 anos, uma pesquisa a que o UOL teve acesso indica que os gastos públicos vêm perdendo peso frente às despesas privadas em saúde, na contramão do que ocorre em países desenvolvidos. Uma diferença que tende a se agravar nos próximos anos com o congelamento dos gastos do governo por 20 anos.”

Dos R$ 546,1 bilhões gastos em 2015 em saúde, R$ 314,6 bilhões saíram da iniciativa privada, o equivalente a 57,6% das despesas.”

Fonte: 

https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2018/12/17/sus-30-anos-gasto-publico-cai-ao-menor-nivel-em-relacao-ao-setor-privado.htm

FELIZ NATAL E PRÓSPERO ANO NOVO. Mas nem tudo são flores

FAX SINDICAL

Data: 15 DE DEZEMBRO DE 2018

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Sindicato dos Médicos de Juiz de Fora e da Zona da Mata de MG

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FELIZ NATAL.

O Sindicato dos Médicos de Juiz de Fora e da Zona da Mata de Minas Gerais deseja a todos os colegas, amigos e leitores, um Feliz Natal e Próspero Ano Novo.

Mas nem tudo são flores. Funcionários públicos de muitos estados e municípios brasileiros não sabem quando receberão seu décimo terceiro salário. Muitos estão com salários parcelados ou atrasados. São pessoas que exercem funções de responsabilidade em serviços essencais ou de relevância social inegável, como nos casos da saúde e seguridade social, segurança pública, educação. São trabalhadores do setor público que garantem direitos importantes que são prometidos a todos os brasileiros.

Que o espírito de Natal ilumine a classe política e os atuais e futuros governantes com um solução urgente e necessária para esse padecimento que prejudica, fundamentalmente, milhões de usuários de serviços públicos e causa privações e apreensões em milhões de servidores públicos e suas famílias.

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MAIS DO QUE NUNCA É NECESSÁRIO ENTENDER A IMPORTÂNCIA DE SE TER UM SINDICATO PARA A DEFESA DO TRABALHO, EMPREGO, SALÁRIO, RENDA E DIREITOS

É um motivo para reflexão individual honesta, extensiva a todas as pessoas que trabalham, que dependem de salário, de aposentados, pensionistas ou para quem pretende se aposentar, a necessidade ou não da existência de um sindicato.

É importante ler o que se segue para notar se tem ou não coerência. Por causa da chamada “reforma trabalhista”, patrocinada pelo governo Temer, que acabou com o modelo de financiamento dos sindicatos adotado desde a era Vargas, resultando, em decorrência, um enfraquecimento momentâneo dos sindicatos que representam todas as classes de trabalhadores. Esse enfraquecimento veio junto com as propostas de reforma trabalhista e previdenciária, que criarão condições mais duras para futuros contratos de trabalho e futuras aposentadorias. A imposição por parte da maioria dos políticos e dos interesses que eles representam dessa agenda, a trabalhadores e aposentados, tanto no setor privado como no setor público, será imensamente facilitada e terá consequências difíceis de suportar se houver um movimento sindical fraco.

Os sindicatos são úteis na defesa de direitos coletivos e individuais relativos ao trabalho, sua remuneração, sua contratação e suas condições. Também atuam em questões pontuais de conflitos nessa relação entre empregador (ou seus representantes) e empregado. Os sindicatos são entidades perfeitamente democráticas, sendo suas diretorias eleitas pelo voto direto e todas as suas principais decisões tomadas em assembleias onde todos os presentes podem se manifestar e votar.

Será melhor ter ou não um sindicato representativo e organizado, dotado de recursos básicos para cumprir a sua missão? Essa pergunta poderá e deverá ser respondida por cada um que ler essas linhas e se dispuser a uma reflexão honesta sobre o assunto aqui tratado. Já sabiam os antigos que “a união faz a força”. E não é diferente quando falamos de uma união de profissionais em defesa de seus direitos mais elementares relativos ao seu trabalho, que é seu ganha pão.

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TEMER BOLSONARO? Até onde vai o ataque aos direitos sociais de assalariados, funcionários e aposentados?

Críticas ao Bolsonaro já começam a multiplicar nas redes sociais e na midia, já na fase de formação do futuro governo. Intrigas e brigas internas envolvem gente que apoiou o governo e se elegeu para cargos públicos. O governo não começou, mas começou a amealhar em torno de si os segmentos mais atrasados da vida nacional. Capitalismo selvagem, evangélicos atrasados, agronegócio predatório, militares reformados saudosistas da ditadura militar. Acendem todos o alertas em torno do futuro. Não é preciso dar asas à imaginação para intuir o que possivelmente resultará dessa mistura de segmentos atrasados e reacionários.
O verdadeiro mito por trás disso, sustentado por uma amostragem viciada das manifestações risíveis e infundadas dos chamados “bolsomínions” em todas as redes sociais, é que essas ideias representam um “Brasil profundo”, ou ideias que são pacificamente aceitas por uma maioria até então silenciosa. Tal suposição não se baseia em fatos concretos e não serve de base para assegurar uma maioria homogênea que garanta o apoio ao que está por vir. O quadro não é animador.
O ataque aos direitos sociais, iniciado na agressiva reforma trabalhista do governo Temer, deverá prosseguir. Será um governo para os mais ricos, as declarações e argumentos de Paulo Guedes e sua biografia o confirmam. Bolsonaro votou a favor da reforma trabalhista de Temer e declarou com orgulho haver votado contra todos os direitos trabalhistas para empregadas domésticas.
Para todos os que dependem do próprio trabalho assalariado ou autônomo para sobreviver, para todos os aposentados e pensionistas, o céu está carregado de nuvens de tempestade. Os tempos tóxicos da vida política se tornarão tóxicos também para o mundo do trabalho e para os direitos sociais. Aqui escreve um que poderá dizer: _ Eu avisei!

Em defesa da última cidadela: salários, aposentadorias e direitos fundamentais.

Vamos falar do sindicalismo médico. Mas o ponto abrange todos os sindicatos e os interesses e temores de todos os que dependem de emprego, salário e aposentadoria. Quando qualquer um tira os olhos do Facebook, Whatsapp, Twitter, etc., e chega no seu trabalho ou dá uma olhada no seu contracheque, parando para pensar vai perceber uma realidade diferente daquela dos debates inflamados das redes sociais. Essa realidade é determinada pela possibilidade de seu salário não ser pago em dia, de suas férias ou de sua aposentadoria serem dificultadas, de suas condições de trabalho estarem em franca decadência. Quando os olhos, ouvidos e o pensamento estão voltados para esse duro chão da realidade, então o sindicato costuma ser lembrado ou pensado. Nessa hora fica mais viva a ideia de que a união é que faz a força e que a solidariedade é o que sustenta essa necessidade de se unir por um interesse comum.
Toda profissão regulamentada, principalmente as mais antigas, contam com normas, uma cultura própria e valores que são incorporados ao seu exercício. No caso da Medicina, valores que são humanistas, uma herança do Iluminismo. No caso específico da Medicina existem normas éticas, legais e disciplinares associadas ao seu exercício, em razão da forte responsabilidade que se tem imediatamente sobre a vida de pessoas.
O objetivo político por excelência é a construção de uma unidade no presente com vistas a um projeto para o futuro. Essa unidade desejável se faz por consensos, especialmente sobre temas sobre os quais não pesa a contaminação do partidarismo extremo do tipo que intoxica as redes sociais na atualidade.
Exemplo das razões para se construir essa unidade são aquelas ligadas a direitos trabalhistas e sociais da categoria representada, às condições de trabalho e ao funcionamento do sistema público de saúde.
No caso dos médicos, por ser todo o trabalho cercado de interfaces com a sociedade, representada por pacientes, responsáveis, familiares e profissionais não médicos que também atuam na área de saúde, a questão da opinião pública tem destacada importância.
A realidade impõe algumas questões, destacando o campo do serviço público, onde uma parcela significativa de médicos milita, com um ou dois vínculos, plantões, sendo esses profissionais concursados, contratados, terceirizados ou aposentados. Nesse caso, categoria profissional dos médicos, como tantas outras envolvidas na prestação de serviços públicos, está, na atualidade, na defensiva, preocupada com o recebimento de seus próprios salários e aposentadorias e com ameaças imediatas ou a longo e médio prazo, reais ou virtuais, a seus direitos mais elementares.
Concluímos que, por mais que os médicos se deixem envolver em debates político-eleitorais a partir de redes “sociais” que dividem a sociedade, os sindicatos que formam a representação classista da categoria profissional têm o dever, nas pessoas de seus diretores, de se empenhar na construção de consensos que são o cimento de uma unidade necessária para a garantia dos nossos direitos mais elementares no futuro imediato.